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domingo, 31 de março de 2013

Páscoa



Feliz Páscoa!

Que Jesus, que é puro amor, renasça em cada coração e que a esperança de uma vida feliz e tranquila nunca se apague.

Receba Jesus assim, de braços abertos, porque não existe conforto maior do que o abraço d'Ele.

Paz e bem!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Um Morto Que Não Morreu

 Lucimar reencontra Morena - novela Salve Jorge

Nós ficamos a imaginar como seria reencontrar uma pessoa que até então estaria morta, mas não está. Se fosse na hora do velório com todos vendo tudo, todos sairiam correndo com medo, mas quando não temos notícias e não sabemos como foi, não vemos o corpo e nem o túmulo com o epitáfio, tudo fica só na imaginação. Mas fica uma dúvida se isso realmente aconteceu. Como São Tomé que teve que ver para crer.

Vou contar uma história que me aconteceu e que até hoje não consigo entender o porquê a pessoa foi capaz de fazer uma maldade tão grande.

Na época de faculdade, nós todos jovens e com os hormônios todos gritando dentro de nossos corpos, é claro que sentimos atração por outras pessoas. No meu caso um grande amigo, que tínhamos muita afinidade, se tornou um namorado. Durou muito pouco, acho que uns dois meses. Bem, terminamos o curso e cada um foi cuidar da vida. Mas durante esses poucos dois meses, foi tudo muito intenso (aliás as coisas na minha vida costumam ser intensas), e por bem, não nos falamos mais desde o término do namoro relâmpago.

Nunca mais tive notícias, eu me casei e fiquei sabendo, aliás, deduzi que ele também havia se casado. Mas sabe aquela situação de que nunca nos esquecemos? Não era um amor intenso, mas acho que a forma como tudo aconteceu e terminou que marcou muito.

Anos se passaram, vida que seguiu seu rumo e um dia resolvi que ia procurá-lo para saber como estava. Comentei com uma pessoa e esta pessoa que não vou mencionar nem aqui e nem em lugar nenhum pois já está abolida de minha vida, me incentivou a fazer isso sim. Fiquei feliz, mas não fiz o que queria logo depois de tomar essa decisão. Achei melhor deixar passar um tempo e ver a melhor forma de procurá-lo.

Um tempo depois, essa pessoa me disse que ele havia morrido num acidente de carro e que o filho pequeno também havia morrido. Ela disse que assistiu pelo noticiário local e reconheceu a foto e o nome dele. Como eu confiava cegamente nessa pessoa, não confirmei nada, não procurei saber de nada e não pesquisei para saber como foi. Apenas chorei muito e sofri por uns dois anos.

A impressão que eu tive foi de remorso, por não tê-lo procurado antes e por não ter esclarecido enquanto estávamos por perto, ainda na faculdade. Sofri muito, durante dias, meses, chorava pelos cantos, escondida de meus filhos e a depressão que eu tinha tomou mais conta ainda de meu corpo e de minha alma. Como a vida era injusta!

Me lembro que um tempo depois eu convidei essa pessoa para ir até a cidade do rapaz e visitar seu túmulo. Ela disse que não, que seria sofrimento demais, que era para eu rezar de onde eu estava, que seria melhor. Continuei acreditando e "obedeci".

Depois de um tempo, comecei a navegar na internet e pesquisei o nome dele. Achei um perfil em uma rede social. Gelei. Deixei para lá, mas a imagem dele não saía de minha cabeça.

Um dia resolvi deixar uma mensagem, para talvez, o dono da página responder. Talvez a página seria de algum parente, não sei...

No outro dia veio a resposta DELE!

Vocês conseguem imaginar o que eu senti? Não, ninguém imagina a sensação de saber que uma pessoa dada como morta, estar viva.

Depois conversamos algumas vezes, falamos sobre família, filhos, trabalho e fiquei aliviada por saber que não ficou nenhuma mágoa desde aquele tempo. Depois nos afastamos de novo, por conta de ciúmes de sua mulher. Mas se ele está bem, está ótimo.

Não consigo entender porque tanta maldade no coração de algumas pessoas que provocam o sofrimento nos outros. Por que essa pessoa que eu confiava tanto foi capaz de me dar tanto desgosto e de me decepcionar tanto? Não podemos entender e nem saber o que se passa na mente de algumas pessoas, mas aprendi a não confiar em ninguém nunca mais. Eu não desconfio de ninguém mas também não confio em ninguém.

Mentes humanas que Deus, na sua perfeição, não nos permite invadir, para o nosso próprio bem.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Super Poderes


Participando da Blogagem Coletiva de Patrícia Gallis, do blog Café entre amigos


Então, um assunto um tanto gostoso... Quem nunca sonhou, quando criança, ter poderes de super-heróis? E adultos, quem nunca se imaginou com super poderes?

Os dois melhores:

Poder da cura. Se fosse para ter algum poder, queria tocar nas pessoas e curar alguma doença, alguma dor e quem sabe alguma tristeza. Principalmente as dores. Não sabemos a intensidade da dor do outro, mas poder amenizar ou curar por completo, seria um dom divino.


Poder de Superman. Poder voar, ter a força para combater o mal, ter visão de raio-x, enxergar a longas distâncias, ter a agilidade de dar voltas em torno da Terra, fazendo-a girar ao contrário e com isso voltar o tempo e evitar catástrofes e mortes em massa, enfim, um Superman.



