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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Uma Linda História de Amor

Assistam o vídeo. É lindo! 


De todas as dores que passamos, mesmo com muitas decepções, ainda sim nos entregamos para um próximo amor, com as mesmas esperanças, a mesma vontade, a mesma emoção e um pouco mais amadurecidos. O amor é o mesmo, mas de forma diferente. Cada fase uma nova sensação, mas o amor, ah, este é teimoso demais para nos abandonar... teimoso e maravilhosamente cego.

Que todos tenham uma ótima semana!


sábado, 28 de setembro de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 22ª Edição



Mas que tapada essa mocinha desse livro! Vontade de dar uma voadora na cara dela pra ver se acorda pra vida. E o rapaz com cara de paisagem.

 Participando da Blogagem Coletiva Escritos Lisérgicos. Vamos participar? Cliquem no link.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vencendo o Medo


Participando da Blogagem Coletiva do Blog M@myrene. Vamos participar?

      Mais um fim de semana de tortura para Rafael, pois mais uma vez iriam para a casa nas montanhas. Não gostava de lá pois seu pai sempre insistia em levá-lo para a casa na árvore e a empurrá-lo naquele balanço medonho. Nunca havia sentado naquele balanço pois dava a impressão de que voaria e saltaria para o abismo, mesmo sabendo que não havia abismo nenhum. Era só ilusão de ótica de quem estava do lado da casa, mas indo até a beirada, uma descida os levavam até o riacho cristalino que ficava logo abaixo.

      Mas cabeça de adolescente viaja em mundos imaginários trazendo sensações nem tão boas a ponto de vencer fobias. Rafael tinha pavor de altura. Até uma simples escada de quatro degraus já deixava-o agoniado.

      O tempo estava bom, com ar fresco e pouco vento. Uma neblina cobria parte das montanhas dando a impressão de estar andando entre as nuvens. Rafael olhou para seu pai, adentrou a casa e jurou não sair dali até o momento de irem embora.

      Renato, o pai, ria do filho chamando-o de medroso. Rafael nem se importava e continuava assistindo a TV.

      Com todo o cuidado, Renato começou a conversar com o filho, dizendo que o medo é bom, que é o nosso moderador de atitudes e que devemos sempre respeitá-lo. Mas que a casa na árvore e o balanço não representavam perigo nenhum. Elogiou o filho várias vezes até convencê-lo a se sentar no balanço. O pai prometera não ir além do medo do rapaz.

      Rafael se sentou de costas para o abismo e o pai empurrava-o com moderação. Ele usava os pés para frear o impulso do pai, diminuindo a velocidade do pêndulo medonho. Depois de algumas empurradas o rapaz já não encostava mais os pés no chão. O vai e vem ficava cada vez mais longo e a sensação era de liberdade, mesmo ele permanecendo a maior parte das vezes de olhos fechados. Com coragem abriu os olhos e inclinou o corpo como se ajudasse a dar um impulso mais alto. O pai vibrava e aplaudia o jovem rapaz.

      Com mais outra conversa, Renato convenceu Rafael a se sentar frente ao abismo. Explicou que não havia abismo nenhum, que caso ele caísse, havia grama macia para protegê-lo, e se ele se segurasse com firmeza, não cairia jamais!

      Depois de olhar o buraco suspeito Rafael aceitou o desafio e começou tudo de novo, agora vendo as nuvens praticamente aos seus pés. Um impulso mais forte levou Rafael ao alto deixando-o de olhos arregalados e queixo caído.

      Não quis balançar por muito tempo pois a emoção do dia já tinha sido cumprida. Desceu do balanço, pernas bambas, foi até o pai e abraçou-o. Mesmo tendo somente quatorze anos não tinha vergonha de demonstrar emoções com os pais. Renato parabenizou-o e disse que o medo continuaria, mas agora saberia seu limite e até onde poderia ir.

      Fim.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Amor ou Desamor?


Essa semana na novela Amor à Vida, Rede Globo, 21 h, um triângulo amoroso, um jogo de posse, paixão sem limites e uma doença no meio.

Silvia, casada com o médico Michel, descobre um nódulo no seio e terá que fazer uma mastectomia.

Patrícia, amante de Michel não controla sua paixão pelo médico e se encontra com ele nos lugares mais inusitados, com o "consentimento" da mulher dele, Silvia.

Até aí tudo bem, como muito acontece por aí, mas Silvia apela para a emoção e compaixão de Patrícia pedindo para que ela deixe seu marido, pois não suportaria lutar contra essa doença sem a presença dele.

Como é novela,  Patrícia vai se comove e abre mão de seu amor por causa de uma doença grave.

É difícil saber onde existe amor nesse triângulo. Vendo uma mulher, mesmo culta, formada, bem-sucedida e linda se rebaixar a ponto de permitir que o marido tenha uma amante e depois usar uma doença para chantagear a amante pedindo para que ela o abandone, é muito desamor, autoestima baixa e carência. Longe desse gesto ser considerado amor.

