sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O meu Natal

Eu já contei como era o Natal de minha infância aqui
E era muito bom mesmo, rever todos os familiares juntos, aquele bando de crianças correndo, gritando, ansiosos pelos presentes...
Até que um dia tudo acabou.
Eu ainda era adolescente e não dava muita importância se tinha acabado ou não.
Mas, com o passar do tempo, amadurecendo mais um pouco, comecei a questionar o que tinha ocorrido.
Meus pais sempre desconversavam, davam desculpas que não me convenciam de jeito nenhum e o tempo foi passando.
Um dia, cansada de nunca ter ceia, de não encontrar ninguém, comecei eu mesma a organizar o Natal.
Chamei uma tia aqui, outra ali, fizemos a lista e combinamos tudo.
Finalmente eu ia reunir a família de novo, agora sem meu avô. Acho que foi até por isso que tudo acabou. A base sólida, o chão, não estava mais presente.
Foi tudo ótimo! Muitas conversas, muitos assuntos, muitos risos e.... muita fofoca.
Vez ou outra eu pegava um ou outro falando de um ou de outro. E para piorar mais ainda, meus pais sempre de cara amarrada, reclamando de tudo e de todos. Pronto! Acabou tudo de novo!
Família é tudo isso mesmo e acho que é tudo igual em todo o lugar. Mas aprendi, com o tempo e com as situações, que não precisamos aguentar nada que nos incomoda. E muitas das fofocas que faziam eram com a minha família, justamente por meus pais serem assim, um tanto arrogantes e grosseiros - mais meu pai, minha mãe até que disfarça bem. Resumindo, eles não gostavam de nós, e principalmente de mim - que não vou entrar nesse detalhe.
Com os acontecimentos todos, em muitos anos de minha vida, por meu bem, por minha sobrevivência, me afastei de todos. Não me sentia mais bem, sendo alvo claro de falsidade e fofoca. Não preciso aguentar isso. Tanto fiz certo que em nenhum momento, parente nenhum quis saber se eu estava bem, se estava viva... Só minha madrinha de batismo que me procurava vez ou outra e nunca se esqueceu de mim. Sorte!
Logo me separei também e pronto. Sozinha, deprimida, com síndrome do pânico e duas crianças para cuidar.
Hoje eu vejo como Deus é espetacular, como cuida de nós com todo o carinho, como nos conduz sempre ao bom caminho, quando temos um coração puro de amor.
Tudo deu certo, apesar de todos os transtornos, hoje digo que estou quase bem. Mas feliz e realizada, principalmente quando vejo meus filhos crescidos e pessoas de bem.
Hoje, nosso Natal é animadíssimo, apesar de sermos só nós três, e agora mais dois, com os agregados... Coloco os presentes debaixo da árvore e fico dias escutando de minha filha se já pode abrir o presente, qual é o dela, o que o Papai Noel trouxe etc. Continuam crianças para mim, e toda essa magia ainda os contagia.
Faço ceia, mas comemos antes da meia-noite, porque meus filhos também vão passar o Natal com o pai deles. Depois brindamos e fazemos amigo oculto. Sim, só nós três. O presente é igual para todo mundo: uma barrona de chocolate. Precisa melhor?
Mesmo só nós três, nos divertimos muito, zoamos um com o outro, falamos besteiras um do outro e estamos em paz. Hoje minha casa é um lar.
Eu só tenho a agradecer; apesar de todos os tormentos, estamos juntos, felizes, bem humorados e tudo de bom.
Espero que ainda demore muito, mas agora é só esperar pelos netos, que vão ter a vovó mais palhaça que poderiam ter, e que não sabe fazer bolo.
Bem, ninguém é perfeito, né?

Família feliz!





 FELIZ ANO NOVO!!!



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Feliz Natal!!!

Mais um ano que se vai...
Mais um ano que se vem, com força total, com esperanças, com promessas, com alegrias...
Eu desejo à vocês, queridos leitores e amigos, que o ano chegue com tudo, em suas vidas;
Que as promessas não saiam voando por aí, mas que sejam cumpridas;
Que os amores permaneçam, que se multipliquem, que sejam incondicionais, duradouros, verdadeiros e recíprocos;
Que as amizades se fortaleçam, que novos amigos de infância se formem, que antigos amigos permaneçam, que amigos distantes os achem onde estiverem e que matem todas as saudades que ficaram no caminho da vida;
Que aceitem o próximo como ele é, e não como você gostaria que ele fosse;
Que perdoe quem lhe fez algum mal e, principalmente, se perdoe;
Que tenham sucesso profissional; 
Que sejam persistentes em seus objetivos;
Que façam o que tiverem  vontade e o que gostam;
Que tenham a sabedoria de um ancião e a pureza e a alegria de uma criança;
Que sejam curiosos, para assim se tornarem inteligentes;
Que tenham sempre a doçura de um brigadeiro, apesar de todo o jiló da vida;
Que tenham bom humor sempre, que riam de si e de suas bobeiras;
Que peguem todas as pedras do caminho e construam um belo castelo;
Que sejam sonhadores, sem medo de sonhar alto demais... eu garanto: eles se tornam realidade;
Que recebam o Menino Jesus em seus corações e o acolham com todo o carinho e amor do mundo!!!

Que se amem, que se respeitem, que façam suas escolhas, que cultivem coisas boas, úteis, e que se olhem no espelho, à partir de agora, e digam: EU SOU FELIZ!!!



Ano que vem estamos juntos de novo, certo?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eu pisquei... eles cresceram!

Até parece que foi ontem que caminhava pelos corredores do hospital, com aquele barrigão quase explodindo, mas muito feliz! Isso foi no dia 28 de julho de 1994: nascia Amanda. Depois, em 04 de abril de 1996, nasceu Leonardo.
Então, eu pisquei e eles cresceram. Dias desses ainda os carregava no colo, e segunda-feira foi a formatura do Ensino Médio de minha filha.
Ano que vem tem faculdade.... nossa! O tempo passa muito rápido!
Olhando os dois assim, crescidos, lindos, bom caráter, educados, estudiosos, porém, adolescentes, só tenho a agradecer a Deus: eu consegui! Não é fácil educar um filho, conduzí-lo a ter uma profissão, a fazer suas próprias escolhas, ter opinião própria... Mas, eu consegui!
Fico imaginando a alegria de Amanda, recebendo o diploma e se despedindo da turma toda, daquela fase maravilhosa que é a escola, as farras, as bagunças, os choros, as provas, os professores... Acabou, filha!
Terça-feira foi o jantar e a balada.
Mais uma vez enfrentei o pânico e fui! Ainda tenho fobia a lugares fechados e cheios de pessoas. Fiquei num canto, onde não tinha muito movimento, e perto de uma janela enorme, onde o ar corria. Tudo certo!
Estava tudo muito bem organizado, com fartura de tudo e os adolescentes, cada um mais lindo que o outro. Que idade mais maravilhosa!
Amanda estava parecendo uma boneca - sou mãe coruja - e, não demorou muito, arrancou o salto 15 e dançou a noite toda, descalça.
Isso mesmo, filha, aproveita o máximo da vida porque a vida é o máximo!
Que seja muito feliz, que tenha muitos sonhos e que os realize; que não desanime com as pedras do caminho, que chore o que tiver que chorar, enxugue as lágrimas e vida que segue!
Sucesso à você, que é uma excelente pessoa e que continue muito bem humorada com todos.
Estou sempre aqui, caso queira meu colo, meu ombro, meus conselhos, minha companhia... caso precise de mim!
Que Deus lhe proteja e sempre lhe mostre o melhor caminho, que não é o mais fácil, mas o ideal para você.
Te amo!
É ou não é muito linda?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Senhor de sua senhora

Infelizmente, todos os dias, em todos lugares, em todas as classes sociais, o mesmo fato: "mulher é morta por ex namorado, companheiro, marido, que não admitiu ter terminado a relação."
Esta semana, em minha cidade, uma chacina: um rapaz de 19 anos matou a namorada de 14 e a avó dela com arma de fogo, acertando também o pai dela, que continua internato na UTI da Santa Casa, e depois se matou.
Aí o que se vê nos comentários:
- Mas como ela pode namorar um drogado desse?
- Como a mãe não proibiu esse namoro?
- Como é que não o denunciou à polícia?
A menina já teria morado com ele, apesar da pouca idade, mas por medo das ameaças, de que ele iria matar toda a família, se ela não fizesse o que ele queria.
A mãe da menina já havia denunciado o rapaz à polícia. Este não tinha família; morava sozinho e era usuário e traficante de drogas.
Para quem está de fora, é muito fácil julgar; aliás, a coisa mais fácil do mundo é julgar o comportamento alheio.
Agora não há mais nada a fazer. Mais um tempo comentando o assunto e tudo volta ao normal. Mais uma família que virou estatística.
Esse caso de agressão contra mulher é frequente, e não tem o que fazer.
Quem já passou ou passa por uma situação dessa, sabe que não tem escapatória. São psicopatas que perseguem, ameaçam, batem e matam. Nem se importam com as consequências.
Homens que ainda são obcecados por mulheres, que ainda se acham donos de pessoas, que pensam ter o pleno controle de quem, um dia, conquistou, beijou, amou, jurou transformá-la em uma rainha e, matou!
Não suportam que os passem para trás, que os abandonem. Quantas e quantas vezes repetem essa frase:
- Se você não for minha, não vai ser de mais ninguém.
- Eu te mato e fujo, que ninguém me acha.
- Eu acabo com você e me mato depois. Sem você minha vida não vale nada mesmo.
Mesmo que denunciado, mesmo que preso, um dia ele sai da prisão e vai atrás de sua presa, afoito em acabar com aquele tormento que o renegou. Eles têm estratégias, força física e se transformam em monstros quando contrariados.
Isso é muito grave, muito sério e não tem solução; ter paciência, calma, não bater de frente, não fazer os desejos dele, mas também não enfrentá-lo cara a cara.
Psicopatas não têm limite, são cegos; o único foco é a "amada" que não o quer mais.
Isso sem falar que também coloca em risco qualquer pessoa que se aproxime da moça. Perigo dobrado, porque, sem pensar duas vezes, matam!
Como evitar isso?
Não tem regra. Apenas ficar de olho em atitudes estranhas, ciumes exagerados, querer afastar a pessoa de seu convívio familiar, não sei, é difícil estipular uma regra. Não tem!
Acho que mais do que nunca, é necessário primeiro, nos amar, nos respeitar, prestar atenção com quem vai se envolver, conhecer família, emprego, amigos, e não se empolgar com promessas de quem acabou de conhecer.
Príncipe não existe, e a felicidade não vem a cavalo. Ninguém vai lhe fazer feliz se você não o fizer por conta própria.
Não entregue sua vida, sua felicidade nas mãos de ninguém. Ninguém tem esse poder. Ele é seu, completamente e só seu!
Só para descontrair o texto...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Nasce uma escritora

