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sexta-feira, 30 de março de 2012

A livre escolha

Puxa a cadeira e senta aí, vamos bater um papo...

Pense....

Como você lida com situações de sofrimento? Reclamando, chorando, xingando, se vingando, pensando, remoendo dias e dias um único dia que não deu certo? Resolveu, depois de fazer tudo isso?

Já pensou o que lhe causou o sofrimento? Já tentou combater a causa? Qual a causa? Uma escolha errada, uma palavra não pronunciada, um mal entendido, uma doença? Bem, não vamos entrar em doenças e nem em mortes (milagre eu não falar de morte!).

Hoje lendo um post de um amigo, o Marcelo Dalla, (leiam, é interessante o texto), gostei tanto que tive que mencioná-lo aqui. Ele conseguiu escrever tudo o que  penso a respeito do livre-arbítrio.

Todos nós sofremos algum dia nessa vida; doeu muito, choramos, e muitas vezes preferimos até a morte. Mas a vida passa e o passado fica para trás. A renovação é constante, quando permitimos que se renove cada dia.

Existem pessoas que são pessimistas demais, que reclamam demais, que agridem, que criticam, que são invejosas, arrogantes, doentes psicopatas... Com estas não podemos fazer nada. Ninguém é obrigado a suportar ou conviver com gente amarga.

Mas algumas pessoas que passam por sofrimentos, não sabem voltar, não acham o caminho de volta. E ficam amargas, rancorosas, sofridas, reclamonas, por um tempo. E o natural quando isto acontece: as pessoas se afastam porque ninguém aguenta ficar escutando lamúrias o tempo todo. E a pessoa fica cada vez mais deprimida, e se enfia num buraco escuro e não enxerga a saída.

Vocês já conheceram uma pessoa assim? Eu já! Várias! Também já fui uma assim, por anos. Sobrevivi, saí do buraco e hoje estou feliz.

O normal também é a pessoa nesta situação só ouvir o lado negativo que ela está tendo neste momento. Quer dizer, além de todo o sofrimento, ainda tem que ouvir das pessoas todos os defeitos que ela tem, o quão chata ela está, que precisa mudar, deixar para lá, blá, blá, blá....

Não é assim, penso eu. A pessoa realmente perde o rumo e não sabe como voltar. Não são todas as pessoas que sabem lidar com o sofrimento e críticas só atrapalham. É como jogar terra numa pessoa que está dentro do buraco.

Muitos dos nossos sofrimentos são provocados por nós mesmos. Simplesmente por pensar no outro, não querendo magoar o outro, não querendo contrariar o outro, que fazemos escolhas erradas. E escolhas erradas é claro que vai gerar um desconforto e um sofrimento. A vida é do outro, o outro é que escolhe. E a vida é de cada um e cada um é que escolhe o melhor para si.

Egoísmo? Não! Amor próprio!

Se você consegue pensar assim, se escolhe coisas que sabe que serão boas para você e não somente para contentar uma outra pessoa, você vai se amar, vai se respeitar e consequentemente vai passar tudo isso para quem estiver ao seu lado.

Não digo tomar decisões radicais, que passem por cima de outras pessoas, mas do gosto pessoal de cada um. Você não precisa comer jiló mesmo odiando jiló, só porque sua mãe que você ama tanto, faz o jiló com todo o carinho do mundo. Para sua mãe que está vendo você comer sem sofrer, está tudo certo, mas para você que está comendo sem gostar, está sofrendo por dentro. Mas come mesmo assim porque não quer que sua mãe sofra. Esses pequenos sofrimentos que carregamos ficam encravados em nossa memória e mais cedo ou mais tarde, vão voltar à tona. Aí o estrago é imenso. Agora, se você desde o princípio disser para sua mãe que adora a comida dela, mas não gosta de jiló, ela sempre vai se lembrar que o filho dela não gosta de jiló, sem sofrer.

E essas pessoas que ficam amarguradas por um tempo, como você lida com elas? Já tentou elogiar e dizer o quanto ela é importante, que essa fase ruim vai passar, que o sofrimento profundo e a felicidade plena sempre passam? Nada é constante na vida de ninguém. A pessoa que ouvir isso de você, pode não entender na hora, pode ficar até com raiva de ter escutado, mas com certeza, ela vai ficar pensando em tudo isso e vai começar a se lembrar de como ela era antes da perturbação momentânea. E vai chegar à conclusão de que o modo como ela está lidando com a situação não vai levá-la a lugar nenhum. E vai lhe agradecer pela compreensão.

As pessoas precisam é disto: de compreensão, de afeto, de carinho, de alguém que as ouça. De ter seu valor reconhecido e ver que vale a pena ser "egoísta" e fazer suas escolhas.

A vida é uma só e é muito breve. Quando se vê já se passaram cinquenta anos, como disse Mário Quintana. Vai desperdiçar? A vida do outro vale tão mais que a sua assim?

Um ótimo fim de semana!!!


O blogger está com um problema nos comentários. Vou ver o que é e se resolvo!
Desculpem!


Parece que já está resolvido.
Para nossa alegriaaaaaaaaaaaaaa!!!!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Um Deus brigão

Deus, puro amor!
Deus, que perdoa!
Deus, que é misericórdia e caridade!
Deus, que é protetor!
Deus, que não entende até hoje porque os homens ainda brigam em Seu nome.

Vocês acreditam em Deus? Quem é Deus? Como O imaginam? Como Ele age em nossas vidas?

Na minha opinião Deus é força, é sabedoria, e age conosco através de pessoas. Pessoas que nos ajudam de alguma forma, que nos dizem uma palavra certa na hora certa, que nos mostra, em pensamentos, como devemos resolver alguma perturbação....

Vocês já tiveram a sensação da presença de Deus, sem estar em algum templo ou igreja?

Eu já! Algumas vezes... Não tem explicação, mas só por Deus para ter acontecido de forma tão perfeita e na hora certa, o que nos acontece. Não tem explicação mesmo.

Esta semana rolou uma discussão no Facebook, sobre este assunto: uns postam mensagens de Deus, de Jesus; e tem os que não concordam e revidam dizendo que lá não é igreja e quem quiser compartilhar alguma coisa, que doe cestas de alimentos aos pobres. Por que muitos acham que Deus só ouve os pobres, só acolhe os pobres, e que alimentar um pobre é alimentar Deus? Será que pensam que pobre é tão fraco assim? Será que Ele é tão pequeno assim como imaginam alguns?

Virou uma briga sem tamanho!

É impressionante como tudo que diz respeito a Deus, à religião, gera tumulto, revolta, briga e até morte.

Uns que têm fé, outros que são agnósticos, outros ateus, e outros de outras religiões, que se incomodam uns com os outros. Criam um Deus polêmico, mesmo sendo ateu. Se discute Deus, mesmo não acreditando n'Ele. Instigam Deus, querendo provas de Sua existência, como se Deus fosse um milagreiro.

Isso mostra a força d'Ele e a fraqueza humana, querendo defender o que não tem defesa. O homem não suporta seu semelhante e desenha Deus a seu modo, como sendo perfeito, que todos deveriam ouvi-lo e concordar com ele.

O exemplo é a rede social ou as redes sociais. Quem acha em Deus a sua salvação não se cansa de "pregar" aos quatro ventos, e quem não concorda, não suporta tanta "pregação". Mas se esquecem que, no caso o Facebook, é um espaço livre, com regras, claro, e que cada um faz uso como achar melhor. Falta de respeito ficar criticando o que sai no seu feed de notícias. Basta um clique e podemos bloquear, deletar ou ocultar o post. Mas na verdade mesmo, é o incômodo que Deus gera nas pessoas.

Infelizmente é assim: pessoas que se incomodam com outras pessoas, e preferem criticar do que mudar de lugar. Enquanto Deus está lá no Seu ofício, rindo de todo defeito do ser humano, tentando polemizar e usando Seu nome em vão.

O livre arbítrio incomoda. Deus incomoda, seja acreditando n'Ele ou não.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Aposentadoria e o bom senso

Eu particularmente tenho paciência com os idosos. Gosto de ouvir suas histórias, gosto da simplicidade de alguns, das comidinhas gostosas que alguns passam a receita, e gosto dos conselhos também, apesar não se seguir nenhum.