Os dois piores:

Vampira. Não poder tocar e nem ser tocada por ninguém, pois sugaria todas as forças das pessoas até secá-las. Um horror isso! Viver isolado para sempre sem nunca sentir um abraço, um carinho, um beijo...


Telepatia e premonição. Apesar da curiosidade normal do ser humano em querer saber sobre o futuro ou sobre o que se passa na mente do outro, isso seria terrível! Imagine prever algo, uma catástrofe, e não poder fazer nada? Imagine saber de traições, de mentiras, de pessoas próximas que amamos? Seria um choque! Melhor deixar que a natureza se encarregue disso e com o tempo tudo se mostre. Deus foi sábio em não nos permitir possuir esses dons.


Para descontrair:

E agora, quem poderá me defender?


Chapolin Colorado! Um dom supremo de usar a ingenuidade, a leveza, o carisma e o talento para alegrar milhares de pessoas por gerações e gerações!

E aí, quais poderes vocês gostariam ou não de ter?


segunda-feira, 25 de março de 2013

Semana Santa


Tempo de recolhimento, de jejum, abstinência, respeito, meditação...

Tempo de relembrar as dores de Jesus, mas sem nunca saber sua intensidade...

Cada um a seu modo, com sua fé, mas de todo o coração. Não adianta nada fazer penitências na semana santa e durante o resto do ano viver sem a aceitação e o respeito ao próximo.

Me lembro quando era criança e não podia fazer praticamente nada. Principalmente na sexta-feira que não podia nem sorrir. É claro que eu não entendia nada e nunca ninguém me explicou o porq. Eu pensava: "se não pode fazer nada, então não pode nem comer e nem beber nada". E questionava isso mas ninguém me explicava. Meus pais, mesmo sendo católicos, não nos iniciou e nem nos incentivou a seguir a Bíblia e a igreja. Éramos uns perdidos. A imagem mais forte que sempre me acompanhou a vida toda foi de Nossa Senhora Aparecida. E desde sempre sou devota.

Me lembro da procissão procissão e que tínhamos que assistir filme de Jesus na TV. Era sempre o mesmo filme.

Depois de adulta, casada e com filhos, e por necessidade, procurei a igreja e me consagrei como católica. Meus filhos também são católicos, mas são livres para seguirem o que o coração deles pedirem. Deus está em cada um de nós e não somente nos templos. Foi depois disso que passei a entender tudo, a frequentar missa, a participar de procissão e tudo mais.

Não sabemos a intensidade da dor de Jesus quando foi crucificado, mas o fato de respeitarmos essa semana e principalmente a sexta-feira, é uma atitude cristã.

Como eu já li pelas redes sociais: "Semana santa não é feriado, é semana santa". E páscoa não é, pelo amor de Deus, se empanturrar de ovos de páscoa (um roubo, um abuso de preços), Páscoa é a ressurreição de Jesus.

Esse filme abaixo eu nunca consegui assistir. É de Mel Gibson e com cenas muito fortes. Não consegui chegar ao fim, mesmo tentando várias vezes.



Uma ótima semana para todos!


sábado, 23 de março de 2013

Esmalte e Passatempo

Esmalte vermelho ludurana Rubra, antialérgico,blog simples e clara

De volta à Blogagem Coletiva da Fernanda Reali, hoje com Esmalte e Passatempo. Querem ver como a meninas se divertem? Cliquem AQUI!

Esmalte Ludurana vermelho Rubra, blog simples e clara

O que estou usando é o Ludurana antialérgico Rubra. Lindo! Um dos vermelhos mais lindos que usei! E duradouro, não fica descascando, mesmo fazendo todo o trabalho de casa.

Então vamos ao Passatempo. Praticamente não tenho. O que é uma falha, mas quase não saio de casa, o que é um erro gravíssimo, não sou de ir a Shopping, nem a festas, nem cinema, ou seja, um bicho do mato enclausurado.

Mas tem uma coisa que amo fazer: escrever.

Esmalte vermelho Ludurana Rubra, blog simples e clara

Meu passatempo então é ter o blog, escrever contos, contar histórias, desabafar em crônicas e, claro,  conhecer pessoas virtuais, me divertir no facebook, conversar com amigos e rir muito. Acho que é só!

É, eu sei, preciso sair mais.... vou fazer isso, aos poucos. Isso é um compromisso comigo mesma. Uma meta, um foco.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Ó Língua Portuguesa, Salve, Salve!


Fujam para as montanhas! O fim está próximo!

É com grande tristeza que todos nós tivemos o desprazer de ler isso nos noticiários, em todos!

Eu me recuso a acreditar que um aluno escreveu uma receita numa prova de redação e mesmo assim tirou nota razoável. Onde vamos parar, meu Pai?

Será o fim de uma língua maravilhosa, porém difícil, que anos e anos aprendemos, decoramos, procuramos escrever corretamente e de repetente alguém que não deve ter o mínimo de bom senso diz que a prova não fugiu do contexto do tema. Ah, vá!

Fico me lembrando do meu tempo de ginásio, onde éramos obrigados a ler livros, um ou dois por bimestre, que valeriam nota em provas oral e escrita. Era nota de bimestre. Me lembro do pavor de alguns que não conseguiam interpretar o texto e me lembro que comprava a coleção Vaga-Lume de Machado de Assis, José de Alencar e outros, encapava com plástico transparente (ainda os tenho até hoje) e lia e amava! A Pata da Gazela, Cinco Minutos, A Moreninha... Tantos!