A passagem da 4ª para a 5ª série, do ensino fundamental, é um marco na vida de algumas meninas. É a independência de ter um único caderno para todas as matérias, vários professores, pequeno descanso entre uma aula e outra e a fase das primeiras paixões. Os primeiros são os professores, depois os colegas de turmas mais avançadas e depois os amigos dos amigos. Delícia de fase.
Joana, 11 anos, uma menina sardenta e cabelos ruivos, não se continha de tanta ansiedade para começar o primeiro dia. Agora ia sozinha à escola, já que era no mesmo bairro de sua casa. Algumas amigas ficaram em outra turma, mas novas amizades faria dali para frente, apesar de ser uma menina doce e tímida.
Uma ótima aluna, e ótima em português e matemática, que sempre tirava a nota máxima. E agora mais ainda, pois teria Literatura, sua paixão.
Um certo dia, a professora de Literatura chegou, colocou um vaso com flores sobre a mesa e pediu para turma fazer uma redação sobre essa cena que eles estariam vendo.
Joana ficou um bom tempo olhando o vaso com as flores e imaginando, enquanto o restante da turma já começava a escrever na folha almaço.
Rapidamente, foram terminando e entregando à professora o seu trabalho.
- Mas já terminaram? Não passou nem dez minutos!
- Já, Dona Vânia, essa é muito fácil.
E Dona Vânia começou a ler as que tinha em mãos:
"Hoje a professora chegou com um vaso com flores e colocou na mesa e pediu pra gente fazer uma redação contando o que a gente tava vendo.
Eu vejo uma mesa velha, um monte de livros em cima, de um lado, e do outro lado um vaso azul, que achei muito feio, com flores coloridas. Não sei como se chamam as flores, mas a professora deve ter catado no mato, porque são pequenas e algumas já estão um pouco murchas.
A professora fica andando pra lá e pra cá, olhando a gente como se fosse dia de prova. É chato isso, mas já tô acabando a redação. Não tenho mais o que falar."
Pegou outra:
"Eu vejo um vaso azul pintado com umas florzinhas amarelas, com algumas flores muito bonitas e cheirosas nele. Está em cima da mesa velha da professora.
Essas flores eu vejo igual quando venho pra escola, então eu sei que a Dona Vânia pegou elas de lá.
As flores são muito bonitas, eu gosto de todas as flores, pois quem fez as flores foi Deus, e tudo que Deus fez é perfeito, então eu amo tudo que Deus fez. Também amo a água que está dentro do vaso e amo também o chão que plantaram as flores. E amo também os cachorros, porque cachorro é tudo de bom.
Eu tenho um cachorro chamado Filippo, que eu amo muito ele. Ele pula nimim todo dia que chego da rua, e sei que Deus fez ele também. Então eu também amo os cachorros e todos os bichos."
Dona Vânia, um pouco decepcionada com a turma, quando se deu conta, apenas Joana permanecia na sala. Os outros já haviam saído para o intervalo.
Ficou observando aquela menina linda, já com corpo de moça, os olhos brilhantes, que chegava quase a deitar sobre a folha almaço para poder escrever. Um pouco antes do término da aula, Joana se levantou e entregou sua redação.
Dona Vânia, curiosa, leu:
"Hoje, no trajeto de minha casa para a escola, fiquei observando tudo pelo caminho; mesmo sendo muito cedo e muitos ainda dormiam, o sol já nos dava bom dia, todo iluminado e com um grande sorriso me acompanhava pela calçada.
Vários alunos, alguns ainda com sono, quase se arrastando, faziam o mesmo trajeto que eu.
Quase em frente à escola, um vasto campo aberto me chamou a atenção: estava repleto de flores do campo, todas coloridas, todas abertas, como se fosse um grande tapete natural onde se é proibido pisar, apenas admirar. À medida que ia me aproximando, seu perfume entrava pelo meu nariz e me fazia fechar os olhos e respirar fundo, tentando tirar daquelas lindas flores, um pouco do perfume que elas insistiam em nos presentear. Confesso que nunca as tinha visto assim, tão abertas, tão perfumadas.
O sinal tocou e tive que me despedir das princesas do campo e entrar para a sala de aula.
Hoje é um dia que gosto muito, pois tenho Literatura com a professora Vânia.
Mas quando entrei, adivinhe quem estava lá me esperando? As lindas do campo.
Ainda mais lindas, num belo vaso antigo, azul, sobre a mesa de Dona Vânia.
Parece até que a professora leu meus pensamentos, porque o tema da redação era sobre as flores no vaso.
Continuam lindas, como as vi no campo, mas algumas já estavam murchas, então fiquei com pena.
Talvez se a professora não tivesse cortado elas de lá, elas teriam um pouco mais de vida,  mais alguns dias para alegrar quem passasse por ali e perfumar mais um pouco o ar que respiramos.
Coitada de Dona Vânia, será que ela não sabe que flor também tem vida e que não devemos matá-la para colocar no vaso?
Ela vai ler a redação e vai ficar sabendo."
Dona Vânia, impressionada com o que acabara de ler, chorou... pois sabia que, por algum tempo, pode fazer parte da adolescência de uma grande escritora que nascia ali, em sua sala de aula.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Isso existe

Estava eu no ônibus e como toda boa curiosa, escutando a conversa alheia.
Duas mulheres na minha frente no maior papo:
- Ah, sabe, eu tô cansada; eu queria um homem de verdade; sabe aquele homem?
- Mas e o Augusto? Você separou dele?
- Não, ele... ele... (rsrsrsrs)... já viu, né... O trem dele não levanta mais não!
- Coitado dele! Mas não pode! Não tem solução?
- Tem, mas ele tem a mulher dele, então fica difícil.
- Ex mulher?
- Não, mulher mesmo! Ele fica o dia todo com ela e vem à noite na minha casa.
- Ele tem duas casas? É isso?
- É.
- A mulher dele sabe disso?
- Sabe, mas é doente, depende dele pra tudo, então fica assim.
- Há quanto tempo isso?
- Ah, já vai pra mais de 20 anos. A Andreza já tá com dezenove!
- No começo ela não falou nada, não brigou com ele, com você?
- Não... Ambos nós todos combinamos que seria assim!
- Gente, que coisa! É verdade isso? O que ele faz?
- Agora é aposentado. Mas tem que me sustentar mais a filha dele, a Andreza.
- Você se satisfaz com essa situação? Não é pouco pra você? E se você quiser viajar, passear, como fica?
- Aconteceu, né... fazer o quê? Deus quis assim, então fica assim. Mas eu já tô cansada dessa vida. Eu queria mesmo era um homem... como eu te falei.
- Ele tem outros filhos?
- Tem... mais três com a mulher dele. Mas a casa que eu moro mais minha filha ele comprou e colocou no nome da Andreza. Então ninguém tira a gente de lá.
- E se ele morre amanhã? Vocês vão viver de quê?
- Seja como Deus quer. A gente vai levando, eu arrumo um outro homem e assim vai.
- Menina, não faça isso com você não. Acorda!
- Agora já é tarde, né... Já tá assim, então deixa assim.

Enquanto isso, meu outro ouvido escutando os senhores do banco de trás, um falando que estava muito preocupado com a Líbia, com a situação de lá... etc. Mas não tinha parente nenhum lá e nem nunca teve.
O engraçado é que o outro homem, ouvindo, ficava admirado com o que o primeiro falava; como se entedesse ou então se ele ao menos soubesse onde fica a Líbia. Onde fica a Líbia? O que acontece lá?
Tem muita gente assim mesmo; se faz de entendida só para não dizer que não sabe de nada.
Uma coisa eu aprendi: ninguém tem obrigação de saber nada, mas se não sabe, pergunte! Sempre haverá alguém para ensinar. Não é?
O que faz uma pessoa que não tem vínculo nenhum com algum lugar ficar preocupado? Falta de assunto?
E lá no fundão, claro, uns rapazinhos com aqueles famosos celulares que tocam o tempo todo, chamando, funk!!!
Pronto, chegou meu ponto e desci.
Mas que coisa, heim?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Natal

Hoje participo da Blogagem Coletiva de Rosélia, do blog ESPIRITUAL-IDADE

O que significa o Natal para mim.





Voltando à minha infância....
Tempos difíceis, vida simples, sem muitas regalias, sem religião. Mas no Natal, apesar de todo o esforço durante o ano, era época de festa.
Aguardava ansiosa pelo dia 25, ainda sem ter noção do verdadeiro significado da data mais importante para quem é cristão: o nascimento de Jesus.
Para mim era a época de comprar roupa nova, sapato (e eu podia escolher qual eu queria), época de olhar as lojas para saber o que escolher de presente; enfeitar a casa com a singela árvore.
Bem, a árvore de Natal era um galho seco, que pegávamos do quintal, era pintada na cor prata, e minha mãe colocava algodão por ela toda, insinuando ser neve. Eu nunca entendia para quê o algodão, pois nunca ninguém me explicou o que era neve. As bolinhas todas coloridas eram aquelas que não podiam cair, que quebravam. Então, todo o fim de ano, haviam algumas bolinhas a menos, e tínhamos que inventar como encher a árvore, para não ficar com os galhos vazios. Então, eram embrulhadas caixinhas de fósforo e penduradas. E também aqueles guarda-chuvas de chocolate eram pendurados. Mas não podia pegar nada até o dia 25. Todo dia contávamos os guarda-chuvas para ver se estavam todos lá.
E tinha também um pequeno presépio, que era colocado sobre uma bancada coberta com areia, folhas  secas e alguns galhos, como se fossem árvores.
E havia todo aquele mistério do Papai Noel. Por onde ele vai entrar? "Por qualquer buraquinho que ele achar", respondia minha mãe.
E cabecinha de criança voa longe, e ficava olhando e imaginando todos os lugares possíveis onde entraria o Papai Noel com aquele saco e meu presente junto.
Um ano, combinamos de ficar acordados só para pegar o Papai Noel no flagra. Que nada; quem aguenta ficar acordada naquele silêncio todo? Mas quando acordamos, o presente estava lá, todo brilhante, reluzente, todo embrulhado e maravilhoso. Era o segundo presente do ano que ganhávamos. O primeiro era no aniversário.
Nunca tivemos o hábito de ceia; talvez por não sermos cristãos. Mas no dia 25 era tudo do bom e melhor, na casa de meus avós. Quer dizer: arroz de forno, macarronada, salada de maionese, frango assado, tutu de feijão, guaraná e bolo e pudim de sobremesa. A família grande, toda reunida à mesa, aquela alegria, gritaria toda!
Mas mesmo não sendo cristãos, antes de começarmos a comer, a oração era sagrada, em agradecimento pelo ano, pelo alimento, pela saúde, pela família e dando boas vindas ao Menino Jesus. Me lembro como se fosse hoje.
Então, hoje, agora sendo cristã, eu repito este ritual com meus filhos, e o significado que tive durante toda a minha vida, é isso: família, união, confraternização, recomeço.
E com meus filhos sempre foi assim: Natal é o nascimento de Jesus, mas que Papai Noel vem nos fazer uma visita e trazer uma lembrancinha. Apesar deles já serem adolescentes, ainda nos divertimos: agora só nós, eu e meus filhos, e Jesus, sempre!!!!