Também acho que ele têm o direito de tudo do bom e do melhor, já que é praticamente o final da vida. E concordo com todas as regalias que conseguiram, através das leis.

Mas, o que temos visto por aí, e não é só opinião minha, mas de todos, em todos os lugares, é que eles abusam da boa vontade de todos, só por serem idosos.

Sábado eu fui à lotérica pagar contas e tinha um caixa só para jogos, outro caixa só para idosos e outro caixa atendendo os demais. Era época de pagamentos, então estava lotada. E num momento, a mocinha do caixa dos idosos foi tomar um cafezinho, e o próximo idoso da fila começou a reclamar que não tinha ninguém. Então, a toda gentil moça do caixa geral chamou o idoso e o atendeu. E apareceu outro idoso, e outro, e outro. É claro que todos da enorme fila, inclusive eu, não gostamos nada e começamos todos a reclamar. E não é que a mocinha que estava tomando café apareceu, do nada!

Outra situação que tem muita reclamação: os ônibus circulares. Nunca apareceu tanto aposentado junto num ônibus como aparece em horário de pico, de muito movimento. E ai se ninguém ceder lugar para eles! Começam a reclamar em voz alta para todo mundo ouvir.

Agora fila de banco. Bem, todo mundo sabe como é penoso ficar em fila de banco. Eles têm o dia deles receberem, que todo mundo já sabe, mas então alguém me explica: de onde aparece tanto aposentado em dia de pagamento de pessoal, dentro de um banco? De onde saem e o que fazem na fila? Tem a fila deles, mas quando começa a ficar grande demais, para não cansar os idosos queridos do coração, os outros caixas começam a chamá-los para atendê-los. Pode isso, gente?

Ontem, domingo, minha filha e eu fomos em uma loja tentar comprar alguma coisa. É uma dessas lojas de departamentos que quando abre fora do horário normal, simplesmente a cidade toda vai lá. Então, depois da compra, fomos para a fila do caixa... e não andava de jeito nenhum. Umas oito pessoas na nossa frente e a fila não andava. "Vai lá ver o que tá acontecendo, filha!". E lá se foi Amanda olhar o que acontecia. "A moça está passando os idosos na frente!" Affffffffffffffffffffffffffffffffff

Reclamar para quem, do quê? De um direito deles? Nem tem como. Um dia eu vou ser uma aposentada e quero todas essas regalias também.

Mas precisa, senhor aposentado,  pegar ônibus circular no horário de pico, sendo que o senhor tem o dia todo para ir e vir onde quiser?

Precisa ir na lotérica no sábado, sabendo que está sempre lotada, já que o senhor tem todos os outros dias para passear e aproveitar e fazer um joguinho ou pagar uma conta?

Geralmente os bancos têm senhas e as pessoas ficam sentadas esperando. Então, senhor aposentado,  que tem um horário todo especial para o senhor receber, por que ir ao banco justamente depois que o resto da população recebe e ficar com essa carinha fofa de cansado da vida, querendo logo sair de lá, porque está calor, está cansado, com fome, com sede, com vontade de fazer xixi.... por que ir num horário lotado se o senhor pode ir num dia e num horário em que todos estão trabalhando e o banco está às moscas?

A vida é difícil, aposentado sofre, é discriminado, mas o bom senso e o respeito aos demais a gente aprende desde cedo.

Ah, mais uma coisinha: nessa loja em que fomos, como era domingo, serviram café da manhã. Bem, estávamos numa fila para pegar suco e quando estava chegando nossa vez, uma senhorinha muito lindinha e fofa, com o seu netinho muito coitadinho atarracado num abraço, olhou para minha filha e disse: eu já estava aqui tá? E ficou na nossa frente, alisando o netinho que era do tamanho dela já. Eu não aguentei e disse bem alto para minha Amanda:

- É assim que nascem os aproveitadores, os cafajestes, os folgados, os que acham que o mundo gira em torno deles. A "pessoa" quer de todo jeito levar vantagem num suco, colocando o netinho na frente de todo mundo, sem fila preferencial para nada, e não percebe que está educando um monstro. Depois ele continua sendo um monstro e a avozinha tão querida não sabe o que aconteceu com o menino.

Minha filha arregalou um olhão, como me chamando a atenção do que eu acabara de falar e todos que estavam perto ouviram. Mas eu falei para ouvirem mesmo. Gestos bobos, simples, mas que fazem toda a diferença na cabecinha de uma criança. Por fim as pessoas concordaram comigo, menos a avó que não estava nem aí para ninguém.

Se ela tivesse chegado e pedido para passar na nossa frente, é claro que concordaríamos sem problema nenhum. A atitude dela em querer levar vantagem, achando que enganaria dizendo que já estava na fila é que não foi boa. O exemplo que ela passou para o neto naquela hora foi péssimo.

É lamentável!

sábado, 24 de março de 2012

Esmalte e Outono


O que vocês acharam da foto? Não ficou linda?

Essa paisagem maravilhosa é praticamente os fundos de minha casa, na avenida onde faço caminhada. Tirei no ano passado, no Outono. Eu amo o Outono. Coloquei a foto em tela cheia no computador e depois cortei os lados. Parece uma janela, não é?

Outono, a época mais simpática e charmosa das estações. Nem frio, nem calor, um céu maravilhoso, um nascer e um pôr-do-sol que não existe mais lindo. A única coisa que não gosto muito é o vento. Pelo menos aqui em minha cidade, o vento é um pouco forte.

E quando as folhas começam a cair das árvores, dá um charme todo especial à paisagem... fica romântico...

Eu resolvi fazer uma francesinha com o  Bianco Puríssimo da Risqué, que ficou só na pontinha, portanto não afeta minha alergia, e o Clarus que é perolado, da Ludurana, antialérgico. O efeito perolado em cima da francesinha, ficou charmoso.

Mais esmalte e Outono no blog da Fernanda Reali. É só clicar!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O retorno

Então...

Eu tenho alguns amigos médicos e gosto muito deles, mas uma coisa que eu não gosto é de ir ao médico. Não nasci para ficar doente, nem para ficar tomando remédios, muito menos para ficar de repouso - não fiquei de repouso nem quando fiz cesárea. Meu negócio é movimento, é mexer nas coisas, é trabalhar, é estar fazendo algo. Para eu ficar parada, só se for dormindo.

E hoje eu tive que ir ao médico, retorno, pois o único remédio que tomo - e tenho que tomar mesmo - venceu a receita e tive que voltar para renová-la. É para hipertensão.

Aqui em minha cidade tem o Núcleo da Família, que é como se fosse o médico da família. E fica praticamente grudado aqui em minha casa. Muita sorte a minha! O atendimento é ótimo, as atendentes são ótimas, o médico é ótimo e são poucas pessoas, pois atende só o bairro. Alguns bairros aqui têm, e o meu é um deles. Bota sorte nisso! E os remédios são de graça! Mais sorte ainda!

E consultório médico é isso: muita conversa sobre doenças, claro, muita fofoca, muito celular.... De repente escuto uma risada do Bob Esponja, e pensei que fosse uma TV ligada, mas que nada: era um celular de um homem. Morri! Depois outro tocou na bolsa de alguém, de uma mulher, que ficou desnorteada, caçando o bendito na bolsa imensa... e a música? Sertaneja, claro!

Bem, mas depois entrou uma vizinha de lá, falando praticamente para todo o bairro ouvir:

- Agora eu caso mesmo! Eu vi cinco urubus no muro do vizinho! Isso é sorte, não é, Fátima? - perguntou para a recepcionista.

- Ah, não sei, é?

- É sim! - e fazendo o número quatro numa mão - Tinha cinco lá! Vou caçar o marido agora!

Depois a pessoa olhou para o lado e cumprimentou uma senhora conhecida; sentou do lado dela e começou a contar de um parente que estava largando da mulher, que não sei o quê, não sei o quê e deu três tapinhas na boca, como se tivesse falado um pecado. Ahhhhhhhh, eu não aguentei!!! Lá vai a louca ficar rindo sozinha nos lugares....

E teve mais: uma senhora encafifou comigo e começou a comentar da família dela, que a maltrata, que a xinga e ela não responde e que a netinha dela faz a mesma coisa por ver a mãe fazer. Aí mexeu comigo! Não aguentei:

- Mas eles fazem isso porque a senhora deixa! - respondi.