Depois tínhamos aula de Literatura onde éramos obrigados a decorar poesias e declamar na frente de todos, também valendo nota de bimestre. Dona Delze, que era odiada por uns (por todos), e tanto bem nos fez! Castro Alves, Olavo Bilac... e outros que não me lembro agora. "Ora direis, ouvir estrelas...", Navio Negreiro... Como não se lembrar?

E redações e mais redações, ditados, interpretações, leituras, média sete para passar de ano, escola pública que era um exemplo. Acabou! Quem foi daquela época sabe como era difícil.

Depois inventaram essa progressão continuada. Leiam AQUI como toda essa palhaçada começou e quem foi ou quem foram os culpados do ensino estar em extinção.

Agora, com essa do ENEM parece que foi o tiro de misericórdia no ensino, na língua portuguesa, na esperança de gente com um mínimo de conhecimento para saberem escolher os funcionários ao qual nós pagamos, para tomarem conta do nosso país.

A impressão é que o povo, a grande maioria, toma conta de tudo. Se não "conseguem" seguir o ensino, por preguiça ou por outro motivo, o Estado dá uma forcinha para que ele não desista. Nunca vai incentivá-lo a melhorar. O ensino se adapta ao aluno quando deveria ser ao contrário. O que importa para o governo são os números, as estatísticas. O Estado prefere gente ignorante e burra, para poder ludibriar sem esforço nenhum. Eles sempre saem impunes porque são eles que fazem as leis e não vão fazer leis para prejudicá-los. Mas o povo que se contenta com o mínimo do mínimo não pensa que enquanto eles ganham o mínimo do mínimo, os canalhas governantes roubam milhares de milhões. Idolatram, fazem campanha, colocam num altar para depois serem esquecidos num canto qualquer do país.

Lamento muito! Muito triste com tudo isso!

Cada um pode fazer sua parte, continuando a dar exemplo aos seus filhos e não caindo nessa armadilha de que saber escrever corretamente, estudar e se esforçar não vale a pena.

Um ótimo fim de semana para todos!


quinta-feira, 21 de março de 2013

Muito Prazer, Papai



Participando do Projeto Bloínquês - 9ª Edição Visual


      Manuela, apesar de não entender nada, esperava ansiosa pela voltado pai Tanaka. Não o conhecia pessoalmente. Quando ainda era bebê o pai resolveu voltar para o Japão e juntar dinheiro para que sua família tivesse um pouco mais de conforto. Sueli, sua esposa, não quis acompanhá-lo por Manuela ser bebê e por querer educá-la no Brasil.

      Sete anos se passaram e hoje seria o dia de Manuela conhecê-lo. Sueli não se continha de emoção e de aflição, e isso fez com que elas chegassem com bastante antecedência ao aeroporto para esperar Tanaka.

      As horas não passavam, Manuela não parava quieta e Sueli ficava impaciente de ver a filha pular em tudo, mexer onde não devia e sair correndo pelos corredores do aeroporto. Por alguns instantes Manuela se aquietou diante das enormes paredes de vidro que davam vista para a pista de pousos e decolagens. A cada avião que pousava olhava para trás e perguntava para a mãe se era esse o avião. Sueli diziam que ainda não  e a menina continuava contando os aviões e conversando sozinha, como se tivesse alguém do outro lado da parede para ouví-la:

      - Olha, é o papaaaaai! Meu papai que tava láááá no Japão e agora vai ficar na minha casa, na minha casinha, né mãe? - perguntava para a mãe. Esta apenas acenava com um sim com a cabeça.

      Não foi fácil para Sueli cuidar da filha, sozinha, pois sua família toda morava em outra cidade, bem distante de sua casa e de seu trabalho. Tanaka era japonês e se encantou por Sueli desde a primeira vez que a viu. Não demorou e se casaram. Logo Sueli engravidou e como a situação dos dois não era tão boa como planejavam, Tanaka resolveu voltar para o Japão. Todos os meses mandava suas economias para Sueli e a filha, e agora era a hora exata de voltar e se juntar à família.

      Sueli, aflita,  não sabia qual seria a reação de Tanaka ao vê-la. Mas criou coragem e resolveu enfrentar de vez os olhos do marido. Sueli estava grávida!

      Tanto tempo longe do marido, Sueli com toda a carência, se envolveu com um amigo de trabalho e engravidou. Como não tinha o costume de se cuidar, engravidou na primeira vez em que saíram. O rapaz não quis assumir e desapareceu no mundo. Sueli enfrentou tudo sozinha e agora enfrentaria Tanaka.

      Para Manuela, Tanaka seria o papai de seu irmãozinho, que ainda estava na barriga da mãe. Ela era uma menina carinhosa, meiga, linda com seus olhos amendoados e seus cabelos negros, lisos. Seus traços eram mais orientais do que brasileiros. Era a cara do pai! E certamente teria um irmãozinho loiro e de olhos claros, se este puxasse o pai sumido. Como explicar isso para uma criança de sete anos?

      O avião pousa, o coração de Sueli acelera, suas mãos suam frio, a voz fica embargada e depois de um tempo surge Tanaka, bem mais magro, cabelos longos, barbudo, óculos escuros e uma imensa tatuagem no braço esquerdo. A tatuagem era o rosto de Manuela. Sueli disfarçou seus sete meses gravidez colocando a bolsa na frente, tapando a barriga. Não correu para ir ao encontro do marido mas o mostrou para Manuela fazer isso. A menina correu e pulou em seus braços. Já se conheciam por vídeo, por fotos, por telefonemas, enfim, só faltava juntar coração com coração num forte abraço.