Ótimo Natal à todos!!!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Acabou o sofrimento

Finalmente, o Corinthians é campeão do Brasileirão/2011 - Pentacampeão!
Eu gosto de futebol, gosto de esportes, acompanho sempre, na medida do possível, e não entendo nada de nada; só torcer!
Na verdade nem sei quem são os jogadores, quer dizer, sei só alguns; é que muda tanto e não fico acompanhando esse quesito. Para mim é bola na rede e pontos na tabela. Tá bom, né?
Eu gosto do "antes" e do "depois" do jogo; eu me divirto tanto que se não tivesse o jogo, eu já estaria feliz.
Mas é muito bom torcer, sofrer por uns minutos e, ganhar!
Geralmente eu fico sozinha assistindo; e sou uma pessoa muito intensa, histérica durante, grito, xingo, levanto, pulo, chego perto da TV, dou palpites; e, pronto, acabou o jogo, acabou!
Não sofro além do jogo. Não choro, nem fico triste; vida normal.
E olhando por aí, o que acontece com torcidas rivais, é difícil acreditar em atitudes selvagens de pancadarias, agressões, mortes...
Gente, será que eles se esquecem o salário milionário de um jogador? Quantos anos um trabalhador torcedor fanático precisaria trabalhar para ganhar o que um jogador ganha em um mês? A vida toda?
O que será que um jogador, que ganha uma fortuna e diz que é salário, faz depois de um jogo, de uma final de campeonato? Pega o ônibus e volta para casa?
E quando perde? Vai chorar e encher a cara no primeiro boteco?
Acho que não preciso responder essa; mas vou responder sim!
Eles vão em churrascarias, fazem festinha privê com tudo do bom e do melhor, pegam um jatinho e vão viajar para espairecer a decepção etc.
E os pobres mortais, pagantes de arquibancadas lotadas, ainda brigam por eles? Morrem por eles?
Ah, pessoas, sinto muito, mas isso é o cúmulo da burrice.
É só um jogo, que todo ano se repete. Ano que vem tem mais; e no outro; e no outro!
A adrenalina é viciante, os nervos fogem de nosso controle, nos sentimos em campo, jogando com eles todos, mas, até onde vai o limite do fã e do fanático? Onde termina um e começa outro?
É um perigo isso!
Bem, ganhando ou perdendo, ninguém vai pagar minhas contas mesmo....
Então, que joguem, que ganhem, que percam, que me importa?
Eu é que não diminuo um milímetro de meu bom humor; este sim, é parte super importante de minha vida.

E VIVA O CORINTHIANS!!!!!!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Nos nervos...

É como a mulher se sente... é como eu me sinto hoje: nos nervos!
Nome disso: TPM
E olhe, mesmo com toda essa modernidade, tecnologia, não há quem dê jeito nisso; nem todas são assim, mas a maioria sofre desse mal, por simplesmente ser mulher.
E, infelizmente, nem todos entendem o que nos passa nesse período; principalmente os homens.
Acham que é frescura, bobagem, não temos o que fazer, enjoamento, falta de um bom tanque de roupas para lavar, ou ainda, falta de sexo. Cansei de ouvir estas justificativas.
Deve haver alguma mulher que exagera um pouco, ou usa a TPM como desculpa para não fazer algo que não queira; mas para nós, isso é uma tortura mensal.
Parece até que temos bipolaridade. Uma hora estamos rindo e no mesmo instante, dá vontade de enforcar o primeiro que aparecer na nossa frente.
Eu fico nos nervos, sem nenhuma paciência, sem vontade de conversar, sem vontade de fazer o que é rotina, e com muita vontade de comer doces, chocolates, açucar o que for... mas não adianta muito não. A maldita fica nos infernizando até o último dia!!!
Aí fica aquele suspense: será que é hoje o final dessa bagaça? E o outro dia a mesma pergunta.... e no outro... e no outro...
Olha, eu sei que conselho a gente não dá, mas, se você convive com uma mulher, tente pelo menos entendê-la; se não quer ajudar - não tem como ajudar - fique quieto no seu canto e a deixe com sua cara amarrada, emburrada, soltando fogo pelas ventas e tudo a que tem direito, até a paz voltar a reinar.
Não existe coisa pior, quando nós já estamos a ponto de cometer uma atrocidade, e vem alguém para nos dizer asneiras, besteiras, calúnias, ofensas etc. Mas na realidade, a pessoa não falou nada disto; mas é isto que entendemos. Não diga nada; simples assim! Daqui a pouco passa.
No meu caso, geralmente, eu começo a me lembrar de coisas que não quero, fico com raiva de nada, angustiada, imaginando se eu disser tal coisa, a pessoa vai responder tal coisa, e eu vou revidar tal coisa, e a pessoa vai retornar tal coisa... e isso não tem mais fim...
E tudo que nos incomoda, mas sabemos lidar com esse incômodo, nessa fase, tudo fica super incomodado: a coisa aumenta absurdamente, quase inacreditável...
Esses dias meus estão terríveis: além de muito trabalho que está se estendendo até a noite, eu fico com vontade de ler e não tenho tempo, fico querendo escrever e não posso, fico nervosa com objetos fora do lugar e eu mesmo que tenho que arrumar, tenho que cozinhar, o que me chateia profundamente, mas não tem outro jeito, tenho que trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, dos bichos e ficar boazinha com todo mundo, senão sou chata, intolerante, egoísta, nervosa, egocêntrica, brava, mandona, autoritária e que eu estou precisando mesmo é de sexo!
Ah, pessoa, faça-me o favor? Me erre!!!!
Bem, meus queridos, isso foi um momento de desabafo; como não tenho muito com quem conversar, estou aqui enchendo os olhos de vocês, que não têm nada a ver com isso...
Em plena sexta-feira, o dia mundial da alegria, do alívio e da cerveja, estou aqui, toda rancorosa, choramingando por nada, e enchendo as paciências de vocês que gentilmente me lêem.
Me desculpem, sim????
Pronto, já passou!!!
Amanhã é outro dia e tudo volta ao normal; eu espero.
Beijos e ótimo fim de semana à todos!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Esperou para morrer

Que coisa estranha, trágica, a do homem que foi preso injustamente, ficou cego na cadeia e depois de dezenove anos viram que o mesmo era inocente. Imaginem a vida dele durante todo esse tempo... E o pior de tudo isso, ia receber uma bolada do governo por ser injustiçado e... morre!
aqui o link de toda a história dele.


Muitas vezes já ouvi histórias parecidas com esta; de pessoas que dão a impressão de que esperam algo para depois morrer. Um horror!
Em uma revista eu li um caso de uma mulher que foi fazer pick-nick com os filhos, num parque, e que apareceu um urso e atacou seu filho menor. O outro filho conseguiu fugir e chamou ajuda;  a mulher lutou com o urso até soltar o filho de suas garras. Veio o policial e atirou no urso, mas já com a mulher toda mordida e machucada.
A levaram ao médico, e ela, permaneceu acordada, até que lhe dessem notícias do filho que foi atacado pelo urso.
Assim que soube que o filho estava fora de perigo, ela simplesmente morreu....
Esta é uma história verdadeira. Pena que não sei o nome da revista e nem o país que ocorreu isto.

Outra história verdadeira que ouvi: foi com Padre Fábio de Melo, em uma das cartas que ele recebe.
Uma filha, contrariando a família, saiu de casa e foi morar/trabalhar em outra cidade maior. Com isto, seu pai nunca mais lhe dirigiu a palavra. Passaram-se anos sem ter notícias um do outro.
Um dia, a moça ouvindo o Pe.Fábio, que era sobre o Dia dos Pais, ficou tocada e resolveu procurar pela família.
O telefone era o mesmo e quase não conversaram; apenas choraram e combinaram de se encontrar no próximo mês, na cidade do pai.
Antes de completar um mês, a moça sofreu um acidente de carro e morreu.
O pai, contando tudo isto na carta, agradeceu ao Pe.Fábio, mesmo tendo que ir buscar sua filha, agora sem vida. Mas uma última conversa eles tiveram.
Imaginem uma situação dessa... A vida é tão curta, e temos o hábito de ficar com picuinhas, com bobagens que não nos levam a nada; e de repente, tudo acaba com a morte.

Outra história, que não me lembro onde ouvi:
Uma mulher muito doente, com três filhos, e um deles, deficiente mental.
Com uma doença grave, incurável, ainda na UTI, os médicos deram alta para que ela pudesse morrer em sua casa, junto dos seus.
Mas estava em coma...
E o filho deficiente, ficava o tempo todo perto da mãe, zelando por ela, conversando e pedindo para que ela abrisse os olhos.
Isto se prolongou por dias intermináveis; até que a filha mais velha, vendo a situação da mãe e do irmão, puxou este e lhe explicou que a mãe estava cansada, que precisava partir para poder se curar; que ele precisava se despedir dela e dizer que ela poderia ir, que ele não ficaria triste; mas ficaria com muitas saudades.
Ele, sozinho com a mãe, repetiu tudo o que a irmã disse e se despediu da mãe.
Naquela mesma noite, a mãe faleceu.