Quando amamos queremos ver a pessoa bem, existe o respeito, a admiração e o sofrimento também. Mas mesmo a mulher sabendo que o marido não a ama ainda assim luta com todas as armas que tem para reconquistá-lo. Seria possível uma pessoa viver ao lado de outra mesmo sabendo que não existe mais o amor? Sim, claro que é possível. E como ficaria o marido quando descobrir, sim, porque mentira um dia se mostra, que a mulher chantageou a que ama só para reconquistá-lo?

Uma mentira leva a outra, depois a outra, depois a outra e de repente é tarde demais.

Existem pessoas manipuladoras que destroem a vida do outro. E isso não é porque a pessoa destruída permite, mas sim porque quem ama demais, ama mais o outro do que a si mesmo.

Ficar mendigando amor e atenção é muito constrangedor. Saber que uma pessoa está a seu lado por piedade, por comodismo ou por outro motivo que não seja amor, é viver numa dúvida eterna se o(a) parceiro tem outro(a) ou não por aí.

E a amante sabendo que o casamento dele já acabou e que começou seu relacionamento com ele quando já estava separado? Por que sempre a vida do outro tem mais importância do que a dela? Por que abrir mão de um amor por conta de uma chantagem? Será que é tanta bondade assim? De toda maneira a mulher terá que passar por cirurgia, sofrimento etc, e se acontecer o pior, a amante se sentiria culpada pelo resto da vida? E se a mulher conseguir se recuperar e por piedade o marido fique com ela para sempre?

Não sei qual o pior. Acho que vidas valem muito e não sei se vale a pena abrir mão ou chantagear só para benefício próprio. A vida dá muitas voltas e quem sabe logo mais adiante exista uma outra pessoa que irá amar a mulher que chantageou o marido, mas ela não saberá porque estará presa num amor só dela e não correspondido. E por outro lado talvez a amante não será feliz com mais ninguém, pois ficou um caso mal resolvido no passado.

E pensar que essa situação é mais comum do que imaginamos. Triste, lamentável, infeliz.

Olha, não estou defendendo nem a amante e nem a mulher doente. É só um pensamento indignado, ok?

O que acham?


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Saudade - Conto Sensual


      Ester, depois de um dia com muito trabalho e problemas resolvidos, voltava para casa caminhando, com a sensação de dever cumprido. Resolveu passar por outro caminho, por uma avenida movimentada que cortava a cidade. Queria sentir a brisa do fim de tarde, o barulho dos carros, o comércio fechando as portas e apesar do sapato não ser tão confortável para caminhar, resolveu arriscar umas prováveis bolhas que formariam. A tarde estava linda, fresca, e com o horário de verão ainda chegaria em casa com o sol quente.

      Na avenida pessoas caminhavam exercitando-se. Se lembrou que precisava urgente se matricular em uma academia. Ao atravessar uma rua um carro que aguardava o sinal verde buzinou insistentemente e Ester ouviu alguém chamá-la. Olhou e não reconheceu a pessoa. O rapaz chamou de novo, estacionou por ali mesmo e caminhou em sua direção com os braços abertos.
     
      - Jorge! - ela abriu um sorriso e quase desmoronou por ali mesmo.

      - Oi, sumida, por onde você anda que nunca mais te vi? - respondeu Jorge, chegando perto já com os braços abertos esperando um abraço apertado.

      Depois de falarem um do outro, chegaram à conclusão de que a última vez em que se encontraram foi há vinte anos. Como o tempo voa, disseram praticamente juntos.

      Algumas rugas, uns cabelos brancos, uns quilos a mais, mas o brilho nos olhos era o mesmo. Bastou o toque na pele para aquele arrepio dar o ar da graça e o tempo voltar naquele dia em que se separaram. Cada um se casou e foi viver a vida. Agora ambos estavam separados e os olhos mais brilhantes do que nunca.

      Jorge ofereceu carona para Ester que aceitou prontamente. Entraram no carro, mas antes de dar a partida ele olhou-a fixamente, derrubando-a, como sempre fazia, deixando-a corada de vergonha. Nada havia mudado dentro deles, dentro dos corações, as emoções, a excitação, a vontade de tocar, de beijar, enfim, de grudarem um no outro.

      Jorge disse que não a levaria para casa naquele momento. Ester concordou e foram para um motel.

      Mal chegaram e Jorge já tomou-a nos braços, ainda dentro do carro, dando-lhe um beijo inesquecível, intenso, molhado, deixando Ester toda trêmula e não conseguindo controlar suas mãos. A excitação era tanta que Jorge a colocou em seu colo, de frente a ele. Ester se sentiu uma jovem, com todas aquelas emoções, sensações, e se entregou totalmente, sem medo, sem vergonha, sem pudores. Jorge adorava isso em Ester, pois apesar de tímida era a mulher dos sonhos, a mulher perfeita no sexo, que retribuía e aceitava todos os jogos e brincadeiras. Bastava uma troca de olhares e já sabiam o que queriam.

      Jorge se perdeu nos braços de Ester. Não sabia como aguentou ficar tanto tempo longe daquela boca quente, da pele macia, da respiração ofegante, do toque suave de suas mãos, dos cabelos sedosos e, mesmo depois de tanto tempo, continuava a mesma mulher sedutora de sempre, que o enlouquecia e tirava-lhe o prumo.