      Depois de se conhecerem, Tanaka olhou para a mulher e ficou paralisado. Sabia que esse seria o primeiro e último dia em família. Tanaka era um rapaz correto em seus atos, respeitador, defensor dos bons costumes e da preservação da família. A última coisa que esperava era encontrar a mulher grávida. Seu mundo caiu ao fundo do poço. Sueli só chorava e nada conseguia falar. Falar o quê? Tudo já estava explicado. Tanaka chegou perto, olhou bem dentro de seus olhos e nada falou. Pegou na mão de Manuela e foi em direção à porta de saída. Sueli o acompanhou. Nada se falaram.

      Tanaka começou a se lembrar do tanto que foi sofrido ficar longe da família, da filha pequena, de sua casa, da mulher que tanto amava. Não se conformava em ter que enfrentar mais uma situação dolorida. Às vezes passava fome no Japão só para mandar as economias para Sueli. Todo trabalho extra, todo dinheiro que ganhava mandava para o Brasil. E agora um furacão, pior do que aqueles que passam no Japão, estava pairando em sua cabeça. Não conseguia olhar para a mulher. Não conseguia falar nada e nem chorar. Apenas ficava segurando sua filha Manuela, mas mesmo assim, falando muito pouco com ela.

      Tinha tantos planos, tanto o que contar, mostrar... Fez questão de voltar com uma camiseta de mangas curtas só para que Sueli visse sua tatuagem, como uma surpresa. Mas a surpresa ficou sendo só para a filha porque falar da tatuagem era o que ele menos queria. Também queria a opinião da mulher sobre seus cabelos longos, se ficou bom assim ou se deveria cortar. Tudo isso seria compartilhado por aquela mulher que um dia roubou-lhe o coração. Não suportaria ter que ficar perto de uma pessoa que idolatrava, mas que foi capaz de traí-lo. Não importa quem e nem por quanto tempo. Era traição e isso não cabia na vida de Tanaka. Traição não tem volta. Quando o cristal quebra, cola nenhuma o coloca em pé.

      Chegaram em casa, Tanaka sentou em sua cama, aquela que talvez seria o antro de traição, e chorou, como uma criança quando perde um brinquedo muito raro. Sueli achou melhor levar Manuela para a casa da vizinha, para poder brincar com a sua filha. Conversaria com Tanaka, mas já sabendo que nada poderia ser feito, então conversariam sobre Manuela e mais uma vez, a mulher de Tanaka enfrentaria tudo sozinha, com um filho pequeno, agora sem pai, e um filha que acabara de conhecer seu herói que veio de longe para morar com ela. E agora? Como ficaria essa situação?

      Ninguém sabia. Tanaka não conseguia ouvir Sueli. Não falava nada e não prestava atenção no que ela estava querendo explicar. Por fim, pegou suas malas e se foi. Mais uma vez Manuela perdeu o pai, não para outro país, mas para outra casa. Agora teria duas casas. Coisas da modernidade que ela, pela pouca idade, nem sentiria muito. Já sabia como era morar só com a mãe e essa rotina continuaria. Agora saberia como era ter um pai por perto, mesmo não sendo tão perto como imaginava. Mas criança não tem noção do que seja perto ou longe. Estando sempre presente, era o que importava.

      Fim.

terça-feira, 19 de março de 2013

Os Dez Principais Pontos Turísticos de Minha Cidade


Blogagem Coletiva vinda lá do Nordeste, de Olinda, do blog de Ana Karla e seu Misturação
Parabéns pelos quatro anos de blog!


Aí está minha cidade: Franca. Fica localizada no nordeste do estado de São Paulo, a 90 km de Ribeirão Preto e a 450 km de São Paulo
Com 322 mil habitantes e com uma altitude de 1.040 m, seu clima é tropical de altitude, com média anual de 18ºC. Franca é conhecida como a capital do calçado masculino (já ouviram falar da Francal? Começou aqui, e hoje é feita em São Paulo); e também como a capital do basquete.
 

Francal, conhecida mundialmente que hoje é realizada em São Paulo.

Shopping do Calçado de Franca, com lojas de fábrica.

 A praça central, com a Matria Nossa Senhora Conceição ao fundo e a concha acústica à frente, onde aos domingos,  bandas marciais, fanfarras tocam e eventos acontecem.

 Relógio do Sol. Famoso na cidade e ponto de referência.

O basquete de Franca é conhecido no país devido ser o clube que mais ganhou títulos. Entre tantos jogadores, alguns "famosos" que já passaram por aqui: Hélio Rubens Garcia (já foi jogador, técnico da seleção brasileira, e até ano passado, técnico do Franca Basquete), Anderson Varejão, Chuí, Guerrinha, Murilo, Demétrius, Márcio Dorneles, Helinho, Rogério... e nós, os torcedores, somos considerados o sexto jogador. Em épocas de campeonato, os jogos ficam uma loucura! Só vindo aqui assistir para entender a nossa torcida. Olhem na foto como fica o ginásio Pedrocão em dias de jogos. O nosso atual técnico é Lula Ferreira.

Franca Shopping, um lugar privilegiado, estacionamento, vários espaços para alimentação, enfim, um ponto de encontro da população.