Agora eu fico pensando nas histórias que minha avó contava: dependendo da união de marido e mulher, quando um morre, em poucos dias, o que morreu vem buscar o outro. E sempre que algum morria, logo depois, alguns meses, o outro morria também.
No interior tem muitas histórias assim; e eu sempre ficava com medo. Morria alguém e todos ficavam de olho no(a) viúvo(a) para ver se ia morrer também.
Um caso na minha família já aconteceu: o marido sofreu acidente e morreu. Mas antes ele sempre dizia que quando ele morresse, viria buscá-la. Isto nós cansamos de ouvir e até nos benzíamos de medo. Depois que ele morreu, uns meses depois, ela foi viajar, junto com seu único filho, numa cidade longe da sua. Ficou um dia bem, depois começou a passar mal e teve que ser internada. Tiveram que alugar um jatinho UTI para poder trazê-la de volta e chegando na cidade onde morava, ficou poucos dias e morreu.
O pior de tudo isso: não passou nem um ano depois e o filho deles também morreu. Acabou a família.

Eu sempre fico intrigada com essas histórias. Até onde podemos saber o que se passa em outra vida? Acho que nunca! Deus foi perfeito nisso! É melhor sabermos que a morte é a única certeza, mas é ótimo não sabermos quando isto irá acontecer.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Cinderela teen



- Mãe, conta uma história?
- Vem cá, então...
- Qual?
- Esta daqui... Cinderela!
- Era uma vez uma moça linda que trabalhava na casa de sua madrasta lavando, passando, cozinhando e era sempre maltratada pela madrasta e suas duas filhas.
- Mãe, ela cozinhava?
- Sim, cozinhava pra todo mundo.
- Mas é burra mesmo, heim... Por que não coloca sal em dobro para elas não comerem de jeito nenhum?
- Filha, então ia acontecer um baile no palácio do rei, e seu filho, o príncipe, iria escolher sua esposa. Todas as moças da cidade ficaram eufóricas com a notícia, mas a madrasta de Cinderela disse que ela não poderia ir de jeito nenhum.
- Ah, mãe, se sou eu, ia de qualquer jeito, bem linda...
- Sim, ela foi... Como era muito bondosa...
- Ah, tá explicado! Bondosa, uma ova... Boboca, isso sim! Vai ser lerda assim; tem que limpar chão mesmo!
- Então todos os animais a ajudaram com o vestido, que ficou lindo...
- Aposto que era rosa-bebê, ou azul céu, ou amarelo desmaio...
- Mas na hora do baile a madrasta e suas filhas rasgaram o vestido e Cinderela começou a chorar...
- Não falei? Molengona, tem que cozinhar mesmo!
- Mas, aí, apareceu a fada-madrinha que num clic com a varinha de condão, a transformou numa linda moça... Daí pegou uma abóbora e fez uma charrete e mais dois cavalos, e até o cocheiro.
- E aí, mãe, ela foi? Toda metida, com vestido azul céu?
- Sim, mas tinha que voltar antes da meia-noite, porque tudo voltaria ao normal. E o sapatinho dela era de cristal, lindo...
- Sei não, mãe...
- Ela chegou no baile e todos ficaram encantados com sua beleza, e o príncipe a chamou para dançar...
- Como era esse príncipe, mãe?
- Muito lindo, loiro de olhos azuis, corpo esbelto, dentes perfeitos...
- Ah, mãe, peraí, fala a verdade, eu acho que essa coca é fanta... não é? Aposto que tem cabelo tigelinha, e usa uma chapinha todos os dias, usa aqueles perfumes de jasmim, que ninguém aguenta ficar perto, e deve ser o maior mauricinho do pedaço. Quem vai querer? Deixa ele para as filhas horrendas da madastra! Aposto que faz propaganda de pasta de dente. E não deve ser olho azul coisa nenhuma, deve ser lentes de contato coloridas.
- Estavam dançando e o relógio tocou meia-noite. Cinderela saiu correndo e deixou para trás seu sapatinho de cristal... O príncipe ficou doido atrás da moça...
- Da songa-monga? Ahhhhhhh...
- Mãe, vamos combinar, que história mais sem noção... Dá aqui esse celular desse príncipe... Vou dar umas dicas para ele... E para Cinderela também. Já sei como termina... "E viveram felizes para sempre?"
- Não, filha... Cinderela foi ao shopping no caminho da lua de mel, renovou o guarda-roupa, fez uma tatuagem na nuca e colocou piercing no umbigo. O príncipe não gostou e arrumou outra, que também largou dele porque não aguentou um homem montado todo certinho. Quando Cinderela estava cheia de pacotes, voltando para o castelo, encontrou o cocheiro, que por sinal era um deus grego, moreno, musculoso, tatuado no braço, coxas grossas e tipo canalha.... Resumindo: fugiu com o cocheiro e levaram a vida como ciganos, não parando em nenhum lugar.
- Mãe,  e o príncipe?
- Não lhe restou outra alternativa: foi trabalhar de manequim vivo em uma loja do shopping, esperando que, sua querida Cinderela, um dia volte e pague tudo o que comprou com o cartão dele. Agora ele tem que trabalhar para quitar a dívida da songa-monga... Porque o rei não gostou nada dessa história e o colocou para correr do castelo.
- Bem feito, né mãe?
- É, bem feito!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Duas irmãs - A revolta

Continuação...

primeira parte
segunda parte

Os anos se passaram, Laurene continuou trabalhando para o cunhado e Ludmila estava cada vez mais distante do mundo. Sua casa era seu mundo agora.
Laurene, agora mostrando realmente quem era, não conseguiu seu objetivo que era se casar com o cunhado. Mas ainda assim ficava dando em cima dele, seja na frente de quem fosse. Além disso, fazia questão de se relacionar com todos os homens possíveis e impossíveis, não importando se eram solteiros, casados, jovens ou idosos. Olhou para ela de um jeito diferente, já estava em suas mãos. Um horror para quem sabia dessa história; principalmente para a família do ex de Ludmila que a tudo assistia, mas não podia fazer nada. Na verdade o que Laurene realmente queria era que um homem largasse tudo por ela; se casado, largasse a esposa, se namorando; se noivo; todos os comprometidos ela fazia questão de se jogar numa relação furada. Tinha todos e nenhum ao mesmo tempo. Em datas comemorativas sempre aparecia sozinha, mas de olho aqui e ali.
Uma coisa que nunca ninguém conseguiu entender: como esse homem, agora ex, foi aprontar uma dessa com uma pessoa como Ludmila. Ainda hoje, nem ele se conforma com a situação; e desde a separação, não se cansa de dizer aos quatro cantos do mundo que ainda a ama e a quer de volta. Mas isto está totalmente fora de cogitaçao. Ludmila se afastou de todos e não quis nem saber mais de história nenhuma.
Mesmo distante, era inevitável que Ludmila não soubesse tudo o que acontecia com sua irmã. Sempre davam um jeito de contar o que estava acontecendo e com quem. Mesmo ela dizendo não querer ouvir, se trancando em casa, mesmo assim, tudo chegava aos seus ouvidos.
Isso a revoltou muito. Muitas vezes, depois de chorar muito, indagava Deus:
- Senhor, por que eu? O que eu fiz de tão perverso que mereci esse castigo? Por que o Senhor me pune tanto? Eu Lhe peço, Senhor, tire esses pensamentos, essas lembranças de minha cabeça; eu não suporto mais..."
E aos mesmo tempo, a  raiva, o ódio, a vingança eram muito presentes no seu dia-a-dia. Ficava planejando o que fazer caso encontrasse com a irmã. Iria lhe dar na cara, puxar os cabelos, xingar no meio da rua, contando para todos, todos os podres da maldita.
E para o ex-marido, lhe desejava sempre as piores coisas, até a morte! Mas, ao mesmo tempo olhava para os filhos e chorava; era o pai deles, portanto, tinha que respeitar.
Não tinha mais vida social, nem diversão nenhuma. Apenas trabalhava em casa e assistia televisão o dia todo. A família, mesmo assistindo a tudo isto, nada fazia; apenas achava que era normal esta atitude. Ludmila era uma morta viva; um estado de coma. Não se lembrava mais de Deus, não queria saber de Deus, queria ficar sozinha para planejar toda a sua vingança doentia.
Laurene, sem se controlar, além de se envolver com todos os homens, também roubava do cunhado. O salário era pouco, mas tinha tudo do bom e do melhor, como ela sempre quis. Só não tinha se casado com ele.
Um dia, uma notícia chegou até Ludmila: um dos funcionários da empresa do ex havia falecido. Tão jovem, trabalhador, bonito... Faleceu de quê? Era portador do vírus HIV; tinha contraído o vírus por ser viciado em droga injetável.
Ludmila gelou:
- Gente, a maldita também se envolveu com ele! Eu me lembro disso! E agora?
Tudo era verdade, a irmã também, por se achar a toda poderosa, tinha agora, o vírus HIV.
Mesmo com todo o ódio, toda a mágoa, toda a angústia, Ludmila ficou pensativa e inconformada. Como naquele poema: "Maria que amava João, que amava Denise, que amava Roberto, que amava Laís, que amava Tiago, que morreu com AIDS."
À partir de então, algo mudou em sua vida. Depois de tantos anos, aquela amargura toda, a revolta, a vingança, estavam com os dias contados. Começou a agradecer à Deus pela saúde, pelos filhos, pela casa, pelo alimento, pela força que tinha até então, e agradeceu também por ter enxergado todos que lhe fizeram mal, todos que se afastaram, inclusive o ex-marido e principalmente a irmã traidora. Toda aquela vingança perdeu sentido, todo o ódio se transformou em compaixão, e, teve pena da irmã. Uma vida toda desperdiçada com um sentimento tão mesquinho: a inveja. Nunca viveu sua vida, sempre quis a vida do outro para si; não procurou seus valores, colocou todo o seu foco nos valores materiais e, se ninguém tiver piedade, acabaria morrendo sozinha, isolada...
Começou a escalar o poço e subir cada dia um pouco, até finalmente chegar ao topo.
Estava resolvida a não mais pensar em ódio, nem vingança, nem nada. Esqueceria dessas pessoas e continuaria sua vida com seus filhos, da melhor forma possível.
Os anos foram passando e Ludmila voltou a ser aquela pessoa iluminada que sempre foi, agora com novos amigos, novo trabalho, os filhos já crescidos e bem encaminhados; e mesmo que chegasse alguma notícia de sua irmã, ouvia, mas se esquecia imediatamente. Não tinha mais ódio porque não se lembrava mais.
O ex-marido, até hoje, a procurava para quem sabe, reatar o casamento. Ela conversava com ele normalmente, como um amigo, mas sempre dizia a mesma coisa:
- Não!
Laurene, sonsa como sempre foi, ignorou a doença e continuou sua vida mundana, espalhando o vírus por toda a cama que deitava, agora em um outro emprego, longe de tudo e sozinha. Seu filho já moço, por não ter uma base sólida, se envolveu com drogas, foi preso algumas vezes e sempre alimentou a mesma inveja, como sua mãe.
Muitas vezes, em todo esse decorrer da vida, Ludmila desejou ser uma pessoa ruim, de mau caráter, para poder fazer todas as maldades que queria com todos que a traíram e magoaram.
Mas já nasceu iluminada, abençoada por Deus, que apesar de pensar estar longe d'Ele, nunca a abandonou, e a fez seguir a estrada que sempre seguiu: agora com os amigos certos, o lugar certo, a mesma índole, o mesmo caráter, o mesmo amor, a mesma ternura, agora uma nova mulher, livre do passado e pronta para o futuro.