      Ester não queria mais perder um segundo de um tempo precioso e explorava o corpo de Jorge com as mãos e com a boca, com os lábios entreabertos, e também lamentava ter vivido tanto tempo sem aquele cheiro de homem, aquele gosto afrodisíaco de sua boca, os braços a lhe entrelaçar deixando-a imobilizada e quase sem fôlego... Morreria em seus braços naquele momento e levaria consigo os poucos instantes de entrega e roubo de emoções, de prazer, de ternura, de carinho... 

      O que Ester adorava em Jorge era justamente esse ímpeto de possuí-la sem ficar pedindo ou falando o que queria fazer. Simplesmente fazia. Simplesmente conhecia seu corpo, lia seu arrepio, sabia os locais do toque, do beijo, do sexo, e falava baixinho em seu ouvido tudo o que ela amava ouvir.

     Não se importavam se o carro era um lugar desconfortável, para eles qualquer lugar era lugar, qualquer canto era um mundo de dois que se transformava em um, que queriam entrar um dentro do outro para nunca mais sair.

      Foram para o quarto e se jogaram na cama. Perderam a noção do tempo. O que importaria o tempo num mundo onde não havia hora marcada? Não tinham que dar satisfações para ninguém, então o tempo que esperasse a vontade deles.

      Entre um carinho e outro, ficavam se olhando e lamentando o tempo perdido nesse espaço enquanto ficaram longe um do outro. Não sabiam explicar porque se separaram e nunca mais se viram. Não se conformaram de não estarem juntos desde sempre... A vida prega peças e desenha rumos diferentes, mas o destino entende quando há união de corpos e volta atrás redesenhando o caminho inverso, transformando os corpos em ímãs.

      O reencontro, o brilho nos olhos, o coração pulsando, os corpos colados, não sabiam até quando, mas enquanto estivessem juntos, o mundo e o tempo seriam deles.

      Fim.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Paciência


Participando da Blogagem Coletiva da M@amyrene. Contar histórias, poesias, contos, ou seja o que for, para quem gosta de viajar no imaginário, é perfeito!

      Pietra, inquieta, não sabia se bufava olhando para aquela maldita porta ou se ia para a rua esperar o digníssimo marido chegar. Já estavam atrasados para o casamento da sobrinha da vizinha e ela não suportava chegar atrasada em nenhum compromisso. Quer dizer, não é bem um compromisso, mas já que foram convidados por que não chegar na hora combinada?

      Raul não queria ir de jeito nenhum. Sábado à tarde era dia de futebol com os amigos, depois cerveja, papo, besteiras, enfim, dia de se desconectar do mundo adulto e relaxar. Apenas um dia e nada mais. Mesmo assim Pietra insistia em tirar-lhe esse único dia sagrado com os amigos.

      Para evitar brigas, discussões em público, discutir relação, Raul sempre concordava com Pietra, mas nem sempre cumpria com que ela impunha. Às vezes dava um perdido na mulher e inventava uma desculpa qualquer. Isso era a morte para Pietra, pois sabia que ele fazia de propósito só para deixá-la irritada.

      Mas no final das contas se entendiam muito bem, o amor predominava sempre e amanhã seria outro dia.

     Pietra estava toda arrumada, como se fosse a madrinha da noiva. Muito vaidosa gostava de estar sempre assim, bem arrumada, em qualquer lugar que ela fosse.

      Raul era mais largado, não se importava tanto com a aparência, para desespero da mulher que vivia corrigindo-o e arrumando-o. Ele tinha um ótimo bom humor e adorava esse jeito da mulher, de querer enfeitar tudo e todos. Não tinha dúvidas de que Pietra era a mulher de sua vida e repetia isso todos os dias, seguido de um beijo carinhoso e terno. Ela retribuía e se sentia a mulher mais feliz do mundo.

      Quase em cima da hora chega o marido desleixado fazendo com que Pietra praticamente o empurrasse para debaixo do chuveiro e ela mesma o ensaboasse, para agilizar e não chegarem tão atrasados no casamento. Raul, todo sossegado, cantarolava e ria para a mulher, que ficava reclamando e não olhava em seus olhos, pois se assim o fizesse, com certeza se atiraria em seus braços, debaixo do chuveiro.

      Finalmente o casal saía de casa, com atraso, claro. Chegaram na igreja, a noiva já no altar, e devido ao barulho do salto de Pietra tilintando no assoalho de madeira todos olharam para trás para ver quem eram os atrasados para a cerimônia. Cochichos, risadinhas, caras feias, nada disso tirava o humor de Raul, que foi andando tranquilamente e cumprimentando todos, mesmo não conhecendo ninguém.

      Se sentaram e logo se levantaram pois a cerimonia já estava no final. Ele olhou para a mulher e caiu na risada. Ela, sem jeito nenhum, não conseguiu segurar e também soltou uma risadinha discreta. Por educação, foram os últimos a saírem da igreja e resolveram não ir à festa. Raul fez um convite tentador para a mulher e esta apenas lhe respondeu discretamente no ouvido: sim!