 Na verdade não é um ponto turístico, mas um prato típico da cidade: Filé a JK. JK de Juscelino Kubitschek, quando esse veio a Franca há muito tempo atrás. O prato: um filé grande, empanado, recheado com presunto e queijo, acompanha arroz com açafrão e ervilhas, fritas, palmito e é coberto com muita mussarela. Vários restaurantes tem Filé a JK no cardápio.

Jardim Zoobotânico, espaço que oferece serviço de produção e distribuição de mudas, projetos de arborização da zona urbana e recuperação da mata nativa na zona rural, desenvolvimento de cursos na área de jardinagem, plantas medicinais, programas de educação ambiental, além de muitos outros serviços.

Museu de Franca. Simples, pequeno... medonho por dentro, com assoalho de madeira, que range quando caminhamos. Um silêncio ensurdecedor e uma viagem ao passado que nos dá a impressão de que as pessoas que usaram aqueles objetos estão por lá nos observando.

Parque Fernando Costa, local rural, onde são realizadas as feiras de animais, shows e competições hípicas. Um lugar de lazer para a família.

Franca não é uma cidade turística. Com excessão do Shopping do Calçado, devido ser a cidade do calçado masculino, é uma cidade industrial, boa para os negócios. Os pontos turísticos deixam muito a desejar, infelizmente, mas o povo francano é muito acolhedor, com certeza.

Bem-vindos!


segunda-feira, 18 de março de 2013

Manias


Tenho muitas!

Acho que a mais predominante é a mania de organização, de ver cada coisa em seu lugar, mesmo que o lugar não seja apropriado, é o lugar designado para aquilo.

Posso dizer que nunca arrumei uma gaveta... Estranho? Não! Nunca arrumei porque nunca baguncei gaveta nenhuma. Nunca arrumei armários, nem guarda-roupas, nem nada. Apenas limpo, mas ter que tirar tudo para organizar, não.

Já fui bem pior. Não conseguiria viver no meio de bagunças, mas me adaptei um pouco depois que tive filhos. Não dá para ser cem por cento organizada tendo filhos. E agora então, com cachorros correndo pela casa, praticamente impossível.

Aqui no interior geralmente quando vamos à casa de alguém, quando entramos ouvimos "não repara na bagunça". Essa frase eu nunca disse para ninguém. Hmmmmm... sou chata, né?

Uma mania que tenho é de não gostar de ir em loja onde o vendedor fica grudado em mim o tempo todo, ou então que ele tenha que ir nos fundos da loja buscar trocentas caixas, para eu escolher, ou então que tenha que tirar toda a prateleira e colocar no balcão, para eu escolher. Bem, como libriana sou um pouco indecisa (mentira, sou muito indecisa para certas coisas, para escolhas), então, ver aquela montanha de coisas na minha frente, me dá agonia e me tira o foco do que eu realmente quero. Parece que fico na obrigação de ter que escolher algo só para não ficar feio... E mesmo depois de escolher, tenho a mania de ficar arrumando as roupas, dobrando, colocando os sapatos nas caixas... me dá aflição alguém ter que bagunçar o local só para euzinha escolher.

Não sei deixar bagunça por onde ando. É quase um TOC.

Se alguém quer me deixar completamente desnorteada é só colocar roupas em cima da minha cama e deixá-las lá. Ou então no sofá ou em cima da mesa... Me dá uma angústia sem fim!

Acho que sou metódica demais. Não sou de ficar mudando móveis de lugar e nem mudando de lugar o que já está arrumado. Tudo eu sei onde está e estará lá sempre!

Meu filho é organizado como eu, guarda tudo e é um sacrifício ele se desfazer de algo que não usa mais. Já achei até aquele papel de sorteio de amigo invisível no meio de suas coisas....

Minha filha é bagunceira, não organizada e.... bem, deixa para lá. Quando ela era pequena, tinha a mania de pegar uns fiozinhos de meus cabelos e ficar enrolando enquanto mamava, ou quando a pegava no colo para dormir. Eram pouquinhos fios que acabam fazendo um nó com perda total. Tinha que cortar. Hoje ela tem mania de ficar enrolando o próprio cabelo, quando está deitada. Mas não a ponto de fazer nó.

Apesar de ser metódica demais, já me disseram que sou hiperativa. Não sei se é verdade, mas não gosto muito de ficar parada. Gosto de mexer em tudo, e quando estou fazendo algo, minha mente trabalha a todo vapor.

Essa é outra mania que tenho, de fazer várias coisas ao mesmo tempo e terminar tudo na mesma hora. Só não vale cozinhar e fazer uma outra coisa, porque com certeza, algo queimará. Acho que é coisa da idade, não sei...

Outras manias simples que alguns acham estranho: ler revista do final para frente, ler livro no começo, depois ir para o final para saber como termina e só depois continuar (a angústia é bem menor assim). Não me importo de saber o final da história, o que importa é como ela será contada. Também tenho mania de comer a sobremesa antes das refeições e adoro comer doce antes do café da manhã. Também tenho mania, mas acho que é hábito, de andar rápido. Não sei como é passear devagar, como diz minha filha. Quero logo chegar no destino mesmo quando não tenho pressa.

Bem, cada um com suas manias. O importante é que respeitem isso da gente do mesmo modo como respeitamos as manias dos outros.