- Mas eu vou fazer o quê, tudo eles pedem pra mim, e não me ajudam em nada! - respondeu inconformada com a má sorte.

Depois eu conversei mais um pouco e no fundo eu sabia que ela queria mesmo era um pouco de atenção. Queria só lamentar, chorar um pouco, reclamar, ou seja, conversar com alguém que a ouvisse. Aí o tempo que eu estava esperando,  fiquei só ouvindo e falando pouco.

As pessoas precisam disso mesmo: de alguém que dê atenção, que ouça... Cada uma com seu sofrimento, suas lamúrias, suas dores, suas doenças; e vivem cinquenta anos juntos, mas não têm paciência sequer de sentar e conversar, de saber o que o outro está sentindo, onde dói, o que tem vontade, o que quer...

A velhice para alguns é dolorida demais, mas acho que na maior parte das vezes é culpa da própria pessoa. É muito humilhação ficar mendigando atenção, afeto... isso dói!

Hoje eu fiquei pensando que as religiões defendem tanto o casamento, mas eu não consigo concordar com uma união que deixa duas pessoas juntas, mesmo não tendo nem amizade, nem consideração, nem respeito; pura e simplesmente para conservar a família. Se Deus é amor, onde está o amor numa relação assim? A única coisa que eu acredito que seja para sempre é a morte do corpo. Deus uniu para sempre dois corpos ou dois corações que se completam?

Eu e minhas indagações....

Bom fim de semana!!!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Anos 80

Quem teve a infância ou a adolescência nos anos 80 vai se lembrar do que vou mostrar.

Clique na imagem para ampliá-la

Tantas coisas para se lembrar...

O famoso cocktail de camarão, o Hi Fi com Fanta e vodka, os relógios coloridos que eu amava... Ombreiras monstruosas... Eu usei e era metida! Eu tinha uma roupa bem parecida com essa do mosaico, a última do lado direito, verde, curta e com ombreiras.

Michael Jackson, Madona, John Travolta, Menudos... ah, os Menudos - não era tão empolgada com eles não; acho que porque era mais velha que eles. Peter Frampton cachinhos de ouro, minha primeira paixão por um ídolo.

Depois me apaixonei por academias, polainas, campeonatos de aeróbica... e fui estudar Educação Física. Amei! Mas infelizmente, não segui carreira. Coisas que nos acontecem, que não têm explicação. Nem tudo podemos ter, ou podemos, não sei. Não importa!

O que importa é termos boas lembranças. Tempos de juventude destemida e desbravadora, ousada, arredia, tempo dos caras-pintadas e o fim de Collor. Lembram disso? E da Zélia Cardoso de Melo? Mas foi no começo dos anos 90. E do quase presidente Tancredo Neves - voltando aos anos 80? Diretas já! Morreu antes de colocar a faixa no peito. Mistério até hoje. Também tempo das corrupções, escândalos... Eu me pergunto: onde estão aqueles que lutavam por um ideal comum? Onde foram parar? Ainda lutam pelo quê?

Também me lembro dos primeiros computadores de mesa, da rede online discada, que toda hora caía e o chefe dava a maior bronca. Já fui responsável por CPD (Central de Processamento de Dados) numa empresa. Ajudei a implantar e elaborar tudo. Imagina eu, que sou super curiosa, se amei isso?

Tempos de namoros ardentes, paixões eternas, beijos escondidos e nada mais - o mais, só para as mais ousadas. Tempo de brincadeiras dançantes na garagem de casa, com músicas lentas, dançando coladinhos... As meninas todas encostadas na  parede e os meninos escolhiam quem chamar para dançar. Romântico demais... Acho que era final dos anos 70 e começo dos 80.

E os namoros nos carros? Gente, isto podia naquela época, em ruas afastadas, escuras... hoje, nem pensar!

Bons tempos que temos para recordar.

O que vocês lembram dessa época? Me conta?


Acho que nada marcou mais do a novela Dancing Days, com Sônia Braga com aquele top minúsculo, dançando livre, leve, solta!

segunda-feira, 19 de março de 2012

O homem e a mulher


O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é mais sublime dos ideais.

Deus fez para o homem um trono; para a mulher um altar.
O trono exalta; o altar santifica.

O homem é o cérebro; a mulher o coração.
O cérebro produz luz; o coração o amor.
A luz fecunda; o amor ressuscita.

O homem é um gênio; a mulher um anjo.
O gênio é imensurável; o anjo indefinível.

A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher a virtude suprema.
A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade.

O homem tem a supremacia; a mulher a preferência.
A supremacia representa força; a preferência o direito.

O homem é forte pela razão; a mulher invencível pela lágrima.
A razão convence; a lágrima comove.

O homem é capaz de todos os heroísmos;  a mulher de todos os martírios.
O heroísmo enobrece; o martírio sublima.

O homem é o código; a mulher o evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.

O homem é um templo; a mulher um sacrário.
Ante o templo, nós nos descobrimos; ante o sacrário, ajoelhamo-nos.

O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter cérebro;  sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano; a mulher um lago.
O oceano tem pérola que o embeleza; o lago tem a poesia que o deslumbra.

O homem é uma águia que voa; a mulher um rouxinol que canta.
Voar é dominar os espaços;  cantar é conquistar a alma.

O homem tem um farol: a consciência;  a mulher tem uma estrela: a esperança.
O farol guia; a esperança salva.

Enfim,

O homem está colocado onde termina a terra:
A mulher onde começa o céu.



Victor Hugo - 1801/1885

sábado, 17 de março de 2012

Esmalte e enfeites de Páscoa



Era para colocar enfeites de Páscoa. Mas eu quis mostrar essas fofurinhas lindas aí, que não são enfeites de nada. São os coelhos que  temos em casa.

Em sentido horário, a primeira foto são os pais: a Mel, cinza e o Neguinho, o neguinho. Depois minha filha com um bebezinho deles; depois as fotos de baixo: outro bebezinho, e minhas unhas com o esmalte Ludurana Rosa Rei, antialérgico. Tem mais dois bebezinhos: mais um neguinho e mais um cinza, que vão seguir um outro rumo logo acabe o desmame.

Agora falando de coelhos, que é o símbolo da Páscoa - não para mim, que Jesus é que é o símbolo da Páscoa - bem, falando dos coelhos, gente.... eles não dão trégua! Esse Neguinho pai é fogo no rabo mesmo! Não dá uma folga pra Mel, tadinha. Nem bem os bebezinhos saem do leite e já nascem mais bebezinhos. É o renascimento, como símbolo da Páscoa, no caso dos coelhos, o nascimento, um atrás do outro. O jeito será castrar um dos dois, que ainda não decidimos qual será.

Mas os bebezinhos são umas coisinhas fofas demais, dóceis, engraçadinhos...

Querem ver enfeites de Páscoa e unhas lindas?
Espia lá na Fernanda Reali

Quer participar? Ainda dá tempo! Pinte as unhas e nos mostre!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Amor aos pedaços

Blogagem Coletiva da Rosélia

BC Amor Aos Pedaços (15 de Março 2012)


Meu primeiro amor eterno

Lá pelos anos oitenta, aproximadamente em 1980 mesmo, consegui meu primeiro emprego, que era ótimo, quer dizer, o lugar era ótimo. E o que eu fazia tinha muito contato com pessoas. Para uma iniciante, tive sorte. Tive mais sorte ainda quando conheci todo o pessoal do lugar, e cheguei ao andar de cima, onde tinham as salas separadas com administradores, advogados.... advogado.

Foi quando vi o meu grande amor eterno, sentado lá numa salinha minúscula, todo compenetrado nas papeladas. Lindo, barbudo, de olhos claros, e tímido. De minha parte foi paixão à primeira vista, mas ele demorou um pouco até me perceber por ali.

Só sei que tremia quando o via passar. E todos percebiam isso e ficavam rindo ou então me dando a maior força para seguir em frente.

Até que, como quem não quer nada, dei um jeito de começar uma amizade com ele, indo entregar papéis em sua sala, puxando assunto. 

Por coincidência, ele morava bem próximo à minha casa o que fez com que fôssemos embora juntos praticamente todos os dias.