FIM

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Duas irmãs - A máscara cai...

Continuação...

primeira parte

Os preparativos para o casamento de Laurene agitaram toda a família, pois ela queria porque queria uma festa, mas nem os pais nem os sogros tinham condições; isso fez com que ela ficasse de mau humor o tempo todo e muito pessimista, além de reclamar de tudo e de todos. Ludmila a ajudava no que podia, mas nunca era o suficiente; parecia que o mundo todo era culpado por ela não ter o que queria.
Com muito sacrifício, os pais de Laurene economizaram daqui e dali e combinaram de fazer um bolo com champagne, quer dizer, espumante, para os mais chegados, sem avisar ninguém, claro. Tá certo, concordou a rebelde.
Nisso, Ludmila ficava encantada com cada novidade que acontecia, vibrava com tudo, admirava cada vez mais a irmã, e, na semana do casamento, chegou o vestido de noiva. Lindo, lindo, lindo; todo rodado, com um casquete com véu que tapava o rosto, tudo perfeito. A tristeza ainda a invadia, pois agora lhe doía a chegada do casamento; era a primeira vez que ficaria sem sua companheira.
No dia, foi a maior correria, mas tudo deu certo, exceto o tal bolo com espumante, que fez com que lotasse a casa de seus pais, já que praticamente todos acompanharam a noiva, mesmo sem serem convidados. Mas tudo se resolveu da melhor forma possível.
Ludmila, mesmo depois de meses, ainda sentia a falta da irmã querida, apesar de sempre frequentar sua casa; mas não era a mesma coisa, a irmã se tornara uma pessoa fria e pessimista além da conta, colocando defeitos em tudo e em todos, principalmente em se tratando de Ludmila. Bem...
Não demorou e Ludmila também se casou, com aquele que parecia ser seu príncipe encantado. Pronto, mais um motivo para o desgosto de Laurene. Programaram uma festa enorme, tudo por conta do noivo.
Laurene, apesar do pessimismo, sempre acompanhou Ludmila em tudo; na compra de enxoval, escolha do vestido de noiva, entrega dos convites etc.... Tudo!
No dia do casamento, tudo certo, tudo perfeito e Laurene continuou reclamando de tudo, principalmente da família do noivo e de todos os amigos de Ludmila. Mas, como era sua "protetora", não a enxergava como realmente era.
Laurene engravidou, nasceu Eduardo, a paixão da titia Ludmila.
Pouco tempo depois, acabou o casamento de Laurene; já não suportava aquele marido que não amava.
Isto gerou um conflito na família, pois ninguém imaginaria uma situação desta.
E Ludmila, como era adoradora de sua irmã, para não a deixar sozinha, sempre a levava para a sua casa - uma linda casa - para passar fim de semana, saírem juntas, mais o marido, viajar, enfim, aquela vida que Laurene sempre quis e não teve.
Quando viajavam juntos, Ludmila começou a notar uma certa atitude de Laurene, não condizente com o que enxergava até então. Parecia que ela queria para si todos os homens que aparecia pela frente. Ludmila não gostava desta situação, pois ela provocava, não importando se o homem era casado ou não. Isto a deixava constrangida e à partir daí começou a não chamá-la mais para nada. O clima ficou muito tenso entre as duas. Numa certa ocasião, Laurene, simplesmente chegou à Ludmila e disse "Se esses homens não estivessem tão embriagados, eu arrastava cada um deles e dava um trato". Mas os homens de que ela falava, eram todos casados, inclusive seu marido estava no meio.
Ludmila levava uma vida tranquila, com altos e baixos como em qualquer casamento, agora com um casal de filhos; e fez o favor de pedir ao marido que arranjasse um emprego em sua empresa para sua irmã, já que esta estava desempregada.
Feito.
Na primeira oportunidade, começou a desavença entre Ludmila e Laurene, pois esta começou a trazer "assuntos de seu marido" que até então nem imaginava que acontecia. Pela inocência de Ludmila, jamais imaginaria que fosse apenas fofoca da irmã. Plantou a confusão no casamento de Ludmila.
Como mentira tem sempre perna curta,  Ludmila começou a receber ligações anônimas lhe alertando do comportamento de sua irmã e de seu marido.
Pronto, lá vai Ludmila atrás e... Pegou os dois no ato! Laurene no maior esfregão com seu marido.
O chão lhe sumiu, não tinha atitude para nada, não sabia para onde ir, correr, ficar, gritar, chorar... Nada!
O marido jurou, claro, que não foi intenção dele, mas depois disso, Ludmila descobriu muitas outras canalhices do marido e o casamento acabou.
Duas semanas depois, Laurene, na maior cara dura, procurou Ludmila e disse que ficaria com seu marido, que moraria em sua casa, e que tudo que era da irmã seria dela agora. Que estava cansada de ficar somente olhando a irmã ser feliz, que agora seria a vez dela; que bastava todas as coisas boas irem para a irmã e ela ficar somente com o resto; e que desejaria muito, ainda, pisar e cuspir em seu túmulo.
Ludmila, sem entender nada e sem conseguir raciocinar, caiu de vez num buraco profundo e não mais saiu de casa; apenas chorava, chorava, chorava... E a cada dia envelhecia 10 anos. Seus filhos, ainda pequenos é que a sustentavam, com a alegria de criança, as brincadeiras, as gargalhadas, a inocência... Mas estava morta por dentro.
Como pode uma irmã trair de tal forma, a ponto de matar uma pessoa que sempre a amou? Como Ludmila, a vida toda, não enxergou a maldade da irmã, a quem admirava? Será que esse tempo todo, foi prejudicada na maior inocência?
Um filme começou a passar na mente de Ludmila sobre a irmã; todas as atitudes suspeitas, o mau humor, as críticas, as revoltas, os conselhos falsos... Tudo isto a afundava cada vez mais. E nesta hora, se sentiu sozinha, pois guardou essa tortura para si; os "amigos" sumiram, seus pais achavam que isso era normal, e os parentes, primos próximos, achavam que era exagero dela pensar isso.
E os anos foram passando...

Continua...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Duas irmãs - Eu não quero ser...

Às vezes a vida apronta com a gente... vejam a história de Laurene:

Moça simples, bonita, morena de olhos verdes, estudiosa, solteira e que tem uma irmã: Ludmila.
Ludmila, mais nova cinco anos, morena, tipo comum, estudiosa, muito dependente de Laurene.
A criação de ambas foi igual, quase que gêmeas, de tão unidas que eram. Laurene, por ser mais velha, cuidava de Ludmila com um carinho extremo, o que deixava todos intrigados com aquilo e até com uma certa inveja de ver uma família com irmãs tão unidas. Não entendiam como isso era possível, já que o normal era irmão brigar com irmão. Mas com as duas isso não acontecia.
Quando crianças ainda, Laurene fazia de tudo para incluir Ludmila em tudo que fizesse. Se tinha alguma festa na escola, lá estava Ludmila junto; se tinha um passeio, também; se fosse comprar algo, a levava junto; os amigos de Laurene também eram de Ludmila; mas os amigos de Ludmila eram só de Ludmila, Laurene não gostava deles. Talvez pela diferença de idade, os amigos não eram interessantes para ela.
A união era tanta que Ludmila aprendia tudo que Laurene sabia; era sua ídola. Isso a fazia uma pessoa curiosa e inteligente, tendo muita facilidade para aprender e assimilar tudo que lhe era apresentado.
Laurene ficou mocinha antes, claro, mas era tímida e não se enturmava onde tinha meninos. Já Ludmila adorava brincar com todos, não importando se fosse homem ou mulher.
Bem, um dia, numa festa de uma das amigas de Laurene, lá estava junto Ludmila, toda faceira, com seu já corpão de moça, mas ainda menina.
E conheceram o irmão mais novo de uma amiga de Laurene, o André. Moço novo ainda, lindo, bem mais novo que Laurene e... foi a primeira paixão de Ludmila. Ficou simplesmente apaixonada por ele.
Mas Laurene, percebendo tudo isso, não gostou nada da ideia e começou a mexer os pauzinhos, tirando André para dançar e ali começaram a se entrosar num namoro. Ludmila não entendia nada o que estava acontecendo, mas aceitou, já que Laurene era sua cuidadora. Na verdade isso doeu, talvez a primeira dor de traição que sentira; mas se o assunto era Laurene, com certeza ela abriria mão de muitas coisas por ela.
É claro que o namoro não durou muito. Mas enquanto durou foi uma tortura para Ludmila; Laurene, para não ter que falar para os pais sobre o moço, levava Ludmila junto, quando ia se encontrar com André.
Então ficava Laurene e André namorando e Ludmila ali do lado, assistindo tudo e sofrendo. Seu primeiro sofrimento de amor. Aquela imagem de pessoa perfeita que fazia de sua irmã já não era tão forte assim; pela primeira vez não gostou do que aconteceu, mas mesmo assim, aceitou.
No seu íntimo, Ludmila pensava: "Poxa vida! Se ela não queria namorar de verdade, por que então começou isso com André? Ela sabia que me apaixonei por ele desde o primeiro instante..."
Bem, conversa de jovenzinhas.... ainda em fase de formação.
A união das duas continuava tudo certo, desde que Ludmila continuasse a ser sombra de Laurene, sempre afastada, em segundo plano.
Mas Ludmila cresceu, ficou uma linda moça, alegre, bem humorada, extrovertida e muito querida por todos. Resultado: Laurene não chamava tanto a atenção assim das pessoas, por ser uma moça séria, de poucas palavras, bonita, mas não chamativa e nem um pouco encantadora. Era pessimista demais.
Agora as duas já trabalhavam e tinham o seu salário. Era assim: Laurene comprava algo e Ludmila comprava um parecido. Ludmila comprava algo e Laurene comprava exatamente igual.
- Mas você comprou a mesma roupa que eu? Vamos parecer gêmeas?
- Quando você colocar a roupa, eu coloco outra.
Na verdade, Laurene já tinha confessado à mãe, que tudo que Ludmila vestia lhe caía bem; que todo sapato ficava perfeito em seus pés; que bastava um batom para que Ludmila brilhasse onde fosse. Por isso o motivo dela comprar tudo exatamente igual ao da irmã.
E assim foi com tudo, inclusive roupa íntima. Eram como gêmeas mesmo.
O tempo passou, continuavam nessa amizade, nesse cuidado uma com a outra e Ludmila encontrou um namorado lindo, extrovertido, carinhoso... que pensava que fosse seu príncipe encantado de tão encantada que ela ficou.
Laurene, quando viu o moço, não gostou e começou a colocar defeitos na mesma hora, dizendo que homem muito bonito não presta, que não tinha cara de bom moço, que era chato etc. Mas nada disso fez com que Ludmila desistisse dele. Engatou um namoro firme. Laurene, se vendo sem saída, arrumou "um" também:  mas do tipo comum, como ela, tímido como ela, sem graça como ela.
Agora saíam juntos, os quatro, mas quem era bem sucedido era o namorado de Ludmila. Então, agora, quem ficava de carona era Laurene e o namorado, que dependiam para ir e vir, e até para pagar o passeio, às vezes.
Laurene marcou a data do casamento. Pronto! Tristeza total com Ludmila.
- Minha amiga, minha irmã, vai me deixar sozinha... vai se casar... e agora?
Aquela união que tinham, os passeios nas tardes de domingo, as confidências no quarto, as compras supérfluas que faziam, de coisas sem importância nenhuma, as pequenas viagens em cidades próximas só para passar o dia; tudo isto acabaria depois do casamento de Laurene. 
Na verdade, Laurene confessou à Ludmila que se casaria para poder sair da casa dos pais, já que não suportava a mãe.