      E assim, seguiram todos, a multidão para a festa e o casal para um lugar secreto, onde só os dois conheciam, ou só os dois faziam de conta que ninguém sabia de nada. Mas que importância teria isso numa tarde de sábado maravilhosa?

      Fim.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Que Situação!


Então, filhos crescem, ficam adolescentes, se apaixonam e arrumam namorado. Ainda bem! Menos mal! Que bom, filha! Quem é? Quantos anos? Estuda onde? Ele é bom com você? Mora onde? Enfim, um questionário básico com o genrinho.

Ser sogra de primeira viagem não é fácil e, claro, tinha que acontecer algum mico gigantesco.

Mas isso aconteceu há uns anos, com o primeiro namorado de minha filha.

Primeiro ela me apresentou o rapaz no portão de casa, sem que entrassem. Depois, com o passar dos dias e o namoro indo bem, resolveu então levá-lo para dentro de casa. Até aí tudo bem.

Ele chegou, entrou, nos cumprimentamos, eu sentada no sofá assistindo um filme num canal a cabo, que nem me lembro o nome nem quais atores, minha filha foi para o quarto pegar algo e ele ficou na sala, atrás de mim. Ele perguntou o nome do filme, eu disse, falou mais alguma coisa e... Começou a passar uma cena de sexo, tipo sexo selvagem.

Silêncio total no recinto. Ele atrás de mim e eu sentada no sofá com o controle da TV na mão, praticamente morta, branca e quase embalsamada. Ele só disse "ui" e ficou ali até minha filha voltar.

A cena aconteceu em segundos, mas foram os segundos mais longos do mundo.

Minha filha voltou e logo os dois saíram. Aí sim, respirei e morri de rir. Gente, vocês têm ideia de como fiquei? O rapaz tinha dezesseis anos! Ainda bem que minha filha não viu nada.

O tempo passou, ele continuou a frequentar minha casa e ninguém nunca tocou no assunto. Depois terminaram, enfim.

E tempos atrás minha filha me lembrou desse episódio e disse que ele contou à ela. Pronto, morremos de rir de novo, de dar nó na barriga, de ficar sem ar.

Como a gente é besta, né?


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Engolir Sapos ou Soltar os Cachorros?


No meu tempo de menina, as crianças eram educadas a serem "educadas" com todos. Não podia isso porque não, não podia aquilo porque é falta de educação, não podia aquilo outro porque senão fica com fama ruim na cidade, não podia aquilo outro porque senão ia para o inferno... E as definições eram infinitas.

Mas não nos ensinavam como engolir sapos e ficar calada. E é claro que tinham os psicólogos, os formadores de opinião que incentivavam a ficar calada durante uma discussão. Eu ficava pensando, e os pais daquelas pessoas que tinham o hábito de agredir, não deram educação? Quem educou os mal educados?

Depois, em outra geração, a dos meus filhos, o que aprendi a engolir, "desensinei" a eles. Quer dizer, ensinei, é claro, a sempre ter educação, em qualquer lugar, mas também ensinei que se algo incomoda, se alguém ofende, maltrata, não é bom ficar calado. Não digo que tem que brigar, mas responder de uma forma em que a pessoa pelo menos saiba que não está falando com um idiota. Que se quer respeito, tem que primeiro respeitar.

E é assim que eu penso, depois de tantas cabeçadas, tantos sofrimentos por palavras que ficaram entalados em mim, me causando até traumas, hoje falo o que penso, respeito todos, mas gosto de ser respeitada também. Não incentivo uma discussão mas também não fico calada suportando o que não mereço.

Os psicólogos defendem essa atitude também, de não ficar calado, de não ter medo de expor seu modo de pensar e agir, enfim, de não guardar o que não lhe pertence.

Padre Fábio de Melo, em um de seus vídeos, fala exatamente isso: não colocar nas costas o que os outros dizem e que você sabe que não é, que não lhe pertence. Nesse caso melhor ficar calada porque discutir com quem não sabe ouvir, é perda de tempo.

Engolir sapo é horrível porque nunca mais nos esquecemos do agressor e de suas palavras afiadas. E digo que ficamos até arquitetando uma vingança caso a pessoa diga isso, responderemos aquilo, na lata! E a vida passa, os dias voam e quem agrediu nem se lembra mais da nossa existência. E quem engoliu o sapo, se lembra até da roupa que a pessoa usava quando agrediu.

Sou a favor, sempre, da gentileza, da educação, da tolerância, dos bons modos, mas tem atitudes que não dá só para aguentar. E tem gente que é assim mesmo, fala pelos cotovelos sem se importar se está humilhando ou agredindo e tem gente que não consegue ter uma atitude de responder a uma agressão e com isso guarda mágoa pelo resto da vida. Isso adoece a alma e o corpo.

Se existisse o respeito, a boa conversa e saber que cada um é de um jeito e pensa de uma forma, ficaria muito mais fácil. Mas o ser humano é assim mesmo, carregado de defeitos e uma explosão de emoções.