Minha cabeça adolescente, de quinze anos, flutuava quando estava perto dele. Era estudante de direito, e já trabalhava na profissão. Cada dia ficava mais e mais encantada até que começamos a sair à noite e assim, um namoro. Mas não duraria muito, porque ele era de outra cidade, e nesta havia uma noiva lhe esperando. Seria um casamento combinado, por interesse político. Mas eu nem me incomodava, de tão apaixonada que estava. E ele, todo gentil, educado, respeitador, um cavalheiro. Isso me encantava cada vez mais.

O tempo passou, ainda saíamos, mas sabendo que não passaria daquilo. Um dia, não sei o que me deu, que terminei tudo, de uma vez. Acho que estava cansada de ficar esperando alguma atitude que ele nunca teria. Comecei a namorar outra pessoa, que depois de alguns anos, se tornaria meu marido, que agora é ex-marido. Complicado?

Mas esse advogado, que foi meu amor eterno, nunca me saiu dos pensamentos e nunca deixou de frequentar meu coração. Não entendo porque eu o deixei, mesmo estando apaixonada. Acho que foi a melhor opção, porque logo que se formou, se casou com a noiva prometida.

Mesmo passando trinta anos, confesso que ainda o considero meu amor eterno. Pior, eu soube que ele está separado da esposa prometida. Gelei, sonhei, surtei, mas fiquei na minha. Nesses trintas anos o vi algumas poucas vezes, e ainda assim, quase não conseguia andar, de tanto que minhas pernas tremiam e meu coração quase querendo sair pela boca.

Não acredito em coincidências, acho que tudo tem um propósito. Mas resolvi não procurá-lo, nem forçar um encontro "casual" em algum lugar. Prefiro deixar como está, ele sendo meu amor eterno, à distância. Tenho medo que algo estrague esse sentimento que cultivei, mas que não sofri, durante todo esse tempo. É praticamente um conto de princesa, que não fica com o príncipe. Eu não sei como ele é agora, e prefiro idealizá-lo como eu o conheci há trinta anos. 

E se ele mudou? E se ele me ignorar? E se ele não quiser nem conversar comigo? E se ele já tiver outra pessoa? E se a ex-esposa for uma cobra criada? E se ele ficar comigo e brincar com meus sentimentos? E se esse amor lindo que eu sempre carreguei evaporar pelos meus poros e sumir?

Penso tudo isso, e prefiro sim, deixar tudo como está. Não vou provocar nada e nem forçar nada. Se tiver que ser assim, se tiver escrito em algum lugar que eu me encontre com ele, algum dia por aí, que assim seja!
Na verdade tenho medo, muito medo...

quarta-feira, 14 de março de 2012

MEME

Recebi a sugestão de fazer esse MEME da Turquezza (clique aqui) e vou fazer sim.


É o seguinte:

A) Citar onze coisas sobre mim;
B) Responder onze perguntas que ela me fez;
C) Criar onze perguntas para quem for indicado;
D) Linkar onze novos blogs para responder esse MEME.

É isso então. Vamos lá!

A) Citar onze coisas sobre mim:

1   - Eu digo que sou uma pré-idosa, mas se não soubesse minha data de nascimento, diria que tenho uns 8, ou 15, ou 36 ou 6 meses querendo colo.

2   - Hoje em dia faço o que gosto e o que quero, claro, tirando as obrigações de mãe e chefe de família.

3   - Não suporto hipocrisia.

4   - Não suporto gente boazinha e gente que concorda comigo em tudo - isso soa muito falso.

5   - Sou caseira, adoro minha casa. Na verdade ainda tenho um pouco de síndrome do pânico e tenho que trabalhar isso para poder sair a passeio.

6   - Me adapto a qualquer situação, ou com muito ou com pouco, meu bom humor continua o mesmo.

7   - Adoro doces, e costumo comê-los de manhã, antes do café da manhã e antes das refeições... e depois também, se eu não me controlar e tiver o doce aqui, me olhando.... não resisto.

8   - Comecei o blog por incentivo de um amigo virtual e através dele, fiz outros amigos virtuais, que considero como reais. Um dia vou conhecê-los todos.

9   - Sou viciada em computador, mas trabalho o dia todo.

10 - Adoro escrever contos, histórias e imaginar situações. Sou curiosa e adoro saber das coisas.

11 - Muitos dizem que sou brava, mandona, autoritária... Besteira! Sou um doce de pessoa.

B) Responder onze perguntas que Turquezza me fez:

1   - Qual o horário e quanto tempo você fica no blog?
R - Eu acesso o computador depois do café da manhã e fico online o dia todo, mas trabalhando. Um olho no computador e outro na telinha. Isso inclui o blog.

2   - Você tem Facebook?
R - Sim, tenho e também fico online praticamente o dia todo, mas trabalhando e de olho no Facebook.
Tenho amigos fantásticos lá, e me divirto muito. Escrevo muitas besteiras, adoro rir e compartilhar coisas engraçadas. Sou uma palhaça!

3   - Você gostaria de encontrinhos relâmpagos só de blogueiras?
R - Sim, claro que sim! Mas pra mim é difícil sair, ainda tenho umas neuras....

4   - Se você não trabalha fora, o que mais gosta de fazer em casa?
R - Trabalho em casa, como dona de casa e como costureira autônoma de uma empresa.

5   - Se você trabalha fora: gosta do que faz ou gostaria de mudar?
R - Trabalho em casa, gostaria de mudar sim. Eu digo que "estou" costureira.

6   - O que gosta mais de ganhar de presente de aniversário?
R - Roupas, perfumes, mimos como sabonetes, bombons, flores...

7   - Você respeita as pessoas com mais idade? Conversa com elas? Dá atenção? Dá valor às suas experiências de vida?
R - Gosto muito! E como moro no interior, o pessoal idoso aqui tem muitas histórias e eu tenho paciência de conversar, perguntar, rir, ouvir, dar atenção. Como eu já disse, adoro escrever e para isso preciso de histórias.

8   - É corajosa ou medrosa?
R - Corajosa... e medrosa, como por exemplo, ficar doente, não ter trabalho, não dar conta de cuidar de mim ou da casa ou dos filhos...

9   - Organiza suas coisas ou fica esperando?
R - Sou super organizada com tudo! Não gosto de nada fora do lugar e muito menos de bagunças. Sou chata nesse ponto.

10  - Respeita as pessoas ditas diferentes de você? Ou é a sabida e a perfeição?
R - Como eu também já mencionei, eu não tenho paciência com gente que concorda comigo o tempo todo. Eu gosto é de diferenças e de aprender com elas. Defendo minha opinião mas posso mudar de ideia sem o menor problema.

11  - Você cuida da saúde fazendo exercícios, comendo saudavelmente? Ou não liga para nada disso?
R - Eu cuido sim, faço check-up todo ano, sou hipertensa e tomo remédio diariamente, faço caminhadas e procuro comer saudavelmente, mas amo umas besteiras, umas misturas malucas, umas coisas que médico odeia.

C) Criar onze perguntas para quem for indicado:

1   - Se considera viciado em internet?

2   - Qual assunto nos blogs você gosta mais? Moda, contos, dia-a-dia, blogagem coletiva, fofocas, poesias ou outro?

3   - O que te chama a atenção num blog quando você o visita pela primeira vez? O que te faz seguir um blog?

4   - O que te irrita num blog? O que faz com que você não voltar nunca mais num blog?

5   - Quanto tempo você fica online por dia?

6   - Alguém implica com você, por ficar na internet? Quem? Por que?

7   - O que te faz sair da frente do computador?

8   - O que é mais importante? Qualidade ou quantidade no seu blog? Tanto de assuntos como de visitas.

9   - Você vai atrás de seguidores ou isso acontece naturalmente?

10  - Costuma comentar nos blogs com CTRL C + CTRL V?

11  - Qual o maior erro que uma pessoa comete num blog?

D) Linkar onze novos blogs para responder esse MEME:

Ai, gente, que difícil isso. Eu adoro quando sou convidada para participar, mas acho que todos estão convidados, se assim quiserem. Sou totalmente a favor da liberdade e da livre escolha.
Então, pessoas queridas que me visitam: participem! Ficamos conhecendo vocês e mais pessoas vão acessar seu cantinho...

Adorei!!!

Me avisem quando fizerem, tá?

segunda-feira, 12 de março de 2012

O que você faz de bom?