E vocês, que manias têm?

sexta-feira, 15 de março de 2013

Lembranças


Participando do Projeto Bloínquês
8ª Edição Visual - Tema: Lembranças


      Depois da morte de Judith, Antônia, sua única filha, mexendo numa caixa de fotos, viaja nos pensamentos com tantas lembranças de sua infância. Se alegra quando pega fotos de quando era pequena e com a família unida, os primos, tios, avós, todos juntos numa foto única. Ainda tem a cicatriz no joelho esquerdo, quando caiu de um balanço que ficava num abacateiro enorme e que sempre era empurrada pelo primo Sérgio. Dessa vez ele exagerou e a derrubou, fazendo-a cair e sangrar o joelho. Já o tinha perdoado, mas na época foi até motivo de discussão na família, pois Sérgio era bem mais velho que ela e não soube cuidar de Antônia, como deveria.

      Uma outra foto lhe chamou a atenção: uma de seu pai indo para a guerra. Se lembra perfeitamente daquele dia em que todos pensavam que, por ela ser bem pequena, não entendia o que se passava. Mas de tanto ouvir a mãe Judith reclamar para Theodoro Kurten que não queria que ele fosse para a guerra, que essas palavras ficaram marcadas em sua memória. Judith chorava muito e Antônia ficava brincando e prestando atenção em tudo. Não entendia porque a mãe chorava, mas sabia que algo de ruim aconteceria. Disfarçava a angústia cantando e conversando sozinha, com suas bonecas, num canto, sempre perto da mãe.

      Nesse dia Theo acordou muito cedo, as malas já estavam arrumadas, o uniforme bem passado, botas engraxadas e uma lágrima sempre no olho esquerdo. Antônia não sabia porque o pai só chorava no olho esquerdo, mas se conformava que nem todos eram assim quando via sua mãe chorar nos dois olhos.

      Antônia ainda estava dormindo quando o pai foi até seu quarto se despedir. Antônia sabia que ele iria para longe e que não tinha data para voltar. Não tinha noção de tempo, então não importava se era muito ou pouco tempo. Sabia que demoraria. Theo pegou-a no colo, encheu-a de beijos e abraços apertados e disse que logo voltaria. Sua mãe soluçava e com isso a pequena desabou num choro sem fim não conseguindo falar nada para o pai. Apenas o agarrava pelo pescoço e chorava com a boca bem aberta, sem soluços, apenas um grito de choro, depois outro, depois outro.

      Ficaram alguns minutos assim e depois Theo Kurten colocou a pequena na cama, que continuou chorando, e se foi.

      Essa é a última lembrança que tem do pai. Ele morrera na guerra.

      Antônia, agora uma jovem senhora, pegou a foto e a colocou no peito, apertando-a. Queria aquele momento só para ela. Não se lembrava dessa foto que fora tirada por sua doce mãe, como recordação de um momento triste e esperançoso de uma breve volta que não teve. Hoje, quem sabe, Judith não esteja com seu pai, cuidando da filha amada, de onde estão, protegendo-a e amando-a, como sempre fizeram.

      Ela guardaria essa foto até seus últimos dias, mas antes contaria para seus filhos sobre essa data triste que levou seu pai para sempre.

      Fim.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Mulher

Eu

Participando do Projeto Bloínquês 
9ª Edição Solte o Verbo. Tema: Mulher

O despertador toca as seis horas em ponto mas já estou acordada há cinco minutos. Não abro os olhos... Ainda sinto necessidade de dormir mais umas duas horas. Dois minutos depois o despertador me chama de novo, continuo imóvel, ignorando-o e tentando fazê-lo desistir de me perturbar. A noite foi difícil, acordei várias vezes e tive pesadelos. Mais uma vez o ingrato grita nos meus ouvidos. Não tem jeito, tenho que me levantar.

Ainda sonolenta, vou ao quarto de meu filho acordá-lo. Ele mal consegue abrir os olhos. Será que também não dormiu bem? Não. Adolescente é sempre assim. Enquanto me ajeito e depois arrumo a cama volto ao quarto do meu filho e ele nem se mexeu. Acordo-o novamente e espero que abra os olhos e se levante. Coisa chata ter que ficar chamando filho mais de uma vez para se levantar.

Vou para a cozinha preparar o café, colocar comida para os cachorros, dar uma limpada rápida na sala, lavar alguma louça que ficou suja na noite anterior, enfim, o dia começa com tudo.

Ligo o rádio e ouço as músicas de flash back que tanto gosto. Uma atrás da outra. Recordações me vêm à memória e paro o que estou fazendo e fico pensando como o tempo passa rápido demais. Ainda ontem eu trabalhava numa grande empresa, andava bem mais arrumada, salto alto, batom, cabelos impecáveis... E hoje, por trabalhar em casa como autônoma, não vejo motivos para me arrumar. Quer motivo maior que eu? Penso. Vou ao meu quarto e me olho no espelho. Não me reconheço, não gosto de me olhar, mas mesmo assim pego o batom vermelho e passo. Ficou bom. Completo com lápis e máscara nos olhos. A roupa não combina. Vou ao guarda roupas e escolho uma mais nova. Pronto! Perfeito! Salto alto... Ah, os saltos altos de minha juventude... sabia muito bem como usá-los. E tinha aos montes, de todas as cores e de todas as alturas. Coloco um que não me machuque enquanto trabalho. Ótimo!

Volto para o trabalho e começo a cantar um embromation inglês fajuto de uma música que toca na rádio.