Continua...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cabra Cega


Uma nova escritora no mundo... Sheila Ribeiro Mendonça ou simplesmente She, e seu Cabra Cega.

Fui contemplada num sorteio e terminei de lê-lo. E li rápido, sinal que o livro é bom, já que tenho, ultimamente, uma certa deficiência de ler livros. Eu divago e me perco, e tenho que voltar tudo para ler de novo e prestar mais atenção. Mas esse não, foi rápido e rasteiro. Em poucos dias eu li, acho que em 2 semanas. Um fato importantíssimo para mim Uma superação.
A história é de um casal jovem, ele médico, bem sucedido, e, psicopata. Gustavo. A moça, Clara, de boa família, meiga, que aos poucos vai caindo nas artimanhas do marido e se sujeita às agressões verbais e corporais, sempre que Gustavo se acha contrariado.
Ele, como muitos homens hoje em dia, que talvez agora damos o nome de psicopatas, pensam ser donos de pessoas e viram bicho quando não são obedecidos.
Talvez o medo de perderem, talvez por não saberem perder, talvez por maldade mesmo ou por doença.
É difícil julgar uma mulher que se sujeita à essa atitude. Isso vai acontecendo e o medo é inevitável. Medo de morrer, medo de apanhar, medo de fugir, medo de enfrentar, medo de mudar e reverter o jogo. Mas a vida não é um jogo, a vida é uma vida e não tem volta.
Quantas vezes, todos os dias, temos nos noticiários,  homens ciumentos que matam as esposas, companheiras, namoradas? E temos o hábito de pensar que só acontece com o vizinho. Não! Às vezes o vizinho somos nós mesmos. Daí o medo, o terror, o pânico.
Geralmente são pessoas acima de qualquer suspeita, bem sociáveis, até dóceis com a sociedade, mas com quem mais tinha que ser amável, acaba matando, nem que seja aos poucos. Matar por amor? Ou viver por amor?
Acho que a mulher vive sabe-se lá quanto tempo assim, por amor à própria vida, ou dos filhos, ou por não ter como se sustentar.
No livro de Sheila, são pessoas bem sucedidas, famílias estruturadas, mas que Gustavo, por ser obsessivo por Clara não admite nem que ela respire sozinha. Chega ao ponto de trancá-la em casa, sem telefone, sem comunicação com ninguém, além de afastá-la de tudo e de todos, apenas ficando com um confortável lar. Lar? Isso sem falar na agonia da família, no desespero dos pais e amigos quando ficam sabendo o que Clara passa.
Hoje em dia, com a Lei Maria da Penha (11.340/06), e com o disque denúncia 180, parece que melhorou muito. Mas só melhorou, não corrigiu o problema.
Cabra Cega é para ser lido de uma vez só, de uma única tacada, de tão aflitos que ficamos em saber como vai terminar a história.
Ah, tá certo! Outra deficiência minha; eu tenho o péssimo hábito de ler o final e depois voltar para o começo. Acho que sou ansiosa e não aguento esperar. Mas o final é surpreendente, ou não!
Mas quem conta isso é a Sheila, e não eu!

Tem um link aqui no blog do lado direito, só clicar para saber como adquirir o livro.

Sheila, parabéns!
Muitos outros virão, com certeza!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Bagagens e Medos


O perigo da viagem mora nas malas. Elas podem nos impedir de apreciar a beleza que nos espera.
Experimento na carne a verdade das palavras, mas não aprendo. Minhas malas são sempre superiores às minhas necessidades. É por isso que minhas partidas e chegadas são mais penosas do que deveriam.
Ando pensando sobre as malas que levamos...
Elas são expressões dos nossos medos. Elas representam nossas inseguranças. Olho para o viajante com suas imensas bagagens e fico curioso para saber o que há dentro das estruturas etiquetadas. Tudo o que ele leva está diretamente ligado ao medo de necessitar. Roupas diversas: de frio, de calor - o clima pode mudar a qualquer momento! Remédios, segredos, livros, chinelos, guarda chuva - e se chover? Cremes, sabonetes, ferro elétrico - isso mesmo! Micro-ondas? Comunique-me, por favor, se alguém já ousou levar.
O fato é que elas representam nossas inseguranças. Digo por mim. Sempre que saio de casa levo comigo a pretensão de deslocar o meu mundo. Tenho medo do que vou enfrentar. Quero fazer caber no pequeno espaço a totalidade dos meus significados. As justificativas são racionais. Correspondem às regras do bom senso, preocupações naturais para quem não gosta de viver privações. Nós nos justificamos. Posso precisar disso, posso precisar daquilo...
Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?
As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?
Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu para nada.
É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.
E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar:
"Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!" Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É consequência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.
É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.
Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamurias... Hospitais, asilos, internatos...
Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de algum maneira pode nos humanizar.
Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro.
Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve!
 
Padre Fábio de Melo

"A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes; o que vemos, não é o que vemos, senão o que somos."
Fernando Pessoa.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Neguinha... sei....

Gente...
Vocês se lembram da Neguinha? Deste post ?
Então... E não é que o negocinho dela(e) apareceu? E agora a fanta virou coca.... é Neguinhoooooooooooooo!!!
E nós com peninha da bichinha de ficar sozinha, arrumamos uma amiguinha para ela(e), a Mel e agora ela(e) me apronta uma dessa. Temos um casal de coelhos em casa.
Alguém tem noção de como agem os casais de coelho? Onde vamos enfiar tantos bebezinhos coelhos?
Minha filha voltou ao lugar que comprou e deu uma bronca no vendedor. Mas é o caso, nós já "pegamos" amor e já acostumamos a chamá-la de Neguinha. O vendedor, para consolar minha filha, disse que quando nascerem os bebezinhos coelhos, ele compra todos, todos!!!! Sei....
Mas são umas fofuras mesmo, interagem com a gente, são dóceis, não mordem e... agora paciência.
Alguém aí quer um bebezinho coelho? Quando nascer?
Mais essa agora!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Caça ao coelho

Mia
Como se não bastassem meus três cachorros, agora temos duas coelhinhas:  Neguinha e Mel.
Coisa mais fofa do mundo, não dão trabalho nenhum, ficam quietinhas, não fazem barulho, não comem muito e suas sujeirinhas são bem poucas.
Primeiro chegou a Neguinha, mas ficar sozinha não é bom, então chegou Mel para fazer companhia.
Olha que interessante: não se estranharam, mas Mel ficou num cantinho assustada, e Neguinha começou a rodear, cheirar e bater a patinha no chão fazendo barulho...

Rafinha
No outro dia já estavam amiguinhas e grudadinhas uma na outra; ficam se lambendo o tempo todo!
Eu confesso que não queria, mas minha filha tanto insistiu. e fez mil promessas que iria cuidar, limpar, alimentar etc, que concordei.
Não tem como não se apaixonar... São umas fofuras mesmo.
E como todos sabem e nem me dei conta, cachorro não gosta de coelho, eles caçam coelhos; e os meus estão numa ciumeira danada, não se conformam com a situação.