Blogagem Coletiva da Bia - Jubiart

Aniversário do Blog....
Eeeeeeba!!!!! Parabéns, linda Bia!!!

clique na imagem

Falar de minha pessoa não é fácil. Eu sempre acho que poderia fazer mais, e fazer melhor as coisas. Mas acho que sou uma boa pessoa.

Então, o que eu faço de bom?

Não que seja de se falar, acho que é obrigação de todo ser humano: separar o lixo reciclável do orgânico e não jogar óleo usado no ralo da pia. E meus filhos fazem o mesmo, inclusive não jogam lixo na rua, mesmo que seja um papel de bala. Se eu ver eles fazendo isso de longe, faço eles voltarem e catarem. Já aconteceu isso e eles aprenderam. Ótimo!

Outra coisa que eu acho que deveria ser normal de todo ser humano: ter boa educação. Quem tem boa educação cabe em qualquer lugar e em qualquer ambiente. Não preciso dizer mais nada.

Agora um jeito próprio meu: sou cuidadora. Independente de quem seja, sempre quero ajudar, mas sem intrometer ou ficar forçando nada. Eu tenho uma sensibilidade que faz com que eu enxergue se a pessoa está bem ou não. Daí falo uma palavra, tenho um gesto, dou um abraço, escrevo algumas palavras e pronto! O tiro é certeiro! Nem eu me entendo, mas sou assim. Minha mãe costuma dizer que eu "levando" os caídos. Acho que as pessoas precisam é de atenção, de carinho, e de alguém que os ouça, simplesmente os ouça. Deve ser isso.

E também outra coisa minha: o bom humor. Sou extremamente bem humorada, ou seja, chego a ser uma palhaça. E isso de certa forma contagia quem está perto. E anima o ambiente. Mas atrás disso sou bem tímida com quem não conheço. Fico quietinha num canto e não gosto muito de aparecer. Mas quando são pessoas que conheço.... hmmmmmm.....

O que eu também acho que deveria ser obrigação de todos: educar bem os filhos; torná-los pessoas de bom caráter, educados e de bem. E acho que estou conseguindo isso, graças a Deus!

E os animais.... eu amo os animais, apesar de ter pavor de cobra e tubarão (?!). Já falei para minha filha que vou colocar uma plaquinha aqui "Zoo da Clara". Tem três cachorros, seis coelhos (coisa mais fofa do mundo) e uns dez peixinhos. De manhã, aqui na minha rua, aparecem umas maritacas cantando, dando um bom dia! É lindo demais!

Acho que chega né? Tá bom assim! Daqui a pouco vão me chamar de arrogante ou convencida!!! (brincadeirinha...)

Só sei que é bem melhor ser do bem, dormir tranquila, estar de bem com a vida, apesar de todos os transtornos que passamos, mas ainda assim, viver feliz é o melhor remédio para tudo.

O foco é sempre esse: ser feliz, apesar de tudo! Estar feliz com o que se é e com o que se tem!

Então, uma ótima vida para vocês!

sábado, 10 de março de 2012

Esmalte e Dia Internacional da Mulher


Blogagem Coletiva - Esmalte e Dia Internacional da Mulher

Eu poderia falar tudo o que já falaram, mas o motivo desta foto aí, de  meus filhos ainda pequenos, foi a época em que me separei do pai deles.

Foi a época mais difícil de minha vida, onde me vi sozinha, passando dificuldades e necessidades, com crianças pequenas que não podiam sofrer com esse assunto, porque pai é pra sempre... enfim... sobrevivi!

Acho que as dificuldades acontecem por isso mesmo, pra que a gente possa crescer, aprender a lidar com a  situação e ao invés de ficar reclamando, olhar pra frente e vida que segue. E mulher tem forças pra isso sim!

Quem nessa vida não sofreu? Alguém disse que seria fácil essa vida? Então, pra quê complicar?

Fé em Deus, bom humor, nariz empinado, salto quinze, e unhas arrumadas!

Esse esmalte Ludurana, que é antialérgico, eu adorei! Aliás, estou amando essas cores novas em minha vida!
A cor é Café Brasil.

Quer ver um jardim de cores nas unhas de lindas mulheres?

Espia só lá no blog da Fernanda Reali.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Mãe de miss

Amanda no sofá e eu, a mãe.

Todos nós sabemos como é uma mãe de miss: cuidadosa, atenciosa, melosa, grudenta, defensora, inconformada, chata, insuportável etc.

Então, desde que tive meus filhos, eu sempre quis que eles se virassem sozinhos, que eles fossem atrás do que queriam, que se defendessem se fosse o caso, enfim, que fossem independentes.

E nasceu Amanda, loirinha, olhos azuis, uma boneca. Isso há dezessete anos. E continua uma boneca... por fora.

Sabe, eu não tenho a mínima noção de quem essa lindinha puxou... Para começar, a voz dela é firme, alta, forte, decidida... E de meiga ela não tem nada. É o jeito dela.

E agora ela já está na Faculdade, no curso de Fisioterapia. E eu, como mãe de miss, estou muito orgulhosa, ainda mais quando a vejo sair toda de branquinho, com o jaleco e com a mochila. Uma fofa de linda!

Essa foi a segunda (SEGUNDA) semana de aulas e adivinhem? A menina já está inconformada com algumas atitudes de alguns professores. Ai, meu Deus!

Essa semana começou o estágio na clínica da Faculdade e, ela me contando, foram todos os alunos para a clínica, como tinham que ser: de roupa branca e só. Mas foram barradas na portaria por estarem com as bolsas e mochilas:

- Por que não podemos entrar com a mochila?

- Por que aqui não tem onde colocar. Vocês teriam que deixar em um outro lugar. A professora não avisou vocês? - disse a mocinha da portaria.

- Não, a professora nem apareceu para dar a aula. - respondeu a minha loirinha.

Depois de perguntas e respostas, chega a tal professora:

- Mas eu não falei para vocês que não é permitido trazer bolsas aqui? Não fui à classe de vocês? - perguntou toda arrogante, segundo minha boneca.

- Não, eu nunca te vi aqui! Nem te conheço! - adivinhe quem respondeu?

Então, resolveram onde guardar as "tralhas" e seguiram para a clínica. Tudo normal, sem falar que minha lindinha vasculhou tudo quanto é canto, - "só pra conhecer, mãe!". Hmmmmmmm, me lembrei de alguém (eu), que é exatamente assim.

No outro dia, a aula seria na classe com a tal professora de nariz empinado. Nisso, todos os alunos já "garravam birra" da pessoa. Aí não tem jeito, nunca mais terão simpatia por ela.

A aula acontecia normalmente quando uma aluna fez uma pergunta, mas com o português do interior, tipo assim:  "a gente vai...."

- Como é que você vai conquistar um cliente falando errado desse jeito, menina? Parece até que veio da roça! - respondeu a "meiga" da professora.

Só que muitos alunos moram na roça. Aqui nas redondezas têm muitas fazendas, chácaras, sítios, e eles ficaram murchos ao escutarem isso.

- Vocês concordam comigo, não concordam? O mínimo que se espera de um profissional é falar corretamente. - retrucou a professora.

Todos ficaram calados, olhando entre si, e a mestra começou a apontar um por um para perguntar se concordavam. E é claro que concordavam com tudo, tendo um sargento daqueles apontando o dedo.

E eis que o sargento teve a infelicidade de apontar para quem? Sim, ela mesma: a loirinha meiga da mamãe...

- Não, eu não concordo com tudo não! Para começar, primeiro nós temos que ter educação quando formos lidar com as pessoas. Ou você acha que vamos tratar os outros como você está tratando a gente? Isso é jeito de tratar quem não se conhece?  O primeiro exemplo vem dos professores, e o exemplo que você está dando aqui agora, é bem pior do que qualquer roceiro que possa existir por aí. E tem mais - continuou a filhinha da mamãe - aqui tem muitos roceiros sim, muitos aqui moram na roça e com muito orgulho e são bem mais educados que você que está aí na frente ensinando numa Faculdade. E agora, você vai enfiar sua cara aonde? Você nem veio na primeira aula, nem explicou como é o estágio e nós ficamos sem saber de nada, e agora fica aí falando com a gente desse jeito? Eu tenho certeza que todo mundo aqui não concordou com o que você perguntou, mas por educação, todos disseram que concordavam.