Difícil isso!

O que vocês acham? Calar ou responder?


sábado, 14 de setembro de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 21ª Edição


É hoje ou nunca! Ou essa neve cai logo ou não saio daqui nem desencarnada! Queria tanto ver a neve...

Participando da Blogagem Coletiva do Blog Escritos Lisérgicos. Vamos participar? Cliquem no link!


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Curtinho


Post curtinho hoje!

Acordei e me esqueci, que ontem estava sofrendo.

Como sempre acordei com música e ela me fez companhia todo o dia.

Cantei, cantei, cantei e não sofri.

Navegando por aí, sorri. E me lembrei de que me esqueci de que sofri.

No caminho de minha casa até a padaria, vi o que antes não me chamava a atenção.

Algo que sempre esteve ali, mas como sofria, não via então.

E isso me fez sorrir.

Percebi que o amor que está em mim é imensamente maior do que qualquer dor que vez ou outra tenta se infiltrar em mim.

Que besteira! Passa tão rápido como um suspiro, um piscar de olhos...

Aos olhos de Deus um segundo é uma eternidade... Podemos cultivar o amor ou o sofrimento eternamente. Eu prefiro o amor, sempre.

Qual foi a última vez que fizemos algo inusitado, novo, com vontade de fazer?

Um ótimo fim de semana!


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Um Protetor


Participando do Momentos de Inspiração - 9ª Edição, do blog da querida M@myrene. Vem, gente, participar também!

      Anícia, agora sozinha em casa, pegou Diamante Negro no colo e começou a andar pela casa. Não sabia se conseguiria dormir, mas tentaria pelo menos fechar os olhos. Deixaria a TV e o rádio ligados, pois não suportava o silêncio. Sempre achava o silêncio muito barulhento.

      Seus pais haviam viajado, passariam o fim de semana fora e Anícia insistiu em ficar sozinha, pela primeira vez. Então os pais confiaram nela para cuidar da casa e de Diamante Negro, o xodó da família. Era um gato preto arredio, não gostava de colo e muito menos de brincar com Anícia. Os dois não se davam muito bem pelo temperamento forte de ambos, que gostavam de comandar o lugar onde estavam. Anícia sempre o expulsava da poltrona verde, que ficava perto da janela, na sala de visitas. Gostava de se sentar nela para ler seus romances mamão com açúcar. Uma contradição para quem era agitada, como dizia sua mãe, ler romances sonsos e depois sair por aí toda estabanada, derrubando tudo. Mas eram justamente esses romances que acalmavam Anícia, que viajava nas histórias e sonhava com os lugares mágicos, e, claro, inexistentes.

      Anícia era mesmo uma contradição em pessoa. Não se interessava pelos moços que se aproximavam e nem pelas baladas que suas amigas insistiam em levá-la. Preferia ficar em casa lendo ou assistindo a algum filme de terror. Morria de medo do silêncio mas amava filmes de terror. Nasceu com a avó atrás do toco, como dizia sua madrinha de batismo. Mesmo assim era adorável, educada, bem humorada e linda.

      Já passava da meia noite e Anícia ainda caminhava pela casa verificando se estava tudo em ordem e deixando todas as luzes acesas. Diamante Negro dormia na poltrona verde. Anícia chegou devagar e pegou-o no colo. Ele miou mas ficou quieto, ainda sonolento. Foram para o quarto e Anícia aninhou o gato debaixo das cobertas, bem perto de seu corpo. Não estava frio e Diamante tentava vez ou outra sair daquele calor. Anícia segurava-o com ternura, impedindo que ele saísse de perto dela.

      Na TV um programa de auditório que envolveu Anícia fazendo-a se esquecer de que estava sozinha. Cochilou. Acordou assustada e começou a olhar em volta, puxando as cobertas até à altura do nariz, imóvel, só mexendo os olhos. Diamante dormia tranquilo, perto dela, mas longe das cobertas.

      Anícia olhava as paredes cor de rosa, com alguns quadros de bailarinas e pierrôs e via olhos entre os quadros,. encarando-a. Fechava os olhos e abria de novo e os olhos da parede apareciam novamente. Puxou Diamante para mais perto de si e começou a cantarolar uma música de ninar, que sua mãe sempre cantava quando ela era pequena. Tentava se fixar na TV, mas a parede puxava seu olhar. Arrepiou... Aumentou o som da TV e virou para o outro lado. Fechou os olhos e começou a imaginar aqueles lugares lindos dos romances que lera. Adormeceu.

      Os raios do sol batiam em seu rosto através da janela de vidro, Diamante Negro miava e Anícia custou a despertar. Esfregou os olhos com as mãos, levantou a cabeça e olhou as horas. Já era tarde, mas não importava pois era sábado e não tinha horas para se levantar. Se lembrou dos olhos da parede, se assustou e se virou para olhá-la. Estava lá, cor de rosa, os quadros e sem nenhum olho a fitá-la. Suspirou aliviada, abriu um sorriso e deu um bom dia para o gatinho que ainda miava perto da porta, querendo sair; espreguiçou com vontade, se levantou e foi tomar seu leite com canela e açúcar como sempre fazia todas as manhãs.