Neguinha e Mel
 Eles são muito mimados, a fêmea, Mia, é quem manda no pedaço, é quem coordena as brincadeiras dos dois, e o macho, Rafinha, é quem espera a atitude de Mia para seguir numa brincadeira ou não.
Se eu dou algo de comer para Rafinha, como maçã, por exemplo, ele olha ao redor para ver se Mia está por perto e se ela vai ganhar também. Ele não pega até que ela chegue perto e pegue o seu pedaço.
Adoram garrafas Pet. Eu deixo Mia pegar a garrafa, brincar um pouco e só depois o Rafinha se intromete e aí sim, ninguém mais pega a garrafa. É dele agora.
Se eu chamo: "Rafinhaaaaaa",  ele vem, mas fica olhando para trás para ver se Mia vem também...
É uma coisa esses dois,  me divirto muito com eles, são fofos, inteligentes e lindossssssss....
Agora com Neguinha e Mel no pedaço, os mimos para os dois têm que ser dobrados.
Neguinha e Mel quando escutam o latido deles, ficam nervosas e com medo, estatalando os olhos que quase saem para fora. Elas ficam bem longe, por segurança, mas mesmo assim ficam assustadas.
Quando eu peguei Neguinha no colo e meu amor dobrou, fiquei imaginando: como tem gente que consegue comer carne de coelho? Me deu até náusea só de pensar nisso... Crueldade!
Mas pelo menos aqui em casa, a vida de Neguinha e Mel está garantida!

P.S. O meu outro cachorro, Caco Antibes, está velhinho com 17 anos, num lugar só dele, sossegado, sem ninguém perturbar. Está cego, surdo e sem olfato. É um poodle.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Drummond

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, sem dúvida, o poeta de maior influência dentro da literatura brasileira contemporânea, nasceu em Itabira do Mato Dentro/MG, a 31 de outubro de 1902. Filho de Carlos de Paula Andrade e de D. Julieta Augusta Drummond de Andrade, fazendeiros, aprendeu as primeiras letras em sua cidade natal, transferindo-se posteriormente para Belo Horizonte, onde cursaria o secundário como aluno interno do Colégio Arnaldo.
Ali, o jovem Drummond faria amizade com aqueles que seriam seus futuros companheiros de atividade política e intelectual: Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco.
Daí por diante, escreveu esporadicamente em revistas de Itabira. Voltou para Belo Horizonte onde fixou residência, em 1922, juntamente com sua família. Passa a colaborar  como cronista em jornais e revistas.
Em 1925 funda com outros escritores o periódico A Revista, que seria de importância capital para a firmação do Modernismo em Minas. Nesse mesmo ano, conclui o curso de Farmácia e casa-se com Dolores Dutra de Moraes.
A profissão de farmacêutico não o atrai e será como professor de Português e Geografia, em Itabira, que ganhará a vida. Também o magistério não o satisfaz, voltando a Belo Horizonte para ocupar o cargo de redator-chefe e, novamente, cronista do Diário de Minas..
Enquanto isso o poeta se modela, através do contato com Mário e Oswald de Andrade, Blaise Cendrars, Tarsila do Amaral e Manuel Bandeira.
Em 1928, a Revista de Antropofagia publica o poema No Meio do Caminho, que escandalizou seu tempo.
Em 1930 publica seu primeiro livro de poemas.
Em 1934 se transfere para o Rio de Janeiro e até o final da década, os principais jornais e revistas cariocas contariam com a preciosa colaboração do cronista.
No início dos anos 40, Drummond lança Sentimento do Mundo.
É a consagração definitiva. Paralelamente, o cronista também se impõe definitivamente, contribuindo com seus textos no Correio da Manhã e no Jornal do Brasil.
Aposentou-se da vida pública em 1962, como funcionário do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Faleceu em 17 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade.
Além de poesias, produziu livros infantis, contos e crônicas.

Fonte : Wiki - Drummond
Livro: Antologia Poética - Carlos Drummond de Andrade, 1982, Abril Cultural, São Paulo

Um outro post que fiz, brincando com aquela famosa estátua em bronze de Drummond, no Rio de Janeiro...

E agora José

sábado, 29 de outubro de 2011

Hoje tem bolo!!!

Lá no Japão, na casa do Alexandre Mauj Imamura Gonzalez.

Uma pessoa doce, especial, dono desse blog aqui lost in japan.
Na verdade é o tipo de pessoa que a gente imagina e não sabe se existe. Alexandre, você existe?
Generoso, carismático, lindo, educado, estudioso, escritor, inteligente, apaixonante, bom caráter, família, bem humorado, preocupado, atencioso, amigo, compartilhador, bom senso, blogueiro, trabalhador... E DE CARNE E OSSO!
Alexandre, obrigada pela força que você me deu , isso foi um marco em minha vida blogueira.
OBRIGADA!!!

Vamos juntar todo mundo e cantar parabéns pra ele?

Parabéns a você 
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida!
Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!

Gente, olha isso!!!!

E o meu presente, essa beleza de poesia de Madre Tereza de Calcutá

Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro.
Seja gentil, assim mesmo.
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto assim mesmo.
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.
Se você tem paz, é feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
Veja você que no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fragmentos de uma dor imortal

Medo...
O único sentimento que tenho agora. Está aqui dentro de mim, prontinho para nascer; nove meses de batalhas, remédios, repousos e chegou a hora.
Não é a primeira vez que vou para dar à luz; e hoje, agora, neste instante, as lembranças passadas teimam em percorrer minha mente que ainda dói.
Como se fosse ontem, um outro bebê aqui estava; e no dia marcado, na hora marcada, tudo paralisou; o coração parou...
Mesmo o carregando por longos nove meses, não fui capaz de sentir que você não mais mexia, não mais batia seu coração, nem ao menos um chute ao gol; nada!
O que houve? Má formação do cérebro? Não! O bebê já estava em sofrimento e passou a hora de nascer.
O desespero deve ter sido tão grande que se enrolou todo no cordão umbilical que o esganou...
Me desculpe, meu querido amor, não tive como saber; não tive como lhe conhecer; não tive como deixar você sentir meu cheiro e nem as batidas do meu coração; e também não tive como lhe alimentar nas primeiras horas com meu leite. Não tive como...
Você se foi; nem ao menos pode ver o brilho do sol ou saber como é respirar esse ar. Foi...
A primeira roupinha, branca com lacinhos azuis, essa foi com você, essa que você sairia comigo do hospital, se exibindo todo, talvez com um olhar curioso pelo teto, chorando por causa de tanta novidade que poderia acontecer dali para frente... Foi...
E eu fiquei. No piso dos recém-nascidos, bebês chorando, mães e pais babando, indo e vindo com seus bebês; e eu ali, sozinha... Foi...
Hora de deixar o hospital, apenas eu e seu pai, de mãos e peitos vazios; alma vazia, oca, dilacerada, apunhalada...
Dois zumbis caminhando pelos corredores sem aquele pacotinho cheiroso de bochechas rosadas... Foi...
Em casa, aquele silêncio; passo pelo corredor e seu quartinho todo pronto, tudo perfeito, azul e amarelo com seu nome pregado na porta: João.
É um estado de morte em vida... Foi...
Meses, meses e meses sofrendo, chorando, lamentando e agora a boa notícia: voltou!
Agora num outro corpo, mas com o imenso amor que nunca acabou a lhe esperar.
Um amor triplicado que só foi quebrado pela tristeza de ter que ouvir de minha mãe, sua avó, que era melhor não ficar muito feliz com a notícia, nem ficar programando nada até que você nascesse e bem: "Você não sabe se vai vingar".
Tem gente que não tem coração e faz questão de embaçar o que temos. Não se conforma com tanta alegria, tanto amor que não nos cabe no peito, ou pelo simples fato de sentir inveja de não ter sido feliz e nem ter ao menos se esforçado para mudar o que lhe incomodava. Bem...
Deus sabe o que faz!
Mais uma vez olho o quartinho vazio, todo arrumado, mas esperando por sua chegada; e também confiro a malinha que irá me acompanhar até o hospital, onde coloquei a roupa mais linda que eu pude comprar, só para lhe receber e lhe apresentar sua nova casa.
Tudo certo, chego ao hospital.
Medo...
Coloco a mão na barriga para ver se sinto seu coraçãozinho ou um chute na trave. Você mexe e eu choro... Meu filho amado!
O primeiro choro e agora juntos compartilhamos as lágrimas.
O primeiro contato; o primeiro cheiro, minha primeira palavra que você ouve; arregala os olhos e tenta me encontrar, parecendo perseguir o som de uma voz já conhecida por longos nove meses.
Acho que mãe é isso mesmo, um estado solitário à espera de seu amor que já é incondicional.
Hora mágica, minuto único, toque inesquecível, olhar penetrante, solidão, medo...
Todos à volta, mas nada ouço, só eu e você e todo o encantamento do primeiro encontro, quer dizer, reencontro.
E nesta hora, neste minuto, nada e ninguém é capaz de atingir ou prejudicar esse milagre de Deus, essa magia da vida e essa coisa inexplicável que é o amor de mãe.
Mãe!
Bem vindo, Gabriel!


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Desejos de grávida

Não é frescura, não é enjoamento; quer dizer, algumas grávidas sentem enjoo sim, depende de cada uma, mas os desejos existem e são muitos sérios.
A nora de uma amiga está grávida de cinco meses e, conversando comigo, disse que achava que grávida era um ser muito estranho, até que ela engravidasse e visse que não é bem assim.
É claro que tudo muda, afinal existe um ser em seu ventre, crescendo e dependendo de você para tudo.
Me lembro quando estava grávida de minha primeira filha, eu enjoava muito, não suportava o cheiro de lanche, de hamburguer, de alface, de mato molhado, de grama....
Mas alface tem cheiro? Claro que tem, e eu o sentia de longe...
Que coisa estranha!
O paladar muda e só damos conta de que mudou, quando o bebê nasce. Aí o sabor dos alimentos volta como antes.
Agora os desejos.. Ah, é incontrolável!
O primeiro desejo que senti, ainda sem saber que estava grávida, foi de manga. Me deu uma vontade louca de chupar manga, até que meu marido deu um jeito e me trouxe um saco cheio, mas de mangas verdes. A boca encheu de água na hora e as comi assim mesmo: verdes.
Depois o desejo de comer um prato que havia comido há tempos: camarão à grega.
- Eu quero camarão à grega!
Pronto; todo mundo louco.
Não sei porquê tanta afobação; eu queria ir lá no local e comer lá...
Mas inventaram tanto camarão para eu comer, que depois desisti, mas o desejo continuou.
Resultado: minha filha nasceu com uma mancha na perna!
Olha, eu não sei se isso tem alguma lógica, mas ninguém na família tem aquela mancha, e se olharmos bem, dá para ver um camarão no desenho. Exagero? Não sei.
Um ano depois engravidei de meu filho, e  o desejo continuou pelo camarão à grega.
Foi uma gravidez sem enjoo e mais tranquila; não inchei tanto e também não era mais mãe de primeira viagem.
Resultado: também não comi camarão à grega! Parecia até um complô contra mim, que não me deixavam matar essa vontade.
Nem fiquei insistindo tanto, acho que comentei uma única vez e nada aconteceu.
O problema dos desejos de grávida é que tem que ser naquela hora e exatamente como imaginamos.
Não adianta ficar enganando a vontade; ela é aquela e não outra que querem que a gente se contente.
Eu queria ir até o local onde comi o camarão e não comer o camarão preparado pela família; não é a mesma coisa. Bem...
Resultado: meu filho nasceu com um tufo de cabelo mais claro, um pouco acima da nuca. Ele é loiro e tem esse tufinho mais claro na cabeça.
Alguém tem alguma explicação para isso?
E o pior de tudo: até hoje tenho essa vontade, mas não adianta eu ir lá e comer. Já passou o tempo e agora é tarde demais.
Boca de grávida tem um sabor diferente, um paladar próprio e não aceita genéricos ou similares.
E ainda sobre minha filha: ela odeia frutos do mar, não tolera o cheiro e não come nem se tiver morrendo de fome!
Minha mãe disse que quando estava grávida de mim, tinha vontade e comeu aos montes, bala de coco. Eu adoro bala de coco.
Não sei como explicar esse mistério, mas é fantástico esse tempo em que mudamos nossa vida para receber um outro serzinho.
Essa é a mágica de Deus, o milagre da vida!
Que desejos vocês tiveram? Me contem?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Doce vingança...