Genteeeeeeeeee, vocês podem imaginar a cara da professora? Eu imagino!

Só sei que depois, no final da aula, a professora a chamou e disse que gosta de pessoas que falam o que sentem, que discordam, que têm opinião própria, mas que aquele era o jeito dela.

Minha Amanda só disse que não gostaria de discutir com ela e nem ficar com raiva, e muito menos queria que ela implicasse com ela a partir daquele dia.

Bem, eu conheço a filha que tenho e foi isso que eu sempre ensinei: se você tem certeza de que está certa, se defenda, não tenha medo de expor sua opinião! A professora não está fazendo nenhum favor para ninguém, já que é contratada e recebe honorários para prestar os serviços.

Bem, a mãe de miss então continua de férias.... Lindinha da mamãe...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulher

Hoje, no dia Internacional da Mulher, eu gostaria de falar sobre esta mulher, não como exemplo de vida, porque todas nós temos o nosso exemplo, mas como um sofrimento humano, uma base sólida nos pais e um amor incondicional aos filhos, às pessoas e a Deus.




Ingrid Betancourt


Seis anos, quatro meses, nove dias. Foi o tempo que ela ficou presa na floresta.


Nasceu no dia de Natal, em dezembro de 1961. Filha de pais generosos e amorosos que prestavam serviços aos necessitados. Casada, dois filhos: Mélanie e Lorenzo. Militante no combate à corrupção e ao narcotráfico na Colômbia, incomodou muita gente até ser sequestrada


23 de fevereiro de 2002: a emboscada, o sequestro, a violência.
Uma guerrilha tão sangrenta, quanto imprevisível. Ingrid é arrancada do veículo em que estava e levada prisioneira para o cativeiro localizado em meio à densa vegetação colombiana, sob várias camadas de sombras formadas pela copa das árvores, tornando praticamente impossível a sua localização por aeronaves que porventura sobrevoassem a área. As durezas da rotina nos acampamentos, as longas marchas mata adentro, todas as privações, humilhações, torturas.


Numa entrevista concedida após a sua libertação, Ingrid recorda:


“Nós (os sequestrados) levávamos a dor do mundo em todas as suas dimensões. Em todas as suas expressões”.


“A floresta é um lugar hostil. Tudo dói nela. A pele não é um espaço de proteção, mas de dor.


"Comer dói, ir ao banheiro dói, tomar banho dói, viver dói, respirar dói. Não ver o céu dói. Não ver as pessoas que a gente ama dói”.


“Os incessantes sons macabros dos animais eram apavorantes, e, à noite, o som dos gemidos dos companheiros que choravam dormindo e gritavam seus pesadelos eram agonizantes”.


“Um deserto de afeição, de solidariedade, de afeto.”


“Como reféns, passávamos por uma humilhação constante. Éramos vítimas de total arbitrariedade."


"Você passa a conhecer o pior que pode existir numa alma humana.”


“O que me permitiu passar por tamanho sofrimento foi o sentimento de que Deus estava ao nosso lado. Não fosse por este sentimento, dificilmente conseguiria suportar as penas impostas no cativeiro."


“Durante os anos de cativeiro, descobri que a liberdade é tão vital quanto o oxigênio. Ela é a principal chave para a dignidade humana.”


Não raro, os carcereiros executavam os fugitivos que eram recapturados, de modo a servir de lição, e desencorajar os demais reféns. Ingrid Betancourt, no entanto, era considerada uma moeda de troca de alto valor, o que fez com que sua vida fosse poupada.


A fragilidade de uma mulher e a sua fortaleza. A sua fé, e o seu calvário... 


“Na selva eu perdi a infância de meus filhos... e ganhei Deus, ganhei humildade e muito amor pelo mundo.”


Salvo a Fé, o Amor e a Esperança, tudo mais perece.


Um antigo ditado ensina:


“Quanto mais intenso o inverno, mais bela a primavera floresce ...”


02 de julho, 2008: o milagre do resgate, quando foi finalmente libertada e se encontrou com os filhos:


"Esses filhos são minha luz, minha lua, minhas estrelas. Por eles encontrei coragem para enfrentar a selva, para voltar a vê-los.”
Feitos de barro e sopro, somos um feixe de surpreendentes emoções. O amor dos filhos e o amor dos pais.



Diante da pergunta se o dia mais feliz da sua vida foi o dia da sua libertação, Ingrid, sem hesitar por um segundo, respondeu que não, acrescentando que os dias mais felizes da sua vida foram as datas em que seus filhos nasceram.


"Ontem chorava lágrimas de tristeza, hoje, lágrimas de alegrias."


A fragilidade e a força, a fé e a coragem de uma mulher.


A fragilidade e a força, a fé e a coragem de todas as mulheres.
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E assim vamos vivendo, cada uma de nós, da melhor forma possível, com sofrimentos, angústias, alegrias, ganhando, perdendo... amando, lutando, vencendo...
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O que me impressionou nesta mulher: apesar de todo o sofrimento, toda a dor, toda a solidão, a distância da família, a quase certeza da morte... mesmo assim, nenhum vestígio de mágoa, de rancor, de vingança... continuou com o mesmo amor que sempre carregou por toda a vida!
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quarta-feira, 7 de março de 2012

Como é ser mulher

"Mulher nasceu pra enfeitar o mundo, pra perfumar o ar, pra embelezar o ambiente, pra ser servida sempre."
Eu nunca me esqueci desta frase que uma professora de Literatura, da sexta série, dona Delze, sempre repetia. E nós, meninas, adorávamos, e os meninos também gostavam e naquela aula eram todos cavalheiros com a gente. Mas só naquela aula.


Hoje em dia, é claro que não concordamos: somos muito mais que isso; somos muito complexas, e agora temos uma explicação para todas essas mudanças que temos: os hormônios.

São eles que nos dão toda essa graça de nunca sermos rotineiras...

Cada dia um humor; um jeito de falar diferente; um querer de outra forma; uma birra; uma raiva; um desabafo; um choro...

Uma necessidade de atenção; um carinho; um abraço; uma palavra; uma presença...

Um beijo carinhoso; um sexo selvagem; um sexo tranquilo...

Uma bebidinha mais forte; uns petiscos afrodisíacos; uma pizza gordurenta; um pratão de macarronada; um chocolate...

Uma compreensão com o olhar; um sapato confortável; uma roupa mais folgada; um batom vermelho...

Uma ansiedade com intermináveis e fabulosos nove meses de gestação; uma emoção espiando o ultrassom e imaginando a carinha do herdeiro; uma mágica quando essa carinha se mostra pela primeira vez, toda sujinha, que faz com que o mundo pare e permaneça somente aquele momento de encantamento, de amor incondicional, de milagre...

Um abraço de filho; um pacotinho de Doritos com sorvete de doce de leite; um rock no último volume...

Uma festa do cachorro quando você sai por cinco minutos; uma maritaca cantando no telhado às seis horas da manhã; o filho fingindo que está com dor de barriga só para não ir à aula...

Um desespero quando um filho tem uma minúscula dorzinha em algum lugar; uma dúvida se tomou a decisão correta; um medo de errar na educação; um receio de passar somente bons exemplos...

Uma jornada dupla ou tripla de trabalho: de salto alto, maquiada, perfumada, linda, loira, magra e japonesa...

Uma cólica mensal que não nos apavora, mesmo sabendo de todos os transtornos; uma fase difícil que ninguém entende, mas existe = TPM; uma celulite que pensa que o corpo da gente é sua casa e fica ali para sempre; um fio de cabelo branco, depois outro, depois outro...

Uma lei que não foi inventada pelos homens, mas que está aí e é cruel, muito cruel: a lei da gravidade...

Uma felicidade que não tem preço, quando chegamos à maturidade e vemos que os frutos que plantamos durante toda a vida, já estão na época de serem colhidos, degustados, saboreados, comidos, lambuzados, saciados...

Uma certeza que temos de que não precisamos nos incomodar com o que os outros falam ou pensam da gente; que não precisamos saber de tudo; que não precisamos fazer coisas ou ir a lugares que não queremos...

Que podemos ser livres, amar e ser amadas, sem medos, sem culpas, sem tabus...