      Foi até a janela onde estava a poltrona verde, puxou a cortina e deslumbrou o belo dia que fazia. Estava orgulhosa de ter passado a noite sozinha, tomando conta da casa e de Diamante Negro. Suspirou mais uma vez e pensou que nessa noite não dormiria em seu quarto. Iria para o quarto dos pais, junto com Diamante Negro. Se sentiria mais segura com o cheiro da mãe na cama fofa. Diamante só observava e parecia concordar com Anícia. O quarto era maior, mais arejado, com paredes brancas e uma TV maior. Não sentiria tanto calor debaixo daquelas cobertas em que Anícia insistia para que ele ficasse. Esperou Anícia sair de perto da poltrona e subiu, se aninhando num canto, com os raios de sol fazendo brilhar seus pelos negros, numa manhã ensolarada e preguiçosa.

      Fim.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A Lua e Vênus


Ontem procurei, mas da minha casa não deu para ver a Lua perto de Vênus. O céu estava lindo, limpo, cheio de estrelas e a Lua se escondeu de mim!

Depois entrei em casa e meus cachorros fizeram a maior festa, como se eu estivesse ficado fora um tempão. Quem resiste a uma recepção assim?

Por uns minutos me esqueci dos tormentos, das tristezas, das dores, dos sofrimentos e me deixei seduzir pelo simples, pelo afeto, pelo carinho e atenção, pela beleza do mundo que me encheu os olhos...

Por que não prestamos mais atenção a tudo isso ao invés de ficarmos cultivando o que nos machuca tanto?

Há um mundo imenso para ser descoberto e apreciado e o que nos toma a mente o tempo todo são alguns minutos ou até alguns dias de sofrimento e choro.

Limpar a mente, deixar de repetir os muitos atos negativos e pensar no positivo. Difícil e quase impossível, mas é uma questão de hábito.

Eu sou uma que aprendeu a chorar quando dói e a sorrir quando faz bem, então se há sofrimento, choro, mas não por muito tempo. E aprendi também a observar tudo à minha volta, mesmo estando em casa, entre quatro paredes. Um detalhe diferente que está ali há anos é capaz de nos tirar o foco de algo ruim que nos fez sofrer. E é válido se entregar aos detalhes da vida, observar as pessoas de uma forma diferente, com olhos de ver, como diz uma amiga blogueira que acho que todos conhecem, a Chica, uma querida do mundo virtual.

Olhos de ver, olhos de chorar, olhos de sorrir, olhos de dormir e sonhar... Mesmo alguns sonhos não passarem de simples ilusões. Sonhe, sonhe, sonhe... Acordado, dormindo... Queira rir, queira estar bem, queira superar, queira ousar, queira viver, de braços abertos para o novo, inusitado, impossível!

Que todos esses pensamentos bons, e todas as atitudes boas sejam imensamente superiores às tristezas, às dores e sofrimentos. Somando tudo teremos uma vida feliz!

Por que não? Nós podemos, nós merecemos!

E a Lua linda ainda é comentada por todos, mesmo os mais durões param por uns segundos para olhá-la e admirá-la secretamente. E quem sabe se lembrarem de algum momento num certo dia com uma certa pessoa ou mesmo sem uma certa pessoa, ter um instante de paz e harmonia com o Universo. Os brutos também amam! E Deus sabe o que faz, sempre! Nós é que não sabemos.

Uma linda semana para todos!


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Uma Imagem 140 Caracteres - 20ª Edição


Ir num aniversário de parente? E encontrar o ex com a prima falsa? E tremer tanto que o copo de vinho vai saltar de minha mão e cair aonde? 

Participando da Blogagem Coletiva do blog Escritos Lisérgicos. Cliquem no link e venham participar também!

A Saúde Pública


Pegando carona nessa polêmica dos médicos cubanos, precisei dos serviços do SUS. Mas não é dos médicos cubanos que quero falar, é do SUS.

Tive que consultar um especialista e o tempo que marquei até o dia da consulta demorou um pouco mais de um mês. É muito tempo sim, se fosse de urgência, mas dava para esperar.

A consulta seria as oito horas. Cheguei antes e mesmo assim tive que esperar três horas para ser atendida. Mas não reclamo. Fui muito bem atendida, médico atencioso e gentil.

Mas antes disso fiquei observando tudo, como sempre faço quando vou a lugares públicos. Por que quando é público o ambiente tem que ser feio? Por que vai muita gente? Não digo de sujeira pois estava limpo, mas de feio de mal feito. Piso feito no "tapa", como se não fizessem questão de capricho, paredes mal cuidadas que mesmo pintadas e não sujas, não melha a aparência. Por que a Prefeitura, Câmara e outros órgãos públicos o ambiente é bem diferente? Até ar condicionado tem! Plantas bem cuidadas, quadros, atendentes uniformizados e com crachá, tudo perfeito! Mas quando se trata de órgão público para a saúde, é um caos. Como é por aí, queridos leitores? Só eu tenho essa impressão? Isso é só um detalhe, eu sei, o que importa é o atendimento.