Depois de brigas e pazes, idas e vindas, marcaram a data do casamento.
Lúcia e Carlos.
Mais um mês e estariam mudando o estado civil: casados!
Não foi fácil até aqui, depois de oito anos entre namoro e noivado, muita intromissão de todos e mais uns poucos que adoram se intrometer onde não são chamados. Mas o casal venceu todos os dissabores e vão sacramentar a união.
Festa fantástica, cara, quatrocentas pessoas e muito desperdício. Como são desperdiçados os comes e bebes em um casamento quando este não é organizado... Muito dinheiro jogado fora!
Isso sem falar que haviam pessoas que ninguém conhecia. Simplesmente apareciam nas fotos e filmagens e ninguém sabia de onde eram....
Um ano de casamento, dois, três... seis, sete, puff.... acabou!
Para desespero de todos que consideravam o casal perfeito, o mais sensato de uma turma de oito casais, o último a se casar e a ter filhos, bem... acabou!
Cada um para um lado e agora começam a aparecer todos os podres da relação.
Não que Lúcia não soubesse, mas para ela, era melhor nem ir atrás de nada para não descobrir nada e ter que tomar providências mais drásticas. Mas tudo veio à tona.
Carlos. Ah, Carlos, que canalha você!
Digamos que Carlos nasceu no país errado e que se imaginava árabe, querendo com isso formar um harém com todas as mulheres do planeta. Isso sem falar que era extremamente ciumento com Lúcia.
E não é que o safado, canalha já rodou por todas as mulheres que cruzaram seu caminho?
Isso incluía as amigas (?), primas, primas de Lúcia, amigas de Lúcia e... Melhor nem comentar mais...
E isso também incluía mulheres de seus amigos. Oras, vejam só o canalha!
Mesmo depois de ter acabado o casamento, é difícil saber dessa história. Imagina um casal frequentando sua casa e de repente você descobre que a mulher do amigo era amante de seu marido? É demais isso!
Eu sabia dessa história e os outros amigos também sabiam, mas o marido, como é o último a saber, ainda não sabia... complicado isso!
Passados alguns anos, assunto esquecido, mas o ciúmes de Carlos por Lúcia não diminuiu, chegando até a ser um amor obsessivo. Lúcia nesse tempo todo não tinha sossego de seguir sua vida com outra pessoa.
Num dia comum, num lugar comum, Lúcia caminhando por aí encontra nada mais, nada menos do que Pedro, que é o marido traído que certamente ainda não tinha conhecimento do assunto "chifre".
Conversa vai, conversa vem e começam uma amizade fora do normal. Com todo o respeito, claro, mas a partir deste dia, passaram a se ver quase que todos os dias. A casa de Lúcia era caminho para o trabalho de Pedro.
Um dia, Pedro passando por lá, parou para conversar com Lúcia.
- Lúcia, eu preciso te falar uma coisa...
- O que foi?
- Eu tô meio sem jeito, mas faz um tempo que eu queria conversar com você.
- Fala, homem, o que foi? Estou assustada!
E de repente, tascou-lhe um beijaço daqueles de jogar na parede e ficar grudada.
- Ui, o que é isso? O que você está fazendo?
- Me desculpe, mas é isso mesmo, eu estou gostando muito de você...
- Mas você é casado... E a Joana?
- Ela está bem, mas eu estou gostando é de você... Eu sou amigo de Carlos, mas não vamos confundir as coisas. Uma coisa é o meu casamento, outra coisa é o seu ex-marido e uma outra coisa é você e nós.
- Não temos "nós"... Você está louco?
- Estou sim, por você!
E outro beijo demorado...
- Melhor você ir embora...
Passaram-se algumas semanas e aquilo ficou "martelando" na cabeça de Lúcia:
- Mas vejam só, e agora eu tenho a vingança aqui nas minhas mãos... Não gosto de vinganças, mas que tentação está sendo esta... Imagina a cara daqueles dois quando descobrirem o "troco"? Imagina Carlos sabendo que estou me envolvendo com seu amigo Pedro? Seria a morte para ele...
Pensou, pensou e resolveu:
- Eu não tenho nada a perder, e a mulher de Pedro nem é mais minha amiga....
De propósito, Lúcia espera por Pedro na porta de casa e ele como de costume para o carro e desce.
- Me ajuda aqui numa coisa, Pedro?
- O que foi?
Lúcia o arrasta para dentro de casa, lhe segura pela camisa e... um beijo....
- Ainda tá me querendo?
- Puxa vida! Que pergunta! Claro que sim...
- Então venha...
E ficaram juntos a tarde toda, Pedro matando a vontade e Lúcia com sua doce vingança.
Ela gostou do que fez e repetiu algumas outras vezes, mas Pedro não era o homem que lhe atraía tanto, então para ela já estava de bom tamanho, mas para Pedro, isso não teria fim programado.
O que aconteceu?
Pedro se apaixonou de verdade por Lúcia e não conseguia mais se afastar dela.
E Lúcia, com o passar dos dias, não podia nem ver Pedro, e corria dele como o diabo corre da cruz. Não conseguia nem imaginar beijando-o mais.
Pronto, a vingança já estava feita, agora chega!
Então, como explicar isto a Pedro? Abrir o jogo? Nem pensar... Como falar para um homem que o usou como um objeto e que agora o brinquedinho perdeu a graça?
Começou a inventar mil desculpas e disse que não poderia mais fazer nada por problemas de saúde.
Tá bom que Pedro acreditou! Sei...
Não teve jeito... Lúcia disse a verdade, quer dizer, quase toda... Que não queria mais nada com ele, porque era casado e gostava de sua esposa como amiga... Sei...
Hoje ainda são amigos, ninguém sabe desta história, mas Lúcia ficou satisfeita, realizada, mesmo em silêncio.
Hoje Lúcia sabe o doce sabor da vingança.
Agora é esperar pelo tempo, que quando menos se espera, escancara tudo e mostra a verdade.
Aí sim, ela vai querer assistir tudo de camarote.
Ah Lúcia, quanta bobagem na sua cabeça, menina!!!


Esse filme tem uma história parecida, mas com final feliz, se fosse com Lúcia e Pedro.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Lucas Serafim

Lucas, e seu amigo imaginário Serafim, tem 12 anos e se acha um astronauta...

- Lucas... Lucas.... LUUUUUUCAAAAAS!!!!
- Ai, mãe, já vou! O que é agora?
- Como assim o que é agora? Tira essa roupa aí agora!
- Mãe, eu troquei de roupa hoje de manhã.... Quer que eu troque de novo?
- Tô falando dessa maldita roupa de astronauta que você arrumou...
- Eu não arrumei nada, eu ganhei da madrinha!
- Arrumou pra minha cabeça, isso sim... Tira logo que eu quero lavar...
- Agora não, mãe... Eu e Serafim vamos numa missão impossível aqui...
- Lucaaaaaaassssss....
- Mãe, depois eu tiro, agora não dá! Tá vendo só Serafim... Mãe nunca entende a gente!
- (Serafim) Lucas, é melhor a gente ir desbravar outro planeta, esse daqui tá muito poluído.
- Eu sei, olha só que fumaça preta que sai dali....
- (Serafim) Eu acho que é do planeta Vanoche, que não toma cuidado com a nave Fatebok que inventaram e que solta essa fumaça no ar.
- Então vamos, Serafim, em mais uma missão no espaço pela nave mãe...
- Nave mãe? Agora eu sou uma nave, filho?
- Não mãe, nave mãe, e não mãe... É a nossa nave que leva a gente pelo espaço Via Laca, pra combater todos os inimigos do Rei Dom Juan Demarco.
- Nossa, filho, Dom Juan não é aquele papel daquele Johnny Depp? Lindo!
- Não, mãe, esse é outro. Nosso Dom Juan é o Rei do planeta Vanoche que fica perto do planeta Tarrido, onde moram pessoas como a gente, mas que não são humanos, são nemanos.
- Ah, sim, filho, entendi tudo. E o Serafim te leva pra todos esses lugares?
- Não, mãe, quem leva a gente é a nave mãe,  a mais poderosa, a mais fantástica, a mais linda nave mãe de todo o planeta Vanoche.
- Lucas, eu acho que essa fumaça que você tá vendo é dessa sua roupa suja... Olha a poeira saindo dela,  filho...
- Ah mãe, não é não, é só você olhar pelo binóculo ultramega-hiper potente que você vai ver... Olha!
- Deixa eu ver então.... Nossa, e não é que é verdade isso? Mais meia hora e eu quero a roupa pra lavar, tá certo?
- Zzzzzzuuuummmmmmmm...... Tá bom, mãe....

- (mãe) Mas menino tem cada uma né... haja imaginação nessa cabecinha... ainda fica inventando que vai conversar com um tal de Neo, que fica nesse blog aqui. O que será que ele faz lá, heim?


BOM FIM DE SEMANA!!!