Anos oitenta. Como era bom aquele tempo! Bailinhos, paqueras, dançar com rosto colado, namorar... Tudo sem quebrar nenhuma sequência. Primeiro tinha que conhecer o moço muito bem para só depois dar as mãos e quem sabe beijar na boca. Fiz uma conta rápida e percebi que faz tempo que não namoro. Anos! Como é que eu deixei passar tudo isso? Filhos pequenos para cuidar? Casa para organizar? Contas para pagar? Falta de dinheiro para passear? Depressão, mágoa, pânico... Solidão? Tudo junto!

Acho que não sei mais como é sair e conhecer homens, namorar... Será que ainda encontro algum romântico de minha época, que siga todas as etapas? Será? Morro de vergonha! Tudo passou muito rápido e me esqueci que ainda tenho uma vida. Será que é feio recomeçar agora, na idade em que estou? Vão me achar ridícula?

Meus filhos já estão crescidos, já se viram sozinhos, não são tão dependentes da mãe, então... Eu vou!

Sim, estou viva! Ainda tenho muito que viver, sentir, amar, sorrir... ser feliz. Agora é a hora! Mas, por onde começo?


quarta-feira, 13 de março de 2013

Mulheres que Admiro


Participando da Blogagem Coletiva de Patrícia Galis. Cliquem AQUI!

Nem precisa falar muito. Só pela foto já dá para saber porque são admiráveis.

Madre Teresa de Calcutá

Maria da Penha Fernandes - Lei Maria da Penha

Mara Gabrilli - Deputada Federal

Chiquinha Gonzaga

Fernanda Montenegro

Lidiane - Mulher de Toni Ramos

Zilda Arns

Mãe adotiva Flor de Lis com seus vários filhos adotados

Ingrid Bettancourt


- Mães que criam seus filhos sozinhas, com jornada tripla de trabalho e mesmo assim dão conta. Mesmo discriminadas por uma sociedade machista, vão à luta, batalham pela sobrevivência e educação dos filhos. Não desistem, mesmo quando tudo dá errado, sabem contornar a situação e recomeçar quantas vezes for preciso. Amam e nem sempre são amadas como gostariam e mereciam e mesmo assim, continuam com a força de uma leoa e a doçura de um anjo. Mesmo com a pele marcada com machas de sol, rugas precoces, lábios ressecados, conseguem ser felizes e sabem que a vida, apesar de tudo, vale a pena.

- Minha avó materna Cecília, Vó Dida, que me ensinou, me amou e foi muito amada. Uma doçura em forma de pessoa, um anjo que agora está no céu.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Olhos nos Olhos


Quando você me deixou, meu bem,
Me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
Mas depois, como era de costume, obedeci.
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando,
Me pego cantando, sem mais, nem porquê.
Tantas águas rolaram,
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você.
Quando talvez precisar de mim,
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.

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Música linda de Chico Buarque com um assunto polêmico: amor e ódio, amor e vingança. A música é praticamente um desaforo de uma pessoa que foi abandonada e passa a arquitetar uma vingança para quando quem a abandonou, de repente, vê-la.

Amor e ódio caminham tão próximos que alguns não conseguem distinguir um do outro. O ódio não é o contrário do amor. A indiferença sim, é o contrário.

Para algumas pessoas é tão difícil entender que o sentimento "amor" acabou, que continuam amando, odiando, por anos e anos, e resumem sua vida assim, como na música, se melhorando, se cuidando, vivendo a vida só para mostrar para o outro que ele não faz falta.

Tão mais simples esquecer tudo e fazer a fila andar...

"Eu não te amo mais", frase difícil de assimilar.

Muitos inconformados ainda pensam que podem reverter a situação e voltar ao que era antes, mas quando o cristal quebra, nunca mais será como antes.

E tem aquelas pessoas que acham que têm o domínio completo do outro, como se fosse um objeto, que podem desprezar e depois resgatar passando uma borracha no passado e continuar o inferno de sempre.

Quando ainda se sente amor, tudo vale a pena, mas quando uma das partes não sente mais nada, o melhor é não ficar cultivando esse sofrimento, essa tristeza de ter perdido, de ter acabado. Acabou. Simples.

O ser humano é capaz de amar muitas vezes e quem sabe a pessoa que está por vir não será aquela em que o amor fluirá tranquilo, gostoso, como você sempre quis?

Não insista!

Viva para você, se cuide para você, não espere o "dia" para provar para o outro que, com certeza, nem sabe mais de sua existência, que o término de da relação só fez melhorar sua vida. Melhore sua vida para você e não para provar isso para outras pessoas.

Como diz madre Tereza de Calcutá: "A vida é entre você e Deus. Nunca foi entre você e os outros".

Um mundo enorme, com bilhões de pessoas, e algumas ainda insistem em algo que já acabou. Acabou!
 


sexta-feira, 1 de março de 2013

E Então Acordei Assustada


Participando do Projeto Bloínquês - Contos
Tema: E Então Acordei Assustada.
Cliquem e participem!

      Não sei como esse homem me achou, só sei que corria muito dele por uma estrada comprida, levantando as saias de meu vestido, que vez ou outra me faziam cair naquela terra úmida, pós chuva, cobrindo meus joelhos com lama. Rapidamente me levantava e continuava correndo. Olhava para trás e ele continuava a me perseguir, quase me alcançando.