Aqui na minha cidade, pelo menos no dia em que fui, estava tudo organizado, tudo nos lugares, vária lixeiras espalhadas, placas indicativas padronizadas, cadeiras uniformes, enfim, um lugar arrumado.

Sempre nesses lugares o assunto em todos os cantos é sobre doenças. Eu passo mal de ouvir pessoas comentando sobre doenças, feridas, mortes... Não consigo ficar perto. Nesse dia em que fui comentavam sobre tudo e eu só observando. Sinceramente e não é chatice minha, não gosto de bater papo nesses lugares, nem em fila de nenhum lugar. Não tenho paciência. Gosto de ficar quieta no meu canto até ser atendida e ir embora. Não sei explicar, mas sempre fui assim.

E como o povo sofre, não é? Esse povo humilde que depende da saúde pública e de remédios gratuitos. Cada um com sua dor, sua receita na mão, esperançoso de aguentar mais um mês de vida ou até quando Deus quiser.

Gente muito simples, que no frio, vestem muitas blusas, uma calça de tecido fino e chinelo de dedo, mostrando aqueles pés calejados ou até com feridas, inchados, não importa como estão, estão lá porque precisam de ajuda.

Eu, graças a Deus, raramente fico doente e todas as vezes fui bem atendida quando precisei.

Estava sentada e um senhor cego foi chegando com sua bengalinha, não aquelas para deficientes, mas bengala comum, perguntando para quem quisesse responder se havia alguém à sua frente e continuava seu percurso. Nos braços uma sacola e um monte de panos de prato, que ele entrara ali para vender. Um real cada. Quem comprava dava a moeda, ele a colocava no bolso da camisa que ficava escondido debaixo de uma blusa de lã bem surrada e faltando botões. Ele pedia para a pessoa escolher o pano de prato e depois continuava seu percurso. Depois saiu agradecendo todo mundo, quem comprou e quem não comprou. É a vida de gente simples.

E tantos idosos nessas filas que ficam perdidos não sabendo onde é a "moça" que irá resolver seus problemas! E nesse dia vi boa educação e boa vontade dos atendentes. E paciência para quem esperava. Lidar com idosos não é fácil, não é para qualquer um e eles têm dificuldades com tudo. Às vezes não basta uma explicação, às vezes alguém tem que levá-los até o local certo, às vezes não ouvem direito, às vezes não enxergam ou não sabem ler e por isso perguntam muitas vezes a mesma coisa, às vezes vão sozinhos para consultar, saem de lá com várias receitas e ficam em uma outra fila para pegar remédios gratuitos, às vezes ainda têm esperanças de viver mais um tiquinho e quem sabe a saúde melhorar e não precisar mais depender da boa vontade de todos. Difícil, não é?

Esse dia me fez refletir muito sobre tudo, sobre a vida, sobre a minha vida e sobre como será daqui para frente. Me cuidar, me cuidar, me cuidar... Sempre! Principalmente a mente, o bom humor, a leveza em conduzir a vida.

Um ótimo fim de semana para todos!




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Florbela Espanca


Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... Além...
Mais este e aquele, o outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... Pra me encontrar...
Florbela Espanca

Pensador

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca

Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!

Sinto os passos de dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca


Uma querida blogueira, Jussara Neves Rezende, do Blog Minas de Mim, escreveu lindamente sobre Florbela Espanca. Cliquem no link e saibam tudo sobre essa poetiza. 
Conheçam o blog e se deliciem com a forma clara e sensacional que Jussara escreve. Vão adorar! Eu garanto!

E aqui, um link do amigo mais que querido Alexandre Mauj, declamando a primeira poesia. Lindo demais! 



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Primeiro e Último Amor


    Seis meses se passaram depois da morte de dona Isolina, esposa de seu Arnaldo. Casamento de cinquenta anos e três meses, até que ela morreu "de repente", como costumam dizer quem simplesmente morre, sem antes apresentar nenhum sintoma de nada. Foram felizes na medida do possível, com seus altos e baixos, com muitas cobranças por parte da família, que seu Arnaldo achou, num determinado período, que tudo se acabaria. Mas os anos foram passando e tudo foi se ajeitando como tinha que ser. Os seis filhos nasceram, cresceram e formaram família. Agora seu Arnaldo estava sozinho, mas não se sentia solitário e nem infeliz. Ainda tinha muito o que viver, apesar de seus setenta e dois anos, com uma saúde de dar inveja a qualquer jovem e ainda uma última atitude que ele pretendia ir atrás. Agora era a hora.

      Na sua juventude, seu Arnaldo foi um galanteador, um conquistador, que deixou muitas moçoilas apaixonadas e perdidas por ele. Mas uma única moça resistiu aos seus encantos: Beatriz! Linda morena, sensual, cativante e com um sorriso arrebatador. Ela não dava muita conversa para Arnaldo na época, pois já tinha compromisso sério com um outro rapaz, que fora arranjado pela família, como era o costume daquela época. Seu Arnaldo sempre procurava saber por onde andava Beatriz, e quando a encontrava casualmente pelas ruas ficava só de longe a admirar aquela que conquistou seu coração. Continuava bela como era na juventude, muito discreta e também viúva há alguns anos.