Mulher... simplesmente mulher!!!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Um batom vermelho


Uma coisa que aconteceu comigo ultimamente, eu digo depois que comecei a participar da Blogagem Coletiva de Esmaltes - leia meu post aqui - todos os sábados, foi que mais uma gotinha de autoestima voltou para o meu convívio.

Devido a tudo o que me aconteceu, nos últimos anos, todas as situações ruins, todos os sofrimentos, é claro que  deixei de fazer algumas coisas que fazia. como por exemplo, me arrumar mais. Eu me arrumava, mas não como antes.

É engraçado que não nos damos conta como isso acontece, mas acontece. Colocamos os outros, algumas coisas como prioridade e esquecemos do mais importante: nós mesmas.

Eu me arrumava, mas como quase não saía de casa - ainda quase não saio - só dava um tapinha de leve no visual e já me achava bem.

Aí comecei a participar da Blogagem Coletiva. Mas usava somente esmaltes clarinhos, bem discretos, pois achava que a cor escura não combinava comigo.

Até que um dia ousei e coloquei um vermelhão! Gostei! Aliás, adorei!

E o que aconteceu depois? Bem, as unhas estavam bonitas, mas e o resto? Ia continuar como antes? Não pode! Passei um perfume. Mas ainda não estava bom: passei um lápis nos olhos. Ainda faltava alguma coisa: passei um batom. Depois passei um batom vermelho. Pronto! A pessoa já estava montada!

Me lembrando do passado, lá na minha juventude, quando eu era bem vaidosa mesmo, me cuidava mais, era, digamos assim, uma metida - muitos me chamavam de metida - o batom vermelho e lápis nos olhos eram sagrados. E esse batom vermelho... ah, o batom vermelho... vamos combinar? Podem perguntar por aí: faz uma diferença imensa na boca. Mas tem que saber usá-lo. Não é assim, colocar o batom e pronto! Tem que ter atitude, saber carregar o acessório. Ficar elegante sem ser vulgar, e também não carregar muito nos olhos. Como eu disse, apenas um lápis e um rímel também.

Bem, agora acho que falta pouco para eu voltar a ser um pouquinho do que era quando jovem. O esmalte colorido já está nas minhas unhas e o batom vermelho já está na minha boca. Falta mais o quê? Sair da toca, andar por aí, ver gente, passear, divertir, bater perna, olhar vitrine (pobre só olha vitrine), e ver o tanto que somos "recicláveis": sempre prontas para um novo começo, dar uma chance para nós mesmas, voltar a fita e continuar de onde paramos a nos amar, nos cuidar, agora mais maduras e com maior capacidade de viver situações que antes nos pareciam catastróficas.

Estamos vivas! Isso é o que importa!

Boa semana da mulher para todas nós!

sábado, 3 de março de 2012

Esmalte e sorvete



Episódio de hoje: A pessoa teimosa
Estrelando: azunhas da mãe Clara e azunhas da filha Amanda

Bem, a história é a seguinte:
O tema é sorvete, mas vamos de picolé, porque depois do carnaval, de férias, regime é bom e a gente não gosta... mas é necessário. Essa delícia geladinha aí é picolé de nata com recheio de morango.... irresistível!
O esmalte, a estrela do post, é o Colorama. O cor de uva, na verdade é Açaí, e o rosinha, na verdade é rosinha sim, Rosa Chiclete, da filhota que tem umazunhas lindassssssssss!
E onde entra a pessoa teimosa?
Ela entra quando ousou, teimou em passar um Colorama numazunhas que têm alergiaaaaaaaa!!!!
Num pode, gentcheeee!!!!
Mas eu queria participar, e eu só tenho 2 Argentos antialérgicos. Então falei pra filhota: "eu vou passar, se começar a coçar, eu tiro na hora!". E dito e feito! No outro dia, começou a coçar.... e eu tirei... então, essazunha linda Açaí, durou só um dia! Mas valeu pela foto, que não ficou tão boa, mas dá pra ver que estão caprichadas, né? Foi com todo o carinho que fizemos!
Agora eu vou à caça de novas cores de Argento, pra poder me embelezar e participar da Blogagem Coletiva de Fernanda Reali.
Dá um conferida lá, pra você ver que belezura, que colorido lindo!!!

P.S. Amanda, a filha dazunhas lindas, que eu pensei que fosse ser minha companheira daqui pra frente, não vai mais.... A faculdade de Fisioterapia não permite que as meninas tenham azunhas compridas e pintadas. Mas quando der uma brechinha, ela volta!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Para os que ficam, bye, bye - Parte V - Final

Continuação...

Leia a primeira parte
Leia a segunda parte
Leia a terceira parte
Leia a quarta parte

Acapulco

Seu Antero encheu Leo de presentes, como roupas, perfumes, maquiagem, sapatos, bijuterias (ela não quis jóias de jeito nenhum), e depois um jantar num lugar simples, mas bem simpático: uma pizzaria regada a chop e música ao vivo. Se lembrava de sua juventude, quando dividia a pizza com mais dois casais amigos, todos pobres, mas felizes. Depois se lembrou de Dorotéia, do quanto ela também era simples e nem ligava para o luxo que tinha aos seus pés.
Nas próximas semanas, viveu dias maravilhosos de felicidade, de paz, de tranquilidade, para o desespero de seus filhos, que por debaixo do pano, moviam uma ação para interditar o pai.
Num dia nublado, com uma fina garoa, friozinho, seu Antero foi acordado por Guida, dizendo que tinha um oficial da justiça procurando por ele.
Levantou, tomou um banho rápido e foi receber o rapaz.
- Em que devo a visita? - disse, estendendo a mão num cumprimento cordial.
- Sou o oficial de justiça Mateus Damasceno, vim lhe entregar esse relatório e lhe informar que a partir de hoje, o senhor não tem mais o livre arbítrio sobre suas propriedades, seu dinheiro, nada mais. - disse o rapaz, secamente, estendendo uma pasta que continha toda a papelada do processo de interdição..
Antero começou a ler e não acreditou! Começou a esbravejar com ódio dos filhos que fizeram isso:
- Malditos, eu os criei, os sustentei, deixei tudo para eles e agora, querem me matar para poderem ficar com o resto? - esbravejou, xingando cada um dos filhos.
- Obrigado, sr. Damasceno. - se despediu do oficial e fechou a porta.
Imediatamente, pegou o telefone e ligou para Antoine:
- Eu quero que você venha aqui agora e me fale tudo isso me olhando nos olhos, seu cretino! - e desligou o telefone, tremendo nos nervos.
Duas horas depois, chega Antoine, com a cara mais sonsa que ele podia demonstrar e apenas disse:
- Eu avisei, pai, eu avisei que isso não ia ficar assim. É para o seu próprio bem... - disse tranquilamente, colocando as mãos nos bolsos.
- Vocês querem me matar? Querem o quê mais, heim, seus mal-agradecidos, interesseiros, insensíveis? Já não basta sua mãe ter ido embora, agora você também quer me ver morto? - respondeu com as lágrimas rolando pelo rosto vermelho de ódio.
- Calma, pai, calma... é só o senhor dispensar essa mulher que tudo volta ao normal. - mais uma vez respondeu com aquela cara cínica de debochado.
- Mas é muita petulância de vocês, seus moleques! Mal saíram dos cueiros e já querem tomar conta de tudo? Eu já dei para todos vocês o que lhes cabia por direito. E minha vida, eu vivo como eu quero! - gritou seu Antero, com lágrimas nos olhos.
- Pai, pai, o senhor não conhece essa mulher... é uma trambiqueira. Quem é a família dela? Por que ela vive tão longe do Brasil? Quem garante que ela não está interessada no seu dinheiro? - respondeu Antoine com a calma de um samurai.
- Eu sei que ela não é trambiqueira e nem interesseira! Interesseiros são todos vocês que querem me matar antes da hora! Eu deveria ter dado umas belas dumas palmadas nessas bundas folgadas que vocês têm, isso sim! - indignado, seu Antero se sentou e colocou as mãos na cabeça, inconformado.
- É para o seu próprio bem, pai, temos que preservar a família. O senhor deve estar confuso com a morte da mamãe...
- Não coloque a sua mãe no meio! - gritou seu Antero.
- Mas pai, temos que preservar a honra de mamãe, e o que os outros vão pensar? Já pensou nisso?
- Que explodam todos os outros e suas malditas bocas! Você pensa que eu sou alguma moleque? Que não tenho vivência, experiência? Quem você pensa que é para falar o que eu devo ou não fazer? - seu Antero se levantou e pegou Antoine pelo colarinho e quase o levantou do chão, com tanta raiva que estava sentindo agora.
- Se acalme, pai, olha a sua pressão... Quer que eu chame um médico? O doutor Alberto?
- Pro inferno, o médico! Eu vou é te internar num hospício! Seu louco! E quer saber, some daqui, agora! - empurrou Antoine que quase caiu para trás.
- Daqui a pouco passa... é só levar aquela mulher para onde ela não deveria ter saído. Só isso, pai! - respondeu, tranquilo.
Seu Antero, nervoso, pegou nos ombros de Antoine e sacudindo-o, dizendo:
- Olha aqui, seu merda, está bem! Vou levar Leonor de volta de onde a tirei. Para isso eu preciso pelo menos do dinheiro das passagens. Pode ser ou não? - disse, encarando o filho bem no fundo dos olhos.
Antoine, pegou a carteira no bolso da calça, tirou uma quantidade suficiente de dinheiro e entregou ao pai, e foi embora satisfeito.
Seu Antero, indignado, não perdeu tempo e foi falar com Leonor que iriam embora daquela casa, para um lugar mais lindo ainda, a beijou e pediu que também arrumasse as malas. Feito!
Foi até a cozinha, se despediu de Guida e Ruan, agradecendo por todos esses anos de fidelidade e bons serviços, deu para cada um o dinheiro que pegara de Antoine, pegou as malas e um dinheiro que tinha, guardado num cofre secreto no seu quarto, e seguiram ao aeroporto, de táxi.
Foram para Acapulco no primeiro voo disponível.
Chegando lá, ao pisar na praia, caiu de joelhos e com os braços abertos e silenciosamente começou uma oração: "Dorotéia, minha amada, agora é aqui que estou, e você estará sempre aonde eu estiver. Aqui que vou morrer para poder lhe encontrar, quando chegar minha hora. Eu te amo, minha amada, meu amor!". E chorou muito, ali quietinho, e Leonor do lado, também chorando, e entendendo a agonia do namorado.
Depois, seu Antero se levantou, abraçou Leonor, a rodopiou nos braços e disse para ela não se preocupar, porque grande parte de sua fortuna estava num dos bancos daquela cidade, que ele havia transferido quando estivera ali pela primeira vez, quando a conheceu. Continuava milionário!
- Que bobagem, Antero, eu faço sanduíches, esqueceu? E quem precisa de fortuna para viver, se temos tudo isso aqui aos nossos pés? - e o beijou longamente.
E a vida dos dois continuou assim por mais doze anos, com muitas alegrias, simples, mas com toda a natureza a lhes presentear todos os dias. Tinha pouquíssimo contato com os filhos e com o Brasil. Disse que não voltaria mais, de jeito nenhum.
Morreu tranquilo, dormindo em casa, com um leve sorriso nos lábios, e deixou toda a fortuna que praticamente estava intacta, para sua amada Leonor, que depois achou melhor dividir com pessoas carentes, criando uma instituição para pessoas abandonadas, com o nome Antero Ferreira da Silva.