      O vento frio de outono cortava meu rosto e jogava meus longos cabelos cacheados para trás, esvoaçantes e rebeldes, balançavam em harmonia e tapavam meu rosto quando virava para trás. Continuava a correr. Já estava escurecendo e não tinha para onde me esconder. De um lado da estrada um abismo com o mar azul escuro aumentando a maré e batendo nas pedras, espalhando espuma branca por toda a orla. Do outro lado uma floresta fechada, um labirinto que se alguém se arriscasse a entrar, com certeza não sairia nunca mais. O homem me perseguia, eu gritava mas a voz embargava. Comecei a ficar ofegante e meus passos diminuíram. O homem me alcançou, puxou-me pelos cabelos fazendo-me encurvar o corpo para trás. Olhou bem nos meus olhos e deu um sorriso sarcástico. Eu cuspi no seu rosto e ele me deu um beijo na boca. Nojo! Limpei meus lábios com o braço, esfregando várias vezes, tentando tirar o gosto de álcool, com hálito quente daquela boca carnuda.

      Ele me puxava pelos cabelos, arrastando-me pela estrada até encontrar um caminho numa rua estreita que seguia direto para o farol, que ficava à beira do mar. Este estava bem agitado.

      Naquela época, mais precisamente em 1832, as jovens eram sacrificadas quando não queriam se casar com os homens que as escolhiam. Se revoltavam, se rebelavam, mas de nada adiantava. Acabavam mortas, ou enforcadas, ou lançadas num penhasco que tinha o mar como chão. 

      Era para esse lugar que o homem forte, bonito, mas nojento, vestindo roupas mal cheirosas, cabelos pretos e longos, barbudo e um nariz comprido e pontiagudo que parecia o bico de um papagaio, me levava.

      Me segurava pela cintura, me levantando e me mandava ficar quieta. Gritava, mas minha voz continuava embargada; então ele repetia várias vezes, mas sem precisar gritar, para eu ficar quieta. Eu me debatia, tentando me livrar de seus braços, mas a força do homem era infinitamente maior que a minha.

      Ainda me segurando pela cintura apenas com um braço subimos a escada em forma de caracol e chegamos ao topo do farol. Grandes janelas nos mostravam o céu com algumas estrelas e o Sol se pondo do outro lado, da floresta. O mar batia nas pedras e fazia um barulho ensurdecedor; gaivotas voavam por ali tentando pegar algum peixe que estava mais na superfície. Um vento gelado uivava competindo com o barulho das ondas e do canto das gaivotas. Entrava pelas janelas e esvoaçava nossos cabelos, quase que entrelaçando-os, num balé de quase fim de ato.

      O homem me levou até uma janela que ficava do lado mais fundo do mar, segurou meu rosto e me mostrou a linda paisagem. Cochichou alguma coisa no meu ouvido que não consegui entender, com sua enorme mão me segurando do queixo me virou bruscamente o rosto de frente para o seu e mais uma vez me beijou fortemente. Mordi seu lábio inferior que sangrou, então ele se afastou e me deu um tapa no rosto, ainda me segurando firme pela cintura, com seus longos braços entrelaçados. Continuava a me debater, mas estava praticamente imóvel e exausta. Ele começou a me xingar, mas não conseguia entender nada do que ele dizia. Sabia que estava xingando pela expressão de ódio em seu rosto. Mais uma vez ele moveu meu rosto, me mostrando a paisagem que seria a última visão que eu teria. Tentava gritar e não conseguia.

      Num movimento rápido, ele me levantou e me sentou no parapeito da janela. Olhei para baixo e senti vertigem. Gritava, mas era inútil. Mais uma vez ele cochichou algo no meu ouvido e me empurrou para o abismo.

      Neste momento, gritei tão alto que as gaivotas voaram assustadas todas para um mesmo rumo. Segundo a segundo eu via aquele homem se distanciar de meus olhos enquanto eu caía. Um frio tomou conta de meu corpo, meus cabelos longos taparam meu rosto antes mesmo de meu corpo tocar o mar agitado. Parecia que a queda não teria fim. Senti falta de ar, como se minhas narinas estivessem fechadas e meu grito abafado tivesse cortado minha garganta impedindo a saída do ar. Fui caindo e desfalecendo. O barulho do mar era cada vez mais forte, mas já não me importava de morrer. Queria me livrar daquela sensação de morte. Queria a morte de uma vez por todas. Praticamente já sentia as gotas do mar respingando meu corpo. Abri os braços e me entreguei!

      E então acordei assustada, sentindo falta de ar, arrepiada e suando frio. Acendi a luz e fiquei olhando para o teto. Cobri meu corpo dos pés até o nariz, deixando somente os olhos de fora. Que homem era aquele? Não me lembrava de seu rosto, apesar de tê-lo visto nitidamente durante o sonho. Liguei a TV e o rádio. Aquele pesadelo não saía de minha cabeça e até olhei debaixo da cama para ver se o homem estava por lá. Tomei coragem, levantei-me e fui até a cozinha beber água. Estava tremendo. O silêncio da noite era medonho, então voltei para o quarto, me cobri de novo e assim fiquei tentando não dormir com medo de sonhar de novo com aquele homem estranho e asqueroso que queria me matar.

      Será que foi algum resquício de uma vida passada? Comecei a ligar o sonho com o meu pavor de altura e de mar. Será que fui visitar e reviver uma encarnação passada? Que importa isso?  Minha vida é agora!

      Fim.

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Um ótimo fim de semana para todos!
Eu voltarei somente dia 11/03.