      Seu Arnaldo não pensou duas vezes, iria atrás daquela ingrata que nem ao menos lhe ofereceu os lábios carnudos para que sentisse o gosto de uma paixão platônica, por esses longos cinquenta e poucos anos. Agora estava livre para buscar aquele corpo que aos olhos, continuava perfeito; não um corpo sedutor ou jovial, mas um corpo feminino que sempre desejou. Poderia ele, agora, traçar planos, combinar passeios e, quem sabe, se casar de novo. Por que não?

      Só de imaginar esse encontro, ficava todo eufórico, o coração disparava, as borboletas lhe enchiam o estômago com aquele friozinho típico de apaixonado e o deixava mais jovial ainda. Um belo dia, decidido, tomou um bom banho, se perfumou, colocou a melhor roupa e foi à procura da amada, que durante esses anos todos, aguardava num cantinho todo especial nesse coração idoso, porém, ainda capaz de amar e ser amado. Estava se sentindo jovem, bonito, mas não queria ser aquele sedutor de outrora, agora era um simples cavalheiro que estava em busca de sua rainha adorada para lhe oferecer o braço quando saíssem para um passeio, e um lar, quando finalmente o casamento se concretizasse.

      Sabia onde dona Beatriz morava e com um belo buquê de rosas cor de rosa, bateu à sua porta. Ela atendeu e se assustou. É claro que se lembrava dele, apesar de nunca o cumprimentar nas ruas quando se cruzavam por acaso ou por uma premonição do destino que já traçava um final de vida juntos. Convidou-o a entrar e lhe preparou um café. Serviu uma mesa simples, mas muito bem arrumada, com um bolo de laranja que exalava um perfume delicioso por toda a casa. Conversaram a tarde toda, até que seu filho chegou, cumprimentou seu Arnaldo, conversou um pouco e logo saiu novamente. Ficaram os dois sozinhos e seu Arnaldo finalmente teve a coragem de se declarar. A voz embargada não impediu que ele pegasse suas mãos, que agora estavam suando frio e trêmulas, o coração disparado, as pernas inquietas e a respiração ofegante...

      Os olhos de Beatriz brilharam quando ouviu todas as declarações e, sem pensar muito, confessou que aquele sentimento era recíproco, apenas não deu confiança por ele ser muito galanteador com todas, e não queria ser apenas mais uma em sua vida. Pronto! Se abraçaram, se beijaram e começaram um romance.

      Mas seu Arnaldo não queria ficar no romance, queria se casar logo e viver o pouco que lhe restava ao lado de seu grande amor. Dona Beatriz aceitou e marcaram a data. Se casaram, viajaram para uma cidade próxima, pois não queriam perder tempo com lugares distantes. Tinham mais o que fazer do que conhecer lugares. Isso ficaria para uma outra ocasião. Queriam ficar a sós, em sua casa, que fora toda reformada, alguns móveis trocados e muito bem arejada.

      Seu Arnaldo e dona Beatriz nunca foram tão felizes como estavam sendo agora, e isso deixava bem visível para todos que os conheciam. Irradiavam juventude e demonstravam isso para todos que os viam. Que seja por um ano, ou por um mês, não importa! Tinham pressa de viver esse amor que fora guardado esses anos todos.

      Um dia, seu Arnaldo se levantou antes de sua amada, para lhe fazer uma surpresa, afinal já se passara um mês daquela união mais que esperada. Pegou uma bandeja e arrumou um lindo café da manhã, com um solitário com uma rosa cor de rosa, como ela gostava, e foi acordar sua rainha. Chegou ao quarto, colocou a bandeja numa mesinha que ficava num canto do quarto e foi encher de mimos a doce Beatriz. Estranhou ela não se mexer, nem acordar, pois sabia que tinha o sono leve. "Deve estar cansada demais" - pensou ele. Passou a mão pelo seu rosto e sentiu uma pele gelada. Começou a sacudir e nada! Pegou sua mão também gelada, já estava com as unhas escuras, começou a massagear os punhos, e nada! Começou a chorar desesperadamente. Beatriz estava morta!

      Morrera tranquila em sua cama, com um leve sorriso nos lábios e uma feição de total felicidade. "De repente", mais uma vez essa morte sem anúncio rondou a vida de seu Arnaldo. Se foi seu amor, lhe deixando apenas a saudade e o contentamento de ter vivido por um mês, a mais perfeita harmonia, o mais profundo amor, o mais ingênuo carinho, a ternura verdadeira. Um mês que valeu por toda uma vida...

      "Vai, meu amor, e me espere que logo lhe encontro, seja onde for... eu lhe procuro por toda a eternidade, mas lhe acho, e lhe pego de novo e não solto nunca mais".

      Foram essas as palavras de seu Arnaldo, quando o caixão de sua amada desceu ao túmulo.


      Fim.


      Texto publicado em 20 de junho de 2012