FIM

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Para os que ficam, bye, bye - Parte IV

Continuação...

Leia a primeira parte
Leia a segunda parte
Leia a terceira parte
Leia a quinta parte


Depois que todos foram embora da casa de seu Antero, daquele churrasco que ninguém acreditava que estava acontecendo, ele acomodou Leonor em seu quarto e foi até o oratório conversar com sua amada Dorotéia:
- Oi, amor... Queria lhe dizer que morro por sua falta... Que nunca existiu dor maior do que do dia em que você se foi... Mas me perdoa? Me entenda, sim? Eu preciso tentar recomeçar, ter alegrias, para poder suportar o que me resta de vida sem sua companhia. Você é meu amor eterno, minha alma gêmea, e conto os dias para poder reencontrá-la, esteja onde estiver, eu lhe procuro e lhe acho! Me perdoa, meu amor.... Me perdoa! - e fez uma oração com lágrimas nos olhos e se recolheu ao quarto.
Nem bem amanheceu e já estava Antoine esperando pelo pai, na sala:
- Antoine, meu querido filho, o que lhe tirou da cama uma hora dessa? - disse, com a voz mais alegre do que nunca.
- Pai, posso conversar com o senhor, em particular? - respondeu, olhando para a bela Leonor.
- Venha, filho, vamos tomar o café que a Guida preparou, venha! - disse, puxando o filho pelo braço e praticamente arrastando-o até a copa, onde estava posto um belíssimo café da manhã.
- Obrigado, pai, mas já tomei meu café. Eu espero pelo senhor no escritório. - e saiu, pisando firme, como se estivesse emburrado.
Antoine, imediatamente ligou para Luiz e o informou o que estava acontecendo naquele momento. E lamentou encontrar o pai assim, tão disposto, com uma pessoa que ninguém conhecia, que certamente seria uma aproveitadora da ingenuidade de um senhor endinheirado, que perdeu completamente a noção dos bons costumes. Depois desligou o celular e continuou esperando.
Já seu Antero e Leo, se divertiam no café, com tantas guloseimas, tantos doces, pães, patês, que ficaram perdidos com tantas gostosuras. Ele já nem se lembrava mais como era prazeroso se sentar à mesa para saborear uma refeição com calma. Fazia isso sempre com sua amada Dorotéia, mas era sempre apressado,  atrasado,  com coisas mais importantes para resolver do que saborear uma mesa bem posta.
Depois de muitas gargalhadas, de bocas com "bigodinhos" de leite, barriga estufada de pães, ele pediu licença e foi se encontrar com o revoltado Antoine.
Entrou na sala cantarolando "Love me Tender" de seu ídolo Elvis, cantou bem alto, de braços abertos, na frente de Antoine: "Love me tender, love me true..."; esperando alguma reação positiva do filho, achando que todos estavam contentes com sua felicidade pós sofrimento. Que nada! A única coisa que Antoine conseguia pronunciar era que o pai estava ridículo e que estava humilhando sua mãe que acabara de falecer.
- Muito bem, Antoine, a que devo a honra de sua visita? - perguntou, se sentando ao seu lado, num sofá confortável de couro legítimo, preto.
- O que está acontecendo com o senhor, heim? Ficou maluco? Que mulher é essa? Vai gastar toda a sua fortuna com alguém que nem conhece? - despejou o filho com ar de deboche.
- Estou feliz; não estou maluco; essa mulher é Leonor, minha namorada; o dinheiro é meu e gasto como achar melhor. Mais alguma pergunta? - retribuiu as respostas no mesmo tom de seu filho, com deboche.
- Pai, isso não está certo, que mulher é essa? Já esqueceu a mamãe? - perguntou indignado, segurando o braço do pai.
- Não está certo o quê? Eu viver? Ser feliz o resto de tempo que tenho? A sua mãe é e sempre será a mulher da minha vida, mas ela não está mais aqui; e eu tenho que viver hoje, agora! - respondeu num tom mais alto, nervoso e dando um murro no sofá. - Olha, filho, se você veio aqui me criticar, me recriminar, e com intenção de acabar com o meu prazer, está perdendo o seu tempo. Se for só isso, pode ir embora cuidar da sua vida, que é muito rica e necessita da sua atenção o tempo todo. - se levantou, abriu a porta e convidou o filho a se retirar.
Antoine foi embora emburrado, indignado e disse que isso não ficaria assim.
Voltando para a copa onde estava Leonor tomando café, não a encontrou. Foi até a cozinha perguntar a Guida onde ela estava e a encontrou lá, lavando a louça que sujara.
- Desculpe, seu Antero - disse Guida - mas eu disse a ela que não precisava se incomodar, isso é serviço meu! - respondeu agoniada, temendo levar uma bronca.
- Tudo bem, Guida, não se preocupe. - e abraçou Leonor por trás, lhe beijou as costas, enxugou suas mãos e a arrastou até a varanda. - Querida, não precisa se incomodar, a Guida dá conta de tudo! - disse carinhosamente, beijando aquela boca perfeita da morena.
Mais tarde, se arrumaram e foram passear pela cidade.


Continua...